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A lombalgia é uma disfunção musculoesquelética de alta incidência que vem gerando agravos da capacidade funcional do paciente e muitos impactos na saúde pública. Atualmente, ela é considerada uma das maiores queixas de dor que recebemos, especialmente por mulheres.

Segundo Oliveira (2020), a dor lombar atinge 65% da população anualmente e 84% das pessoas em algum momento da vida. Além disso, ela vem gerando impactos sociais significativos, atingindo – em sua maioria – indivíduos a partir dos trinta anos.

Sabemos que a partir dessa idade a hidratação do disco diminui, reduzindo também sua capacidade de suporte de cargas tensivas. Dessa forma, o indivíduo fica mais suscetível a traumas.

Por isso, é de extrema importância compreender as causas do surgimento desse quadro, avaliar cada caso e, é claro, saber como realizar um bom tratamento para dor lombar. Continue lendo para descobrir mais sobre essa questão!

A anatomia da região e as causas da dor lombar

As vértebras lombares possuem estrutura anatômica diferenciada, com o corpo vertebral mais alargado, e são as maiores vértebras em termos de dimensão da coluna vertebral. Anatomicamente, elas possuem essa configuração para realizar o suporte de cargas tensivas.

Esse segmento lombar é composto por cinco vértebras e possui uma curvatura fisiológica denominada lordose. Além disso, ela realiza os movimentos de flexão, extensão, lateralização e pouca rotação.

spine

A dor lombar é caracterizada por um desconforto na região lombar que pode ocorrer de forma pontual ou irradiada, podendo ser causada por inúmeros fatores – por isso é considerada multifatorial. Dentre eles temos alterações posturais, desordens musculoesqueléticas e fatores emocionais. Ainda, a lombalgia apresenta como sintomas:

  • Desconforto nas vértebras lombares;
  • Pode afetar a respiração;
  • Rigidez muscular;
  • Cansaço;
  • Musculatura rígida;
  • Dores de cabeça;
  • Vista cansada;
  • Má digestão.

A estabilização dessa região é realizada pelos músculos profundos como multífidos e transverso do abdômen. Ela conta, ainda, com a integração de ligamentos e do sistema neural que por ali perpassam – e pela fáscia toracolombar.

Em pacientes com dor lombar, podemos encontrar dois tipos de dor: a aguda e a dor crônica. A primeira é uma dor intensa de curta duração – com estimativa de duração de até seis semanas – e que piora bastante durante o movimento. Já a dor crônica, por sua vez, é mais frequente e configurada por aquela sensação dolorosa que ultrapassa as 12 semanas, gerando desconforto e limitação funcional. 

De acordo com Pain (2018), a dor lombar crônica é definida como uma dor presente desde o último arco costal até a prega glútea, persistente por mais de doze semanas e não decorrente de uma doença específica, mas de um conjunto de causas. 

Neste contexto, é importante ser capaz de avaliar cada quadro para que se possa planejar o melhor tratamento para dor lombar. Leia abaixo como a avaliação pode ser decisiva nesses casos.

O papel da avaliação no tratamento para dor lombar

Para um diagnóstico funcional minucioso é imprescindível a realização de uma avaliação sistematizada. Esta é uma premissa para o sucesso de seu tratamento, pois é através dela que o terapeuta poderá adotar condutas mais assertivas ao seu paciente/aluno, adequando seus objetivos, condutas e o tratamento para dor lombar de acordo com a necessidade individual de cada caso.

A avaliação deve ser completa, indo desde a anamnese até o exame físico-funcional. Ela deve conter a avaliação estática e dinâmica. Isso porque na primeira são analisados pontos anatômicos específicos em todos os planos de movimento (frontal/anterior e posterior; sagital/perfil; transverso/rotações), tensões musculares, desvios posturais e, ainda, são realizados testes especiais.

Na avaliação dinâmica, por outro lado, o avaliador irá focar na análise dos padrões de movimento. Vale ressaltar que uma avaliação criteriosa deverá conter a avaliação estática e dinâmica e deve ser processual.

