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Atualmente, sabemos que o método Pilates é mais um dos recursos dos quais a fisioterapia se utiliza. Ele é considerado uma ferramenta para o trabalho postural dinâmico que promove bem-estar e qualidade de vida a muitas pessoas; além disso, o Pilates se tornou uma prática de adesão mundial.  Aí, surge o questionamento: seria possível unir Pilates e mobilização neural?

O método Pilates não envolve exercícios de forma aleatória, mas trata-se de um sistema de condicionamento físico e mental. Ele é capaz de aprimorar a força, a flexibilidade, a coordenação motora e o equilíbrio. Além disso, o Pilates também auxilia na diminuição do estresse e da ansiedade, sendo adaptado a diversos tipos de pacientes (MASSEY, 2012).

Com isso, temos que o objetivo dele é orientar o trabalho postural aos pacientes e integrar o novo conhecimento ao mais antigo. Isso deve acontecer sem rejeitar o que foi aprendido na Reeducação Postural Global (RPG), Feldenkrais, Método Godelieve Denys Struyf (GDS), Método Ivaldo Bertazzo, Método Laban e Anti-ginástica de Therese Bertherat de acordo com CRUZ (2013).

As utilidades deste fazem com que ele seja muito comum no universo da fisioterapia. Além disso, muito passam a se perguntar se é possível unir Pilates e mobilização neural. E é sobre isso que iremos tratar neste artigo!

Para isso, vamos iniciar tratando sobre o método Pilates em si. Leia abaixo!

Os primórdios do método Pilates

Para começo de conversa, vamos contextualizar o surgimento do método Pilates. Ele foi criado por Joseph Hubertus Pilates em 1880, na Alemanha. Ele era um menino magro e de saúde frágil, que sofria de raquitismo (uma doença decorrente da mineralização inadequada do osso em crescimento, cuja etiologia é a deficiência de vitamina D), de asma e febre reumática (uma doença reumática inflamatória de origem autoimune) (MASSEY, 2012).

Sua mãe era naturopata e seu pai ginasta. Através dessa influência, ele aprendeu a se curar de forma natural. Joseph era autodidata e, por meio da busca por mais conhecimento, adquiriu informações sobre fisiologia, anatomia e também medicina oriental.

A partir daí, ele passou a praticar diversas atividades físicas para melhorar sua saúde – como o boxe, ginástica olímpica, esqui e autodefesa – o que lhe conferiu um físico perfeito. Posteriormente, isso fez com que ele se tornasse um modelo para atlas de anatomia (MASSEY, 2012).

Baseado na filosofia de que um corpo saudável precisa de exercícios, ele conseguiu mostrar ao mundo que até mesmo um indivíduo acamado em um hospital poderia praticar algum tipo de movimento. Isso auxiliou muitas pessoas a vencer o período da gripe espanhola que estavam enfrentando (MASSEY, 2012).

De acordo com a história, Joseph teria trabalhado como atendente em um hospital. Lá, observou que o sedentarismo dos enfermos os levava a uma recuperação lenta ou inexistente. Com isso em mente, ele passou a ensinar exercícios e desenvolveu um programa de reabilitação para os enfermos da guerra (MASSEY, 2012).

A partir deste raciocínio, foram utilizadas as camas e as molas dos colchões para desenvolver o seu primeiro equipamento, o Cadillac. Adaptando camas e cadeiras de rodas com molas, ele começou a criar o desenho inicial dos aparelhos que hoje constituem os estúdios (MASSEY, 2012).

A consolidação do Pilates

Posteriormente, Joseph passa a trabalhar com Laban, um analista de movimento que trabalhava com bailarinos. Nesse momento aumenta-se o programa de desenvolvimento de condicionamento físico. Nascia, então, o Método Pilates, que se difundiu pelo mundo inteiro como uma técnica de condicionamento e reabilitação, de acordo com MASSEY(2012).

