Junte-se a mais de 150.000 pessoas

Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade!

Qual o seu melhor email?

A hérnia de disco, por ser uma patologia que acomete muitas pessoas e causa dores significativas, faz com que os pacientes acometidos por ela busquem maneiras de aliviar seus sintomas. Surge, então, uma nova possibilidade: o alongamento para tratamento de hérnia de disco.

Segundo Ortiz (2000), ela atinge cerca de 30% a 40% da população brasileira de maneira assintomática (considerando-se a forma lombar) e é mais comum em homens e mulheres acima de 35 anos de idade.

Por isso, sabe-se que a maioria da população adulta tem ou terá lombalgia, uma vez que se trata de uma dor recorrente. Mas será que é viável tratar essa dor através do alongamento? Continue lendo para descobrir!

O que é hérnia de disco?

A hérnia de disco é uma patologia na qual se observa a ruptura do anel fibroso, com deslocamento central dos componentes do disco nos espaços intervertebrais. Dependendo do volume deslocado, pode-se ter a compressão das raízes lombares e do saco dural, o que causa a clássica lombociatalgia ou dor ciática. (Vialle, 2010).

Sabemos que a causa desta dor ciática é multifatorial e envolve estímulos mecânicos nas terminações nervosas, que acabam por produzir um grande processo inflamatório devido à presença deste núcleo extruso. Mas quais são esses fatores, exatamente? Leia abaixo! (Vialle, 2010)

O que causa a hérnia de disco?

O diagnóstico de hérnia de disco trata-se de um dos que mais leva pacientes a cirurgias de coluna, principalmente devido à falta de acessibilidade aos médicos e à desvalorização da importância da realização de exames periódicos. (Spangfort, 19720).

Dentre as causas mais comuns para a instalação desta patologia podemos citar:

  • O hábito de carregar muito peso por períodos prolongados;
  • Permanecer sentado durante muito tempo com alta frequência; 
  • Fatores genéticos;
  • O processo natural de envelhecimento;

Além disso, segundo Cordain (1998), tanto as nossas tarefas diárias atuais quanto as nossas práticas de atividades físicas mudaram muito com o passar do tempo. 

Após a industrialização, passamos a não movimentar o corpo como antes e nosso treinos de exercícios são voltados para força e resistência. Ainda assim, eles não se equiparam às atividades do homem na Idade da Pedra.

Antes, o homem dependia de suas habilidades motoras para sobreviver, enquanto hoje ele depende mais de suas capacidades mentais. Isso nos leva a um comportamento mais sedentário e estático. O homem, que vivia em pé, agora com frequência passa mais de seis horas sentado em frente ao computador. (Cordain, 1998) 

Quando adotamos a posição sentada, a lordose lombar (considerada normal por um viés fisiológico) diminui de tamanho e faz com que toda a coluna vertebral perca sua harmonia – segundo Kapandji, 1987.

O corpo humano não foi feito para ficar sentado. Por isso, com o tempo podemos desenvolver lombalgias, que frequentemente evoluem para a lombociatalgia.

No Brasil, a lombalgia se tornou a primeira causa de afastamento e a terceira causa de aposentadoria por invalidez, atingindo todas as classes sociais. Seu tratamento envolve tanto o procedimento cirúrgico quanto os tratamentos conservadores. (Fernandes, 1994).  

Apesar disso, surge uma nova possibilidade quando pensamos no alongamento para tratamento de hérnia de disco. Continue lendo para descobrir como isso pode acontecer!

Quais os tratamentos mais comuns para hérnia de disco?

Existem muitas formas de tratar as dores ocasionadas pela presença da hérnia de disco. Alguns exemplos são:

  • fisioterapia convencional;
  • hidroterapia;
  • acupuntura;
  • Pilates;
  • RPG;

Todas elas visam amenizar a dor através de procedimentos analgésicos, exercícios de fortalecimento e a utilização de alongamento para tratamento de hérnia de disco a fim de promover a decoaptação articular.

Em virtude do baixo custo, muitas pessoas são adeptas primeiramente ao tratamento mais conservador. Isso porque ele tende a minimizar a dor, aumentar a flexibilidade e abrandar novas crises recidivas. Apesar disso, em casos nos quais a dor não apresenta retrocesso após um mês e meio de tratamento, é recomendada a intervenção cirúrgica. (Ortiz, 2000).

É necessário compreender, também, que a diminuição da amplitude articular devido ao encurtamento de cadeias musculares pode advir de uma dificuldade que não se dá pela falta de alongamento, mas sim pela falta de mobilidade dos tecidos intrínsecos do sistema nervoso. (Butler, 2003).