Durante o processo de avaliação, o profissional deve analisar o movimento de forma integrada. Para disso, deve ser considerada a integração dos sistemas neural, fascial e musculoesquelético. É importante estar atento, também, às cadeias musculares e, especificamente em quadros de dor lombar, dar uma atenção especial ao iliopsoas. Entenda o motivo disso abaixo.

A relação do iliopsoas na dor lombar 

O iliopsoas é um músculo profundo e estabilizador que possui seus pilares nas vértebras lombares. Ele é um potente gerador de força e possui papel fundamental na realização de movimentos posturais.

Ele é responsável pela flexão de quadril e estabilização da coluna lombar e pelve. Por isso, um iliopsoas encurtado pode ocasionar aumento da curvatura lordótica, gerando uma hiperlordose, diminuição do espaço intervertebral e, consequentemente, causar dor ao indivíduo.

Portanto, o avaliador deve manter-se atento às assimetrias da cadeia muscular, presença de dor e outros indícios como encurtamento e/ou densificação da fáscia. Como relatado anteriormente, o iliopsoas é um potente gerador de força. Quando encurtado ou em casos nos quais a fáscia toracolombar encontra-se densificada, a geração de mais força intensifica o quadro doloroso.

A dica é que, assim que for constatada a densificação da fáscia, ela seja mobilizada/manipulada. Ainda, em caso de encurtamento, deve-se estimular o alongamento para em um segundo momento estimular a geração de força.

O tratamento para dor lombar pode ser realizado através de diversos recursos fisioterapêuticos. Entre eles, os exercícios terapêuticos têm sido muito utilizados e eficazes na redução do quadro álgico e na melhora da habilidade funcional. O método Pilates tem sido utilizado na prática clínica e vem trazendo resultado satisfatório segundo evidências científicas.

O Pilates como uma alternativa de tratamento para dor lombar

O método Pilates é composto por um conjunto de exercícios criados por Joseph Pilates. Ele propõe a cura e o autoconhecimento através do movimento. A modalidade pode ser realizada no solo ou em equipamentos, e seu repertório vasto vai desde a reabilitação ao condicionamento físico.

O repertório do método tem como objetivo fortalecer a musculatura profunda do tronco, promover estabilidade e mobilidade, reeducar o movimento, melhorar a consciência corporal, realizar uma conexão do corpo e mente e, assim, estimular o corpo como um todo.

Os princípios são imprescindíveis na aplicação do método, pois garantem a efetividade do mesmo durante a realização dos exercícios. São eles: concentração, respiração, controle, fluidez, precisão e centro.

O Pilates em pacientes com lombalgia enfatiza o alongamento e o fortalecimento corporal, fazendo um trabalho em conjunto. Assim, ele realiza o fortalecimento isométrico, promovendo o alongamento global associado à respiração e ao trabalho postural – sempre, é claro, estimulando uma maior consciência corporal ao paciente.

O Pilates pode ser muito útil para o tratamento para dor lombar pois, através dos seus exercícios, pode-se realizar a estabilização segmentar lombo-pélvico, caracterizada por isometria, baixa intensidade e ativação sincronizada de músculos profundos do tronco. Muito se tem discutido acerca da estabilização segmentar, que traz eficácia no tratamento se empregada no momento correto.

Ainda, o Pilates também promove, através do crescimento axial e realinhamento postural, o aumento dos espaços intervertebrais. Isso contribui para diminuição da dor em pacientes nos quais esses espaços diminuíram e promoveram compressão neural.

Os efeitos do Pilates no tratamento para dor lombar

Estudos relatam inúmeros efeitos do método Pilates na dor lombar. Dentre eles, os mais citados são:

  • Diminuição da dor lombar;
  • Melhora da capacidade funcional;
  • Impactos positivos na qualidade de vida;
  • Melhora da postura, equilíbrio, flexibilidade e resistência muscular.

Ainda, é importante pontuar que não existem protocolos para o tratamento para dor lombar: a avaliação adequada é que fornecerá os dados necessários para que o terapeuta dite condutas a serem adotadas para cada caso específico e em que momento elas devem ser empregadas. Por isso, citarei abaixo alguns exercícios que podem ser utilizados na dor lombar.

Exercícios de Pilates no tratamento para dor lombar

Vejamos, agora, alguns exercícios do Pilates que podem ser especialmente positivos no tratamento para dor lombar.

