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De acordo com o que conversamos no artigo anterior sobre a Mobilização Neural e o método Pilates, sabemos que este foi inicialmente utilizado por profissionais de Educação Física. Os fisioterapeutas, por sua vez, aliaram-se ao Método posteriormente.

Ainda, também temos o conhecimento de que originalmente o Pilates não se utilizava de bolas, atuando somente com o solo e aparelhos similares aos que existem em estúdios atualmente, de acordo com Cruz (2013).

Apesar disso, evoluir um método não significa perder sua essência; trata-se apenas de um novo olhar. É como visitar o modo antigo e significa-lo novamente no presente.

Nesse contexto, sabemos que o Pilates pode ser muito útil como auxílio em uma série de tratamentos fisioterapêuticos. Apesar disso, existem alguns casos nos quais ele é contraindicado ou, ainda, se faz necessária a realização de sessões de Mobilização Neural pré Pilates. Quer entender como isso funciona? Então continue lendo!

Os objetivos do método Pilates

O que sempre diferenciou o método Pilates dos exercícios convencionais é justamente a consciência do movimento: o paciente não pode perdê-la. Por isso, é comum que ele nem consiga conversar durante a prática, tamanha concentração exigida. Esta é a filosofia do método segundo Joseph Pilates: utilizar corpo e mente de forma conjunta (CRUZ, 2013).

Assim, ele se trata de obter o controle consciente de todos os movimentos do corpo. Os exercícios não são realizados com rapidez, mas sim com fluidez, “empilhando” vértebra por vértebra (CRUZ, 2013).

Como diz o autor do método, Joseph Pilates, “o equilíbrio perfeito entre o corpo e a mente é aquela qualidade do homem civilizado que lhe confere não só a sua superioridade sobre o reino selvagem e animal, como também todos os poderes físicos e mentais que são indispensáveis para a meta da humanidade de viver com saúde e felicidade”.

Dessa forma, temos que o correto da prática do método Pilates é trabalhar para aumentar a flexibilidade corporal. Assim, ele ajuda da seguinte maneira:

  • Deixa o movimento mais leve;
  • Diminui os riscos de lesões;
  • Diminui as dores no corpo como um todo;
  • Aumenta a força muscular;
  • Aumenta o equilíbrio, a postura e a coordenação motora (CRUZ, 2013).

Ainda nesse sentido, sabemos que o importante é trabalhar sempre dentro dos limites físicos do aluno. Para isso, deve-se construir o movimento a partir do centramento, ou seja, de dentro para fora. Isso deve ser realizado mantendo o padrão correto da respiração, sentindo o corpo e sem tensionar nenhum músculo na realização dos movimentos (CRUZ, 2013).

No início, o método deve ser realizado duas vezes por semana durante 20 a 60 minutos, de acordo com ISACOWITZ e CLIPPINGER (2013). O objetivo inicial é a estabilização. Posteriormente passa-se para o treinamento do movimento. Isto quer dizer que os exercícios iniciais são isométricos e com o passar do tempo tornam-se concêntricos e excêntricos. 

Nesse contexto, é claro que também existem alguns cuidados que devem ser tomados antes e durante a prática do método. Além disso, com o tempo e a prática nos tornamos cada vez melhores. Continue lendo para descobrir como isso acontece.

Os cuidados e a evolução na prática do Pilates

Conforme dito anteriormente, é essencial que tenhamos cuidado com a saúde e segurança de nossos alunos sempre. Por isso, deve-se observar todas as compensações musculares do aluno, tendo cuidado para que ele não tenha um mau posicionamento articular. Os aparelhos e acessórios, por sua vez, podem ser utilizados para potencializar a força, uma vez que fecham as cadeias musculares (CRUZ, 2013).

O Pilates trata-se da concentração da mente na realização do exercício, ou seja, usar a sua mente para reeducar o corpo. É a conexão corpo mente, necessária principalmente no início do aprendizado do método. 

Por isso, é preciso ter a intenção de fazer certo o exercício do começo ao fim. Isto é chamado na fisioterapia de consciência corporal ou trabalho proprioceptivo. Popularmente, é o dito “sentir o movimento (CRUZ, 2013).

Para qualquer movimento é necessário um nível de consciência corporal que auxilie na correção do movimento. Esta habilidade é desenvolvida em todos os aspectos e dentro das sequências evolutivas de exercícios. Nesse sentido, o controle do movimento se dá pela manutenção da postura na posição neutra, pelo uso correto dos músculos estabilizadores da coluna e pelo alinhamento corporal correto (CRUZ, 2013).

