Junte-se a mais de 150.000 pessoas

Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade!

Qual o seu melhor email?

Quantos de nós já não sentimos incômodo na cervical? Aquele mal jeito depois de um cochilo no sofá ou uma dificuldade de virar a cabeça para o lado na intenção de olhar algo… é muito comum, certo? Esses são alguns dos sinais que podem ocorrer em casos de disfunção ou anormalidades relacionados a coluna cervical. Nesses casos, torna-se essencial realizar uma reabilitação de cervical.

Isso porque as dores cervicais podem estar relacionadas ao seu dia a dia, à sua profissão (a função que você ocupa no seu trabalho), aos movimentos repetitivos que você realiza ou a uma postura mantida por um tempo muito prolongado. Por isso, continue lendo para entender como realizar uma boa reabilitação de cervical e uma modalidade que pode ajudar!

Princípios anatômicos cervicais

A coluna cervical é composta por 7 vértebras, sendo as 2 primeiras (atlas e áxis) diferente das outras vértebras, uma vez que são as responsáveis pelas articulações das cervicais.

A primeira vértebra, a atlas, está ligada ao crânio; dessa maneira, ela forma a articulação atlanto occipital, responsável pela inclinação da coluna vertebral. Já entre o atlas e o áxis forma-se a articulação atlantoaxial, que é considerada a mais móvel da cervical. Esta, por sua vez, é responsável pelo movimento de virar a cabeça e olhar para os lados.

A partir da terceira vértebra até a sétima, elas agem sustentando o peso da cabeça; elas são responsáveis pela resposta das forças musculares e por permitir a mobilidade ao executar o movimento. Nesse sentido, temos que há um conjunto de vértebras responsável por cada movimento sendo eles:

  • C1 e C2: responsável pela rotação máxima de cervical;
  • C2 a C4: responsável pela flexão lateral máxima;
  • C1 a C3 e de C7 a T1: responsável pela flexão e extensão máximas.

Ainda, temos que todas as vértebras da cervical juntas realizam o movimento de flexão. 

Apesar disso, quando a região em questão apresenta limitação durante o movimento e/ou presença de dor é necessário procurar ajuda profissional para identificar a patologia desenvolvida e dar início a um tratamento específico de reabilitação de cervical. Um dos casos que cria a necessidade de acompanhamento é o desenvolvimento de cervicalgia crônica. Leia abaixo do que se trata.

O que é a cervicalgia crônica?

A principal característica da cervicalgia crônica é a dor e a limitação na amplitude de movimento (ADM) da cervical. Apesar disso, a ADM está relacionada a vários fatores, como a idade, gênero, dimensão do pescoço e a presença de dor. 

Além disso, a cervicalgia crônica tem uma maior incidência em adultos do sexo feminino, podendo causar desde leves desconfortos até dores intensas. Um dos fatores que gera o aumento da dor e impede uma completa ADM da cervical é a tensão muscular. Nesses casos, uma reabilitação de cervical é essencial. 

Tratamento fisioterápico para reabilitação de cervical

Um dos pontos que precisa ser observado quando tratamos de reabilitação de cervical é a presença de dor. Isso porque dor é um indicativo de que algo não está bem e é necessária a avaliação de um profissional. 

Durante a avaliação, o profissional precisa muito ser criterioso. Devemos buscar o máximo de informações sobre o paciente, realizando os testes e a palpação até descobrir a causa da dor do indivíduo.

Identificando os pontos importantes na avaliação, torna-se mais fácil planejar a reabilitação de cervical. Além disso, fica mais fácil determinar o tempo de cada sessão e se há a necessidade de acompanhamentos semanais ou diários para definir seus treinos para determinado paciente. 

Alguns autores mostram resultados efetivos em tratamentos de médio e longo prazo de reabilitação de cervical. Apesar disso, há controvérsias em alguns estudos, que questionam qual seria o treino mais indicado para a região.

Essas controvérsias existem pois alguns autores comprovam que os treinos leves – compostos por alongamentos, exercícios aeróbicos, dinâmicas leves e relaxamentos – possuem pouco eficácia no controle da dor. Por outro lado, os treinos pesados – exercícios para contração concêntrica e excêntrica utilizando halteres, faixas elásticas, equipamentos isocinéticos e exercícios antigravitários – apresentam maior eficácia no controle da dor. 

Alguns estudos mostram que a sobrecarga piora a dor, porém um trabalho de força muscular de maneira adequada (sem excessos) pode diminuir a dor cervical crônica. Nesse sentido, cabe a cada profissional definir o tipo de treino que seja melhor para o seu paciente, sempre sem o colocar em risco durante o tratamento. 

Modalidades a serem trabalhadas durante o tratamento fisioterapêutico

O tratamento fisioterapêutico para cervicalgia tem como objetivo diminuir a dor relatada pelo cliente/paciente, recuperar a mobilidade (tanto das vértebras quanto da articulação afetada pelas raízes nervosas) e fortalecer a musculatura. Dessa maneira, é possível oferecer uma melhora na qualidade de vida da pessoa. 

