Junte-se a mais de 150.000 pessoas

Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade!

Qual o seu melhor email?

Na reabilitação, abordagens unilaterais são as principais causas do insucesso do tratamento. Nenhuma técnica, método ou recurso por si só, é capaz de conferir a excelência de um atendimento. Por isso, investir na carreira e expandir o conhecimento é uma necessidade que deve ser reconhecida pelos profissionais da área.

Fisioterapeutas dedicados a abordagens mais explorativas conseguem reconhecer que o corpo humano é todo interligado, que sofre forte influência das emoções e está sob a regência do sistema nervoso; que, além de todos os comandos emitidos, implica em lesões micro silenciosas até então pouco discutidas.

Sempre soubermos tratar e avaliar muito bem as grandes lesões nervosas, porém o que pouco foi discutido é a importância da análise das lesões nervosas menores, que são causadores de dor e falta de movimento, sendo tão restritivas quanto as maiores.

Por isso, preparei está matéria para te mostrar o que é a mobilização neural e como ela é uma técnica fundamental na visão multidisciplinar do fisioterapeuta. Vamos lá? Continue lendo para saber mais!

O que é Mobilização Neural?

A mobilização neural é uma técnica pouco conhecida no meio fisioterápico, porém de grande valia profissional. Ela trata as disfunções da biomecânica do tecido nervoso, que de forma direta ou indireta, é sempre afetada em lesões musculares ou articulares.

Muitos estudos comparativos vêm sendo feitos de forma a mensurar os resultados da fisioterapia convencional versus da utilização associativa da mobilização neural no tratamento de lombalgias, hérnias de disco e lesões por esforços repetitivos, demonstrando que a técnica reduz o tempo de reabilitação do paciente, promovendo qualidade de vida.

Neurodinamismo

Os manuseios da mobilização neural restauram o conceito de “neurodinamismo” do sistema nervoso, uma união entre a anatomia e a funcionalidade, algo que confere aumento da amplitude de movimento, diminuição do quadro de dor e agilidade no retorno as atividades de vida diária.

Quando o corpo humano perde o neurodinamismo, ele imediatamente restringi sua capacidade de alongamento, agora imagine as consequências disto para um atleta, bailarino ou esportista. Significa a redução da amplitude do seu próprio gesto esportivo. A denominação desta lesão é Tensão Neural Adversa.

Porém, quando nos aprofundamos nos conhecimentos do neurodinamismo, identificamos que a prostração, a falta de movimento, a dificuldade da população em realizar exercícios físicos devido à falta de cultura preventiva a lesões, traz como consequência dores incalculáveis, constantes e dispersas, que se iniciam devido as disfunções neurológicas.

Aprende-se com esta nova abordagem da mobilização neural, que não somente os sistemas articulares, musculares, facetários ou de estruturas interligadas podem causar lesão, mas também qualquer alteração da biomecânica dos tecidos nervosos pode gerar problemas ao paciente, sendo necessário o fisioterapeuta avaliar e tratar este sistema.

Não precisamos necessariamente ter um trauma sobre o sistema neural para termos uma lesão, esta é uma visão do passado. Sabemos através da evolução da neurociência que estas lesões podem ser provocadas por uma postura, uma contração muscular que é realizada de forma repetitiva, ou seja, o mecanismo desta mínima lesão neural pode vir de interfaces próximas, até mesmo um edema pode gerar as disfunções denominadas de Tensão Neural Adversa.

O que mais percebemos com a utilização da técnica de mobilização neural é o ganho de amplitude de movimento observado em muitos estudos científicos, o que nos mostra que nem sempre o que limita o movimento são os músculos ou articulações, mas sim a mecânica neural.

Este novo olhar sobre a biomecânica neural nos faz refletir o quanto podemos estar exigindo de uma estrutura corporal, enquanto a disfunção está presente em uma outra região.

Podemos estar forçando o alongamento muscular, nos utilizando de técnicas para promover o aumento deste, e ao mesmo tempo podemos estar promovendo o aumento da tensão neural.

Surge, portanto, a necessidade de uma nova visão dos fisioterapeutas frente ao comprometimento do sistema nervosos nas lesões, assim como, uma nova postura na avaliação e tratamento das disfunções musculoesqueléticas.

Muitos pacientes procuram o Método Pilates tendo patologias que envolvem raízes nervosas, e eles tem um histórico de dor que nos mostra muitos sinais de tensão adversa.

Será que não podemos começar a avançar na busca de integralidade de técnicas para melhorar o quadro do paciente? Será que como fisioterapeuta, estou tendo uma visão de integralidade do corpo humano? Será que estou tratando ou estou piorando o quadro do meu paciente? Será que somente motivos psicossomáticos pioram os pacientes? Porque será que para alguns pacientes não conseguimos melhoras, e parece que tudo o que fazemos de nada adianta?

A sensação de pouco saber, de sempre precisar estudar algo a mais, de buscar novos caminhos, pode parecer frustrante, porém, não será esta a nossa dedicação primordial a profissão?

Reconhecer os nossos limites como Fisioterapeuta nos leva onde?