Além de desenvolver o método Pilates, Joseph também o praticava com frequência, o que fez com que a sua vida fosse longa e saudável. Ele faleceu no dia 9 de outubro de 1967. Seu método de treinamento físico e mental, chamado até então de Contrologia, passa então a ser ensinado como método Pilates.

É também nesse momento que começam a formar-se os futuros instrutores, aprendizes que começaram a montar seus espaços e introduziram suas ideias e abordagens (MASSEY, 2012).

Dentre esses instrutores estavam Romana Kryzanowska, Carola Trier, Lolita San Miguel, Ron Fletcher, Kathy Stanford-Grant, Eve Gentry e Bruce King. Junto com alguns outros alunos, a chamada “primeira geração” deu continuidade ao método aprendido com o seu inventor Joseph Hubertus Pilates. Apesar disso, as suas bases de conhecimento foram adequadas e surgiram diferentes linhas baseadas no método Pilates (MASSEY, 2012).

O que temos hoje – e sempre teremos – é um Método Pilates em evolução, no qual cada um se utiliza dos exercícios clássicos e adapta o seu trabalho de reabilitação. As escolas se dividem em clássicas e modernas, e o que muda entre elas é a nomenclatura utilizada e os acessórios (MASSEY, 2012).

A ênfase está na qualidade de exercício e não na quantidade de repetições. Os movimentos são precisos e definidos e devem incorporar o padrão respiratório sempre. Dessa maneira, o Pilates combina fortalecimento, flexibilidade, coordenação e equilíbrio de forma global, tal como cita MASSEY (2012).

As indicações do Pilates

“O exercício de Pilates tem como foco a simetria postural, o controle da respiração, a força abdominal, a estabilização da coluna, da pelve e dos ombros, a flexibilidade muscular, a mobilidade articular e o fortalecimento por meio da amplitude completa de movimento de todas as articulações, e não de grupos musculares isolados; o corpo todo é treinado, integrando os membros superiores e inferiores com o tronco.” 

Pilates Method Alliance®

Os dados que encontramos na literatura mundial indicam que qualquer pessoa a partir dos 12 anos pode praticar Pilates, até mesmo gestantes. Faxineiras, atletas, bailarinas, executivos, donas de casa, enfim: todos podem praticar a modalidade.

O ideal é que ela seja feita duas vezes por semana, devido ao amadurecimento do exercício. Apesar disso, o método Pilates também pode ser praticado uma vez por semana. As sessões costumam durar de 20 a 60 minutos, tal como afirmam Cruz (2013) e Isacowitz e Clippinger (2013).

ALVES (2012) acrescenta que cuidados diferenciados devem ser tomados com as crianças, uma vez que o excesso de carga pode afetar a maturação óssea e bloquear o crescimento ósseo da criança, pois as epífises de crescimento ainda estão abertas.

Outro ponto importante que a literatura alerta é que o Método Pilates não é uma forma de tratamento que visa o emagrecimento, uma vez que não proporciona uma atividade aeróbica. Dessa forma, é muito importante que o paciente que busca perder peso realize, de forma coadjuvante, uma atividade com esta finalidade.

A prática do Pilates pode acontecer unida ao trabalho de musculação, natação, corrida, caminhada, entre outros. O que mudará com isso é o que o paciente levará o conceito postural nestas outras atividades (ALVES, 2012).

Cuidados com a prática do método

Como você deve imaginar, é fundamental que antes de iniciarmos as aulas de Pilates, sendo fisioterapeutas, nos compete realizar uma anamnese com todos os dados do paciente exames complementares e tudo o que for relevante para a prática do método.

Neste processo é muito comum associarmos prova de função dos grupos musculares do centramento, tais como: músculo diafragmático, transverso do abdome, multífidos, iliopsoas, quadrado do lombo, latíssimo do dorso e rombóides.