Durante o tratamento de reabilitação de cervical, podem ser associadas algumas técnicas para favorecer os resultados do tratamento. Entre elas, temos: o uso das terapias manuais, a liberação miofascial, exercícios de alongamentos e fortalecimento, uso da radiação infravermelha, o pilates, maitland e mulligan, entre várias outras.

Estas modalidades favorecem grandemente a reabilitação de cervical. Neste artigo, iremos abordar o Pilates como auxílio na reabilitação de cervical. Vamos lá?

Pilates: um aliado na reabilitação de cervical

O método Pilates foi criado por Joseph Pilates, que era um estudioso na área do movimento. Joseph sempre buscava conhecimento a respeito do assunto e gostava de praticar diversas modalidades de treinamentos físicos. Após muitos anos de estudos e sempre querendo aprender mais sobre o corpo humano, ele começou a unir seus conhecimentos e criou seu próprio método. 

As primeiras experiências na criação do método aconteceram em 1912, enquanto ele acompanhava seus colegas em um confinamento da Primeira Guerra Mundial. A partir da necessidade de ajudar as pessoas que estavam lá, Joseph começou a adaptar os acessórios ali presentes. Com o tempo, ele foi ensinando seus exercícios aos colegas na intenção de oferecer uma melhor recuperação.  

Já em 1923, Joseph conseguiu montar seu primeiro estúdio junto com sua esposa. Ele sabia da importância e da diferença que seu método poderia fazer na vida das pessoas e não queria todo aquele conhecimento só para si.

Por isso, ele começou a apresentar seu método nas escolas, pois acreditava que seus benefícios são importantes desde a infância – e também a outros países como os Estados Unidos da América, por exemplo. 

Com o tempo, o método Pilates ficou conhecido entre os bailarinos, pois permitia uma recuperação mais rápida de lesões e oferecia uma melhora no condicionamento físico para os treinos. 

Então Joseph Pilates começou a ensinar o seu método a outras pessoas, para que estes dessem continuidade ao seu trabalho, divulgando-o em outros estados e países. Assim, outras pessoas teriam a oportunidade de conhecer e desfrutar dos benefícios para a saúde do Pilates. 

A relação do Pilates com a saúde 

O trabalho do Pilates está direcionado a concentração, conscientização corporal e qualidade na execução do movimento. O método apresenta um trabalho de contrações concêntricas, excêntricas e isomérica, sempre priorizando a estabilização do corpo através do centro de força (denominado de power house). 

Nesse sentido, o alinhamento postural está relacionado ao equilíbrio articular (composto pela mobilidade articular e força muscular), favorecendo os movimentos simétricos. Nos casos de desequilíbrio posturais, eles ocorrem devido aos movimentos repetitivos – que diminuem a flexibilidade e causam encurtamentos musculares – fator que prejudica a sustentação e o movimento do corpo como um todo.

A quantidade de sessões de Pilates a serem realizadas varia conforme a faixa etária do cliente: pessoas acima de 60 anos, por exemplo, precisam de mais tempo realizando as sessões para observar melhorias na saúde, enquanto os mais jovens conseguem realizar uma reabilitação de cervical mais rapidamente. O importante é não deixar de realizar as sessões até alcançar o objetivo do tratamento. 

Sugestão para uso do Pilates para reabilitação de cervical

Para usar o Pilates na fisioterapia para reabilitação de cervical, deve-se iniciar o tratamento usando a técnica de acordo com a necessidade do cliente. Para o trabalho de força muscular e melhoria da correção postural sugiro os exercícios abaixo:

  • Spine stretch – indicado para mobilidade de cervical, torácica e lombar em flexão;
  • The saw – realiza a rotação lateral com inclinação de tronco; 
  • The hundred – trabalha a coordenação motora de membros superiores e melhora a capacidade respiratória; 
  • Fortalecimento de grande dorsal usando o elástico; 
  • Fortalecimento para manguito rotador usando o elástico;
  • Tonificação de bíceps e tríceps braquial com o elástico; 
  • Exercício de mobilidade realizando a extensão de cervical. 

Esses são alguns dos exercícios que podem ser utilizados durante a reabilitação de cervical dos clientes – e até mesmo para outros tratamentos.

Conclusão

Conforme foi possível perceber neste artigo, as dores na região cervical, apesar de muito comuns, merecem cuidado e atenção. Para isso, o Pilates pode ser uma ferramenta muito eficaz para a reabilitação de cervical.

Por fim, deve-se pontuar a importância de haver mais conteúdos sobre o tema para que nossos clientes/pacientes possam ser sempre bem atendidos. Se gostou do artigo, deixe seu comentário abaixo!