Por isso, temos que a falta de amplitude em diferentes tipos de movimento pode advir não somente da interferência muscular ou articular, mas sim de uma influência referente à biomecânica neural. 

Dessa maneira, entende-se que, independentemente dos sistemas articular e muscular estarem afetados em uma disfunção, o sistema nervoso estará envolvido de forma direta ou indireta nessa situação. Este é um alerta importante, pois muitas vezes esse sistema não é levado em conta nem na avaliação, nem no tratamento do paciente. 

A partir daí, percebe-se que podemos pensar em novas possibilidades. É o caso da mobilização neural e do alongamento para tratamento de hérnia de disco, como você verá adiante. 

A reabilitação para hérnia de disco

Quando tratamos sobre a reabilitação para hérnia de disco, temos que a principal causa do insucesso dos tratamentos são as abordagens unilaterais. Isso porque é preciso sempre lembrar que o corpo humano é todo interligado e está sob a regência do sistema nervoso que, além de todos os comandos emitidos, também exerce influência através de sua biomecânica devido ao princípio de continuidade.

Nesse sentido, a efetividade da mobilização neural para tratamento de hérnia de disco em pacientes com dores lombares tem sido estudada com grande afinco. Como exemplo temos Machado e Bigolin que, em 2010, publicaram os resultados de suas análises sobre os efeitos da mobilização neural versus alongamento muscular em pacientes com lombalgia crônica.

Neste estudo, notou-se que ambos os programas de reabilitação surtiram efeito positivo na melhora do paciente. Apesar disso, a significância foi observada no programa de mobilização neural para tratamento de hérnia de disco, o que pode ser justificado devido à presença de tensão neural responsiva nos testes investigativos.

Esses autores também são partidários da ideia de que não é preciso abordar apenas uma técnica na reabilitação. Seria positivo, nesse sentido, que o paciente fosse avaliado e atendido mediante suas necessidades. Sendo assim, além do uso do alongamento para tratamento de hérnia de disco, tem-se que a mobilização neural também pode ser muito positiva. 

Ainda, fica aqui uma ressalva frente à presença de testes neurais na avaliação do paciente. Quantos fisioterapeutas, em verdade, conhecem isto? Será que a influência da técnica enquanto abordagem de tratamento pode ser um trunfo nas mãos do terapeuta? 

O que é a Mobilização Neural?

Conceituamos como Mobilização do Sistema Nervoso (MSN) ou Mobilização Neural uma técnica que restaura a mobilidade e elasticidade intrínseca ao sistema nervoso, permitindo, assim, que ele recupere sua biomecânica neural. 

É relevante destacar que não é necessário existir um trauma sobre o sistema neural para que haja uma lesão – esta é uma visão do passado. A evolução da neurociência nos permitiu perceber que essas lesões podem ser provocadas pela postura, por contração muscular repetitiva, entre outros fatores.

Isso significa que o mecanismo dessa mínima lesão neural pode vir de interfaces próximas, e até mesmo um edema pode gerar disfunções denominadas de Tensão Neural Adversa (TNA). (Butler, 2003).

Para que consigamos usar a mobilização neural e o alongamento para tratamento de hérnia de disco e reabilitar o paciente através deste olhar, é preciso conhecer a união entre a anatomia e a fisiologia do sistema nervoso – o que denominamos de “neurodinâmica”. Além disso, também é preciso avaliar a funcionalidade desta, já que alterações neurodinâmicas podem causar implicações no paciente, como cita Vasconcelos et. al. (2011).

A Tensão Neural Adversa acontece quando o sistema nervoso perde seu neuro dinamismo, ou seja, perde sua amplitude de movimento e restringe seu alongamento. Isso é comum em bailarinos, ginastas e atletas, por exemplo, pois possuem movimentos que, por vezes, excedem em complexidade. Por terem um trato tecidual contínuo, os movimentos dos membros geram interferência e consequências mecânicas nos troncos nervosos e neuroeixo. (Bowsher, 1988).  

Nesses casos, o uso da mobilização neural e do alongamento para tratamento de hérnia de disco pode ser extremamente proveitoso.

Como usar a mobilização neural e o alongamento para tratamento de hérnia de disco

Para que o movimento humano ocorra em plenitude é necessário que dois sistemas biomecânicos caminhem de forma aliada: o do sistema nervoso e das interfaces que o rodeiam. Observe que a mobilidade deste sistema nervoso é, ao mesmo tempo, independente e dependente de onde ele está passando, e de qual interface (articular, muscular, fascial, entre outras) está atravessando. (Butler, 2003).