Com estes dados, teríamos o início do nosso raciocínio lógico de atendimento em Pilates, porém faltam observações clínicas importantes.

Já na reabilitação, por sua vez, abordagens unilaterais são a principal causa do insucesso do tratamento. Nenhuma técnica, método ou recurso por si só é capaz de conferir a excelência de um atendimento, tal como já evidenciamos em escritas anteriores.

Pilates e mobilização neural: contraindicações

Quanto tratamos sobre o método, é muito comum que pensemos em associar Pilates e mobilização neural. Apesar disso, os pacientes com crises neurais são absolutamente contraindicados em sessões de Pilates.

O que acontece é que eles apresentam uma ideia de diminuição da amplitude articular devido o encurtamento de cadeias musculares. Apesar disso, quando avaliados mediante sua mobilidade neural, o fisioterapeuta que compreende deste assunto detecta que a dificuldade apresentada não se dá pela falta de alongamento e sim por falta de mobilidade dos tecidos intrínsecos do sistema nervoso, tal como nos ensina BUTLER (2003) através da técnica de Mobilização Neural.

Esse quadro trata-se de uma interferência da biomecânica neural na amplitude muscular ou articular. Por isso, aqui fica uma ressalva: por muitas vezes este sistema não é levado em conta nem na avaliação, nem no tratamento do paciente, tal como nos apresenta BUTLER (2003).

A mobilização neural é uma técnica pouco conhecida no meio fisioterápico, porém de grande valia profissional. Ela trata as disfunções da biomecânica do tecido nervoso, que de forma direta ou indireta, é sempre afetada em lesões musculares ou articulares (BUTLER, 2003).

Quando tratamos de Pilates e mobilização neural, temos que os manuseios desta restauram o conceito de “neuro dinamismo” do sistema nervoso, uma união entre a anatomia e a funcionalidade. Isso que confere aumento da amplitude de movimento, diminuição do quadro de dor e agilidade no retorno às atividades de vida diária.

O que mais percebemos com a utilização da técnica de MSN é o ganho de amplitude de movimento observado em muitos estudos científicos. Tal fato nos mostra que nem sempre o que limita o movimento são os músculos ou articulações, mas sim a mecânica neural, bem como orienta BUTLER (2003).

Com esta visão mais extensa do corpo humano, podemos dizer seguramente que somente podemos unir Pilates e mobilização neural para realizar os exercícios do primeiro quando a crise cessa e, é claro, com associação de movimentos que devolvem a mobilidade neural. 

Conclusão

Para os pacientes em questão, sempre serão indicados exercícios de liberação neural como forma de aquecimento para a prática do método Pilates. Por isso, a união entre Pilates e mobilização neural deve acontecer de maneira cautelosa.

Nunca se esqueça de que o quadro de crise neural desaparece, mas a propensão à lesão e imobilidade neural sempre existirá – principalmente quando associada a quadros de estresse.

Assim, caberá sempre ao fisioterapeuta a responsabilidade de avaliar e analisar cada um dos casos, identificando de a parceria entre Pilates e mobilização neural é um recurso de relevância na reabilitação deste paciente e realmente trará mais respostas positivas para ele.

Em textos futuros, discutiremos a identificação de sinais e sintomas clínicos que nos possibilitam constatar a imobilidade neural.

Referências:

ALVES, CE; BARONE, C; MERCURI, T. Os Efeitos do Treinamento de Força no Crescimento Ósseo em Crianças. 2012.

BUTLER, D.S. Mobilização do sistema nervoso. São Paulo: Manole, 2003.

CRUZ, T. M. F. Método Pilates – Uma Nova abordagem. 1. ed. SP: Phorte, 2013.

ISACOWITZ, R. & CLIPPINGER, K. Anatomia do Pilates. 1. Ed. Barueri, SP: Manole, 2013.

MASSEY, P. Pilates – Uma Abordagem Anatômica. 1. Ed. Barueri, SP: Manole, 2012.