É imprescindível a habilidade de se mover por meio da ativação dos músculos corretos. Os movimentos não são banais e não devem ser malfeitos. Começamos o processo sendo, em relação aos nossos movimentos, inconscientes e incompetentes. Então, nos tornamos conscientes e incompetentes para, posteriormente, chegarmos à meta de sermos conscientes e competentes (CRUZ, 2013).

Os efeitos da prática do Pilates

Durante o processo da prática do método, o que ocorre é o fortalecimento e a estabilização dos músculos mais profundos aos mais superficiais. É preciso desenvolver a habilidade de manter em níveis baixos a ativação dos músculos estabilizadores de ação tônica. Para isso, todos os exercícios devem ocorrer a partir de um centro estável e mediante a correta ativação do centro de força (CRUZ, 2013).

Nesse contexto, um ponto importante é a respiração. Apesar de ser uma atividade automática, focar nela promove atenção. Por isso, no método Pilates é ensinado a respirar expandindo a caixa torácica, com um movimento completo das costelas e manutenção da conexão entre o assoalho pélvico e o diafragma. A respiração diafragmática sempre é utilizada e todos os exercícios se iniciam com ela (CRUZ, 2013).

O movimento precisa ser aprendido, e é através da repetição que alcançamos este objetivo e conseguimos alcançar a progressão do exercício. A qualidade do movimento, por sua vez, está intimamente ligada ao controle respiratório e corporal. O movimento deve ser contínuo e suave; não existe exercício ruim, o que existe é um exercício mal feito (CRUZ, 2013).

Assim como é importante aumentar a força, no método Pilates o objetivo também é melhorar o alongamento do praticante. A mobilidade e a flexibilidade são conquistadas também nos exercícios, e o bom alongamento permite aumentar a força devido o torque muscular (CRUZ, 2013).

É neste instante que outras técnicas acabam por conversar com o método Pilates, formando uma aliança saudável e construtiva para a reabilitação do paciente. E para se ter um bom alongamento é imprescindível ter mobilidade neural.

Mas será que o ideal para o tratamento do paciente é de cara o Pilates? Em alguns casos, é preciso realizar um processo de Mobilização Neural pré Pilates. Descubra como e porquê isso ocorre. 

Mobilização Neural pré Pilates: por que ela acontece?

A ocorrência da Mobilização Neural pré Pilates é uma forma de zelar ainda mais pela saúde do seu paciente. Para que consigamos reabilitar o paciente com este olhar, é preciso conhecer a união entre a anatomia e a fisiologia do sistema nervoso, algo que denominamos de “neurodinâmica”, bem como cita VASCONCELOS et. al. (2011).

Quando o sistema nervoso perde seu neuro dinamismo, temos o que denominamos de Tensão Neural Adversa (TNA). Isso significa que o sistema nervoso perdeu sua amplitude de movimento e restringiu o alongamento (BUTLER, 2003).

Sabemos, através da evolução da neurociência, que certas lesões podem ser provocadas por uma postura na qual há contração muscular e que é realizada de forma repetitiva. Dessa forma, o mecanismo desta mínima lesão neural pode vir de interfaces musculares que geram disfunções (BUTLER, 2003).

A premissa de um trabalho clínico é conhecer a patologia e a fisiopatologia da lesão do paciente e observar qual a contribuição da postura neste processo, correto? Assim, caso o paciente tenha dor, precisamos investigar a fundo qual o tipo de dor é aquela.

Quando o paciente indica a dor, é comum que isso seja causado devido a uma imobilidade neural. Essa disfunção, porém, pode se agravar com a prática do método Pilates. Aí entra em cena a Mobilização Neural pré Pilates: ela é uma forma de preparar o corpo da pessoa e garantir que possíveis lesões não se agravem.

Mas, antes, pensemos em 10 pontos cruciais para a compreensão das causas da dor prévia:

  1. Qual a queixa principal do paciente?
  2. Esta lesão agrava-se por conta da postura?
  3. Isto se associa às atividades de vida diária ou profissionais do paciente?
  4. Quais as orientações diárias que este paciente deve receber?
  5. Existe dor?
  6. Qual o tipo de dor que estamos identificando?
  7. Como o método Pilates pode auxiliar no tratamento deste paciente? 
  8. Qual trabalho muscular deve ser enfatizado?
  9. Como estão os músculos do centramento?
  10. Quais posturas devem ser evitadas?