Em virtude dos fatos mencionados, justifica-se a importância clínica do fisioterapeuta compreender a anatomia e interligação destes pontos de tensão neural para utilizar o alongamento para tratamento de hérnia de disco. Entre eles, deve-se ter domínio sobre: a biomecânica neural contínua, toda a relação entre Sistema Nervoso Central, Periférico e Autônomo e, é claro, os trajetos nervosos.

Nesse sentido, podemos dizer que as tensões neurais adversas são respostas fisiológicas e mecânicas anormais do sistema nervoso frente a uma tensão ou compressão sofrida em sua estrutura, especificamente quando este fica com sua capacidade de mobilidade restringida. (Junior e Teixeira, 2007).

Nesses casos, o fisioterapeuta bem preparado já realiza uma anamnese criteriosa. Veja abaixo:

Antes da prática da mobilização neural e do alongamento para tratamento de hérnia de disco

O indicado, então, é acrescentar à análise testes de tensão do sistema nervoso, que apontariam possíveis trajetos nervosos comprometidos. Seria correto, também, realizar testes que avaliassem a condução nervosa. Dessa maneira, torna-se possível avaliar se é de fato proveitoso fazer uso da mobilização neural e do alongamento para tratamento de hérnia de disco.

Paciente com dor lombar crônica sempre se enquadram nos modelos de desordem de Mckenzie. Por isso, tentativas de se retomar a extensão lombar são realizadas com o uso do alongamento para tratamento de hérnia de disco.

Além disso, pressões idealizadas por Maitland defendem a mesma idéia, porém nem sempre elas trazem o resultado satisfatório. Butler (2003) orienta que nesses pacientes seja realizado os testes SLR, PNF e Slump Test, a fim de averiguar a presença de uma lesão neural.

O que mais percebemos com a utilização da técnica de mobilização neural e do alongamento para tratamento de hérnia de disco é o ganho de amplitude de movimento observado em muitos estudos científicos, o que nos mostra que nem sempre o que limita o movimento são os músculos ou articulações, mas sim a mecânica neural, bem como orienta Butler.

Conclusão

A partir do que foi exposto no artigo, pode-se perceber que a mobilização neural e o alongamento para tratamento de hérnia de disco podem ser extremamente proveitosos. Isso porque é essencial realizar uma avaliação prévia das tensões neurais e mobilizar o tecido nervoso. Caso isso não seja feito, é possível que ocorra uma interferência no processo de reabilitação do paciente.

E então, o que achou do texto? Comente abaixo! 

Referências Bibliográficas

BOWSHER, D. Introduction to the anatomy and physiology of the nervous system. 5th. Edn. Oxford: Blackwell, 1988.

BUTLER, D.S. Mobilização do sistema nervoso. São Paulo: Manole, 2003.

CORDAIN, L. et al. Physical Activity, Energy Expenditure and Fitness: An Evolutionary Perspective. Int. J. Sports Med., v.19, p. 328-335, 1998.       

FERNANDES, R. de C. P.; CARVALHO, F. M. Doença do Disco Intervertebral em Trabalhadores da Perfuração do Petróleo. Caderno de Saúde Pública. Rio de Janeiro, v.16, n.3, p.115/126, 1994.

JUNIOR, H.F.de O.; TEIXEIRA, A.H. Mobilização do sistema nervoso – avaliação e tratamento. Fisioter. Mov. 2007; 20(3); 41-53.

KAPANDJI, I.A. Fisiologia Articular – Esquemas Comentados de Mecânica Humana.  v. 1,2,3. São Paulo: Manole, 1987.

MACHADO, G.F; BIGOLIN, SE. Estudo comparativo de casos entre a mobilização neural e um programa de alongamento muscular em lombálgicos crônicos.  Fisioter. Mov, 2010; 23(4); 545-54.

ORTIZ, J.; ABREU, A.D. Tratamento Cirúrgico das Hérnias Discais Lombares em Regime Ambulatorial. Rev. Bras. Ortop. v.14, n.11/12, p.115-116, 2000.

SPANGFORT, E.V. The lumbar disc herniation. A computer-aided analysis of 2504 operations. Acta Orthop. Scand Suppl., v.142: n.1-95, 1972.

VASCONCELOS, D.de A., et. al. Avaliação da mobilização neural sobre o ganho de amplitude de movimento. Fisioter. Mov. 2011; 24(4); 665-72.

VIALLE, L. R. et al. Hérnia discal lombar. Rev. Bras. Ortop. v. 45 n.1, 2010.