Referências 

Andersen LL, Jørgensen MB, Blangsted AK, Pedersen MT, Hansen EA, Sjøgaard G. A randomized controlled intervention trial to relieve and prevent neck/shoulder pain. Med Sci Sports Exer. 2008;40(6):983-90.

Cassidy JD, Côté P. Is it time for a population health approach to neck pain? J Manipulative Physiol Ther. 2008;31(6):442-6.

De Souza MCS, Vieira CB. Who are the people looking for the Pilates method? J Body Mov Ther. 2006;10(4):328-34. 

Di Lorenzo CE. Pilates: what is it? Should it be used in rehabilitation? Sports Health. 2011;3(4):352-61. 

Ferrão MIP, Traebert J. Prevalence of temporomandibular disfunction in patients with cervical pain under physiotherapy treatment. Fisioter Mov. 2008;21(4):63-70.

Gallagher S, Kryzanowska R. Método pilates de condicionamento físico. São Paulo: The Pilates Studio do Brasil; 2000. 

Gronningsater H, Hytten K, Skauli G, Christensen CC, Ursin H. Improved health and coping by physical exercise or cognitive behavioral stress management training in a work environment. Psychology and Health. 1992;7:147-63.

Kietrys DM, Galper JS, Verno V. Effects of at-work exercises on computer operators. Work. 2007;28(1):67-75.

Kolyniak I, Cavalcanti S, Aoki M. Avaliação isocinética da musculatura envolvida na flexão e extensão do tronco: efeito do método Pilates. Rev Bras Med Esporte. 2004;10(6):487-90. 

Kraemer WJ, Adams K, Cafarelli E, Dudley GA, Dooly C, Feigenbaum MS, et al. American College of Sports Medicine position stand. Progression models in resistance training for healthy adults. Med Sci Sports Exerc. 2002;34(2):364-80.

Lansade C, Laporte S, Thoreux P, Rousseau MA, Skalli W, Lavaste F. Three-dimensional analysis of the cervical spine kinematics: effect of age and gender in healthy subjects. Spine. 2009;34(26):2900-6.

Lee H, Nicholson LL, Adams RD. Cervical range of motion associations with subclinical neck pain. Spine. 2004;29(1):33-40. 

Lundblad I, Elert J, Gerdle B. Randomized controlled trial of physiotherapy and feldenkrais interventions in female workers with neck-shoulder complaints. J Occup Rehabil. 1999;9(3):179-94.

Marés G, Oliveira KB, Piazza MC, Preis C, Bertassoni Neto L. A importância da estabilização central no método Pilates: uma revisão 

Molinari B. Avaliação médica e física: para atletas e praticantes de atividade físicas. São Paulo: Roca; 2000. 

Reynolds J, Marsh D, Koller H, Zenenr J, Bannister G. Cervical range of movement in relation to neck dimension. Eur Spine J. 2009;18(6):863-8.

Santos CIS, Cunha ABN, Braga VP, Saad IAB, Ribeiro MAGO, Conti PBM, et al. Ocorrência de desvios posturais em escolares do ensino público fundamental de Jaguariúna, São Paulo. Rev Paul Pediatr. 2009;27(1):74-80.

Sjögren T, Nissinen KJ, Järvenpää SK, Ojanen MT, Vanharanta H, Malkia EA. Effects of a workplace physical exercise intervention on the intensity of low back symptoms in office workers: a cluster randomized controlled cross-over design. J Back Musculoskeletal Rehabil. 2006;19(1):13-24.

Sjögren T, Nissinen KJ, Järvenpää SK, Ojanen MT, Vanharanta H, Mälkiä EA. Effects of a workplace physical exercise intervention on the intensity of headache and neck and shoulder symptoms and upper extremity muscular strength of office workers: a cluster randomized controlled cross-over trial. Pain. 2005;116(1-2):119-28.

Smith K, Hall T, Robinson K. The influence of age, gender, lifestyle factors and sub-clinical neck pain on the cervical flexion-rotation test and cervical range of motion. Man Ther. 2008;13(6):552-9.

Strine TW, Hootman JM. US national prevalence and correlates of low back and neck pain among adults. Arthritis Rheum. 2007;57(4):656-65.

Swartz, E.E., eT.al. (2005). Cervical spine functional anatomy and the biomechanics of injury due to compressive loading. Journal of Athletic Training, 40: 155 – 161. 

Takala EP, Viikari-Juntura E, Tynkkynen EM. Does group gymnastics at the workplace help in neck pain? A controlled study. Scand J Rehabil Med. 1994;26(1):17-20.

Tsauo JY, Lee HY, Hsu JH, Chen CY, Chen CJ. Physical exercise and health education for neck and shoulder complaints among sedentary workers. J Rehabil Med. 2004;36(6):253-7.

White, A. A., Panjabi, M. M. (1978). The basic kinematics of the spine. Spine , 3:12 -20. 

Ylinen J. Physical exercises and functional rehabilitation for the management of chronic neck pain. Eura Medicophys. 2007;43(1):119-32.