Tendo em mãos as respostas dessas questões, torna-se possível elaborar um programa de tratamento individualizado e determinar se é adequada a realização da Mobilização Neural pré Pilates.

Mobilização Neural pré Pilates: quando ela entra em cena?

É claro que é possível que o paciente precise mesmo fazer Pilates. Apesar disso, talvez outro recurso – como a Mobilização Neural pré Pilates – seja necessário antes de começar o tratamento com o método em si. 

A Mobilização Neural é conceituada como uma técnica que restaura a mobilidade e elasticidade intrínseca do sistema nervoso, permitindo que ele recupere a biomecânica neural. (BUTLER, 2003).

Dessa maneira, é fundamental compreender que o alongamento muscular pode ser prejudicado pela falta de mobilidade neural. Isto pode gerar dor, que se manifesta com as famosas crises neurais, encontradas principalmente em pacientes com hérnia de disco e protrusão (BUTLER, 2003).

Nesse sentido, devemos nos atentar ao tipo de dor que o indivíduo sente e avaliar qual recurso analgésico iremos recomendar: Mobilização Neural, eletroterapia, massoterapia ou outro.

Nesse momento, atente-se somente à dor neural, porque é contraindicado realizar o método Pilates ou qualquer prática de cinesioterapia neste tipo de dor. Nestes casos, indique a um fisioterapeuta que realize Mobilização Neural pré Pilates.

Segue abaixo uma lista com alguns sinais clínicos que demonstram que o paciente pode ter esta disfunção neural:

  • Ela pode acometer indivíduos de qualquer idade;
  • A dor espalha-se pelo corpo, ou seja, nunca tem local fixo;
  • A dor pode acompanhar o trajeto neural e piora durante a madrugada;
  • Implicações motoras são encontradas somente caso a lesão seja muito severa;
  • Ela apresenta-se na forma de queimação ou parestesia;
  • Pode ser acompanhada da sensação de coceira, cefaleia crônica e tensão cervical crônica;
  • Tem períodos calmos e está relacionada com o estresse;
  • Presença de palpitação e sensação de calafrios;
  • Quadros de distúrbios do sono;
  • Distúrbios gástricos como sensação de má digestão, náuseas, prisão de ventre ou diarreia;
  • Pode deixar o indivíduo hipocondríaco;
  • Sintomas de pânico e irritabilidade.

Vale a pena salientar, ainda, que o estresse agrava as dores crônicas e, especificamente, aumenta as dores de pacientes com Síndrome Meníngea Adversa, potencializando todas as crises neurais (BUTLER, 2003).

Conclusão

Os pacientes na condição que tratamos jamais realizarão uma sessão de Pilates devido ao quadro de dor. Apesar disso, quando a crise cessa podemos fazer uso da Mobilização Neural pré Pilates e realizar exercícios deste através de movimentos da Mobilização Neural. 

Para estes pacientes, o mais indicado são exercícios de liberação neural como forma de aquecimento para a prática do método Pilates. Nesses casos, nunca se esqueça de que o quadro de dor neural desaparece, porém a propensão à lesão sempre existirá – principalmente associada a quadros de estresse, tal como já relatamos anteriormente.

Portanto, existem algumas contraindicações ao método Pilates que devem ser levadas em conta para que sua prática não seja prejudicial. Todos os exercícios são possíveis, porém devem ser feitos com cuidado e com as devidas correções. Ainda, é essencial sempre realizar uma preparação prévia, tal como afirma CALAIS- GERMAIN (2012). Esta, como pudemos perceber, pode acontecer por meio da Mobilização Neural pré Pilates. 

E então, o que achou deste artigo? Comente abaixo!

Referências

BUTLER, D.S. Mobilização do sistema nervoso. São Paulo: Manole, 2003.

CALAIS-GERMAIN, B. Pilates sem riscos: os riscos mais comuns e como evita-los. São Paulo: Manole, 2012.

CRUZ, T. M. F. Método Pilates – Uma Nova abordagem. 1. ed. SP: Phorte, 2013.=

ISACOWITZ, R. & CLIPPINGER, K. Anatomia do Pilates. 1. Ed. Barueri, SP: Manole, 2013.

VASCONCELOS, D.de A., et. al. Avaliação da mobilização neural sobre o ganho de amplitude de movimento. Fisioter. Mov. 2011; 24(4); 665-72.