Reconhecer os limites de nossa abordagem fisioterapêutica, identificar que não sabemos tudo, e que novos olhares precisam expandir, já o passo mais certeiro que podemos dar.

Fisioterapia é uma profissão de muito amor, dedicação integral, que envolve todo um cuidado, uma vez que sua maior ferramenta de trabalho é o toque.

Vamos fazer uma breve reflexão para responder ao questionamento proposto. A definição de fisioterapia, diz que se trata de uma ciência que estuda, previne e trata distúrbios cinesiológicos. Fundamenta-se nos conhecimentos da biologia, biofísica, bioquímica, biomecânica, fisiopatologia, sinergia funcional e disciplinas comportamentais.

O Saber

O SABER é muito importante, ele advém de tudo o que aprendemos de forma teórica, seja através de livros, palestras, vídeos. Este conhecimento é conferido durante toda a graduação, mas deve ser contínuo, uma vez que se forma é um processo, e não um ato finito.

Por isto, estudar bastante é uma obrigação! Atualize-se sempre, nunca sabemos o bastante e nem o suficiente.

Pelo fato da Fisioterapia ser uma ciência, ela estará sempre em evolução e, portanto, é preciso sempre se reciclar, realizando cursos, participando de congressos e simpósios. Até mesmo quando relemos um livro, temos outro ponto de vista, estamos mais amadurecidos, a experiência prática nos faz reler a teoria sobre outro prisma.

O Saber Fazer

O SABER FAZER também tem extrema relevância para a profissão. Em Fisioterapia, o manuseio correto é fundamental. Aprimore-se, busque técnicas novas, vivencie novas terapias, as sentindo como se você fosse o paciente.

Visite outros países, leia sobre novas abordagens, conheça pessoas que tenham reconhecimento na área, teste novos equipamentos. Um profissional que não se aprimora, não transmite segurança.

O Saber Ser

E ainda assim, acredite que por mais que você desenvolva o SABER e o SABER FAZER, algo maior é necessário sempre. Quantos são os profissionais de saúde que são referência mundial no assunto, mas pela forma que nos tratam, nunca mais voltamos em seus consultórios. Obviamente, que o paciente valoriza o conhecimento e a qualificação clínica, mas isto em verdade, é uma obrigação do profissional.

Reabilitar é devolver o sujeito ao seu meio social, e isto envolve além de todos os conhecimentos referidos, uma atitude de muita humanidade. As relações humanas são trocas dinâmicas, são ações que envolvem o ato de dar e receber.

O retorno de uma ação é proporcional ao volume da energia de doação envolvida neste ato. Tudo aquilo que é bem realizado, em sua total amplitude, regado de uma essência verdadeira, incondicional e sincera, expande-se e retorna com frutos.

A sua intenção no ato de doação, provoca uma reação em quem recebe. Se colocar alegria em seu trabalho, doando amor naquilo que faz, sua vida será repleta do mesmo sentimento. E quanto mais recebemos da vida, mais teremos condições de dar. Preencher-se de entusiasmo em seu trabalho faz toda a diferença.

Compreenda assim, que o reconhecimento de trabalho de um fisioterapeuta não deve ser atribuído ao número de diplomas, cursos, títulos, prêmios e muito menos ao número de altas. Ele mede-se em cada gesto, sorriso e palavras de gratidão que recebemos de cada paciente. A gratidão é a mãe de todas as outras virtudes.

Como identificar o sucesso de sua terapia?

O sucesso na fisioterapia nasce como fruto da gratidão o qual falamos agora. Cada vez mais que somos gratos pela experiência dividida com cada paciente, pelas horas de trabalho dispendidas, pelo desafio de achar uma saída na reabilitação, por dividir um momento, uma palavra de conforto, enxugar um choro, mas nos sentiremos pleno, mais teremos potencial em dar.

E quando você chegar ao ponto que deseja, não fique confortável, acomodado, pois tudo muda. “Sucesso no passado não garante sucesso no futuro”.

Se você é competente hoje, mas abandonar seus estudos, acreditar somente em uma verdade, não prestar a atenção na evolução de sua profissão e não investir mais nela, vai deixar de ser o que é: competente.

Preencha-se pela PAIXÃO DE SER. Invista em você mesmo, pois o maior investimento a ser feito nesta vida, é em você mesmo.

Seja multidisciplinar, aprenda a nunca desprezar conhecimentos antigos, e sim a construir novos rumos, em um pleno exercício de reconstrução. Tudo o que você aprendeu até agora sempre foi certo, professores tem diversos domínios, baseados em tudo o que conheceu e vivei durante sua vida profissional.

Conclusão

Compreenda que a mobilização neural, ou outro recurso fisioterapêutico só pode te somar valor na grande experiência de ser fisioterapeuta.

Em cada nova abordagem de assunto da mobilização neural, a partir dos próximos textos, quero que você agregue as discussões de neurodinamismo a tudo o que você conhece, seja de terapia manual, cinesioterapia, ou qualquer outro conhecimento que você já possua.

Conhecimento não é excesso de informação, mas sim atitude em ação. Faça com que em sua vida profissional, o SABER, o SABER FAZER e o SABER SER sejam indissociáveis.