1 – Bridge (ponte)

Estimula a mobilidade de coluna e a estabilização lombopelvica.

bridge1

2 – Spine stretch

Ajuda na mobilidade de coluna, Mobilização Neural e alongamento de cadeia posterior.

spine-stretch1

3 – Alongamento de iliopsoas

alongamento-de-iliopsoas

4 – Single leg stretch

Para fortalecimento de reto abdominal. 

single-leg-stretch1

Ao elencar o repertório de exercícios que irá compor as condutas terapêuticas do tratamento para dor lombar, uma dica importante é dar atenção e tratar o paciente de acordo com a fase do quadro em que ele se encontra.

Por exemplo: na fase aguda, em que movimentar-se pode gerar bastante dor, devemos priorizar movimentos mais simples. Aqui, é importante manter a coluna estabilizada e sem uso de cargas, sempre no limite da dor e respeitando os limites do paciente.

Já na fase crônica, por outro lado, é possível evoluir esses movimentos. Isso nos dá uma liberdade maior de movimento, contudo devemos estar sempre atentos ao limite de cada paciente.

Em casos de comprometimento neural na dor lombar é comum o paciente relatar sintomas de parestesias e dores irradiadas. Nesses casos, o principal nervo acometido é o nervo ciático.

Com o Pilates, o terapeuta pode estimular o crescimento axial e o aumento dos espaços intervertebrais, descomprimindo o nevo e diminuindo o processo inflamatório e a dor. Após essa fase, podemos inserir exercícios de mobilização neural e estabilização.

Outro aspecto sobre o qual o terapeuta deve estar atento é a correlação da dor crônica com aspectos emocionais. Trabalhar em interdisciplinaridade faz toda a diferença.

A medicina germânica, por exemplo, traz a interpretação da dor lombar como conflitos biológicos que acarretam disfunções musculoesqueléticos. Assim, quanto maior o conflito, maior a adaptação dos músculos, ossos e nervos, gerando ainda mais tensões e sintomas (como a dor).

Portanto, além de todos os aspectos acima relacionados acerca dos efeitos do método Pilates no tratamento para dor lombar, ele também poderá ajudar através desse autoconhecimento, consciência e percepção corporal, bem como pela conexão entre corpo e mente.

Além disso, não há contra indicações absolutas ao método. Apesar disso, é claro que uma boa avaliação e elencar precisamente os exercícios adequados às necessidades de cada paciente (ou seja, utilizar condutas assertivas) traz resultados mais precisos.

Conclusão

Por não haver um protocolo para o uso do Pilates no tratamento para dor lombar, cada paciente deve ser avaliado através de uma abordagem biopsicossocial. Nesse sentido, a interdisciplinaridade é fundamental para o sucesso do tratamento.

Dessa forma, ressaltam-se os benefícios do método Pilates no tratamento para dor lombar – sempre lembrando que o método é detalhista e o terapeuta deve estar atento a todo o mecanismo envolvido na dor. Da mesma forma, é importante atentar-se a todo o processo de tratamento, avaliando o indivíduo como um todo e empregando estes dados nas suas condutas terapêuticas.

E então, o que achou da ideia de aliar Pilates e um tratamento para dor lombar adequado? Ficou com alguma dúvida? Comente abaixo!

Referências

ANGIN, E.; ERDEN, Z.; CAN, F. The effects of clinical pilates exercises on bone mineral density , physical performance and quality of life of women with postmenopausal osteoporosis. Journal of Back and Musculoskeletal Rehabilitation, v. 28, p. 849–858, 2015.

Gore M, Sadosky A, Stacey BR, Tai KS, Leslie D. The burden of chronic low back pain: clinical comorbidities, treatment patterns, and health care costs in usual care settings. Spine. 2012;37(11):E668-77

MIYAMOTO, G. C. et al. Different doses of Pilates-based exercise therapy for chronic low back pain : a randomised controlled trial with economic evaluation. Journal of Sports Medicine, v. 0, p. 1–11, 2018.

OLIVEIRA. C ET AL..Benefícios e efeitos do método Pilates no tratamento de dor lombar crônica inespecífica: Uma revisão integrativa. cereus.v12n1p238-252, 2020.

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