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A dança é uma modalidade esportiva e cultural que pode ser praticada desde a infância, desde que bem orientada por profissionais capacitados. Para se tornar um grande profissional, o bailarino deve começar conhecendo seu corpo através de uma boa base de aula, que deve ser bem sólida e fundamentada.

Esse é um aspecto muito importante para que se possam evitar casos de lesões em bailarinos, algo infelizmente muito comum. Por isso, vamos entender neste artigo como estão relacionados os quadros de lesões em bailarinos que envolvem a frouxidão ligamentar e lesão neural. Vamos lá?

O surgimento das lesões em bailarinos

A dança regrada não é arte, mas sim uma performance – algo que em nada enriquece em uma formação. Dançar intensamente traz abertura a novas oportunidades e compreensão do fato de que podemos somar alguns passos novos aos primeiros sem desconstruir a ritmicidade do movimento. Esta certeza todos os bailarinos têm.

Em busca de uma apresentação exemplar, essas pessoas intensificam seus treinos, operam seus corpos em overuse e acabam por surgir lesões em bailarinos. Como cita Alli e Navarro (2004), isto é reforçado por profissionais de renome que ainda pensam que ciência e arte precisam andar em direções opostas.

Essa forma de arte é capaz de expressar as mais diferentes formas humanas vinculadas ao seu conteúdo estético e emocional, e o investimento de tempo de profissionais da saúde em compreender os mecanismos de lesões em bailarinos (como a frouxidão ligamentar) torna sua prática cada vez mais profissional. (ALI & NAVARRO, 2004).

Compreender o mecanismo e as causas de lesões em bailarinos, bem como identificar as exigências físicas necessárias e atribuí-las em sua preparação física, deveria ser exigência mínima em qualquer escola de dança. É preciso saber se o indivíduo tem aptidão para tal atividade ou se isto seria exigir demais de sua estrutura corporal. (ALI & NAVARRO, 2004).

Fatores fundamentais para o desempenho do bailarino

A força, a flexibilidade, a resistência física, a ritmicidade e a coordenação são fatores chaves na gestão do bom desempenho no gesto esportivo da dança. Em verdade, segundo Alli e Navarro (2004), a mobilidade articular e a flexibilidade são fatores determinantes neste processo – e, consequentemente, na prevenção de lesões em bailarinos.

Conforme Weineck (1999), a flexibilidade é a capacidade que um atleta tem de executar movimentos grandiosos. Nesse contexto, se torna notória a exagerada amplitude e mobilidade articular.

Alguns termos se referem à mesma discussão, tais como “articularidade” e “elasticidade”. O bailarino tem o potencial de fazer isso mesmo envolvendo mais de uma articulação, o que o torna apto a se dedicar a esta arte.

O aumento dessa flexibilidade é uma exigência de treino, porque quanto mais o bailarino aumenta sua flexibilidade, mais amplo ficam os movimentos e a plasticidade corporal pode ser melhor desenvolvida em cena. (WEINECK, 1999).

Sabemos que, no caso de bailarinos, é muito comum encontrarmos casos de hipermobilidade exagerada. Tal quadro pode ser adquirido pelo treino ou ser uma característica genética do mesmo.

Isto pode parecer benéfico no primeiro instante, uma vez que a boa performance depende desta mobilidade. Apesar disso, muitos casos de lesões em bailarinos, como casos de frouxidão ligamentar, também ocorrem devido a esse excesso de amplitude. (WEINECK, 1999).

Os efeitos da hipermobilidade

Entre as lesões por hipermobilidade temos:

  • O risco aumentado de traumas articulares;
  • Maior chance de deslocamentos e subluxações repetitivas (que podem virar cirúrgicas);
  • Desenvolvimento de artroses prematuras.

Sendo assim, o excesso de amplitude articular pode favorecer ou desfavorecer o bailarino – o que dependerá do grau da hipermobilidade e da força muscular estabilizadora. (WEINECK, 1999).

A hiperflexibilidade genética, situação na qual o indivíduo possui uma elasticidade excessiva dos tendões e ligamentos, aumenta o risco de lesões em bailarinos e impede seu desenvolvimento artístico. (ALI & NAVARRO, 2004).

Em pessoas sedentárias (que não praticam nenhum tipo de atividade física), sabemos que disfunções musculoesqueléticas ou articulares são as causas mais comuns de dificuldade na mobilidade corporal. (VASCONCELOS, et al. 2011).

Tais disfunções impedem a perfeita execução do movimento e restringem o indivíduo até mesmo da realização de diversas atividades da vida diária. Em verdade, é compreendido que o excesso e a limitação podem gerar lesões articulares extremamente dolorosas (VASCONCELOS, et al. 2011).

O desenvolvimento das lesões em bailarinos

Dentro desta visão, imagine agora as lesões que a hipermobilidade pode gerar em um bailarino – principalmente em sua coluna vertebral. Bailarinos, ginastas e atletas, ao contrário de pessoas sedentárias, possuem movimentos que excedem em complexidade. Por terem um trato tecidual contínuo, os movimentos dos membros geram interferência e consequências mecânicas nos troncos nervosos e neuroeixo. (BOWSHER, 1988).

Obviamente, o trato tecidual tem uma capacidade de limitar-se aos movimentos. Nossa biomecânica não permite que nosso sistema nervoso se adapte a todo e qualquer movimento. Apesar disso, é justamente aqui que se iniciam muitas disfunções conhecidas como disfunções neurais ou Tensão Neural Adversa, como veremos abaixo (BUTLER, 2003).

A Tensão Neural Adversa

Quando o sistema nervoso perde seu neurodinamismo e tem sua biomecânica comprometida, temos o que denominamos de Tensão Neural Adversa (TNA). Isso significa que o sistema nervoso perdeu sua amplitude de movimento e restringiu seu alongamento

Isto mesmo: o sistema nervoso tem uma capacidade de alongar-se. Ainda, sua continuidade ao longo do corpo humano se dá não somente de forma eletroquímica, mas também de forma mecânica, tal como nos ensina Butler, 2003.

Para atuar com esta abordagem de tratamento, precisaremos estudar a anatomia, a fisiologia e a mecânica do sistema nervoso de forma interligada, o chamado Princípio da Continuidade (BUTLER, 2003).

Podemos dizer que a Tensão Neural Adversa se mostra na forma de respostas fisiológicas e mecânicas anormais do sistema nervoso frente a uma tensão ou compressão sofrida em sua estrutura, especificamente quando este fica com sua capacidade de mobilidade restringida (JUNIOR E TEIXEIRA, 2007).

Sabemos, através da evolução da neurociência, que estas lesões podem ser provocadas por má postura, que é uma contração muscular realizada de forma repetitiva. Isso significa que o mecanismo desta mínima lesão neural pode vir de interfaces próximas – até mesmo um edema pode gerar disfunções (BUTLER, 2003).

A influência do sistema nervoso nas lesões em bailarinos

A influência da parte mecânica dos nervos e sua interferência no movimento humano não é aprofundada nas escolas de fisioterapia. Os conceitos não são amarrados, e uma prática deficitária sobre o assunto dificulta a verdadeira reabilitação do paciente. Aliado a isto, temos a deficiência de pesquisas na área e a eterna forma de se protocolar atendimentos – que imagina que receitas prontas resolvem todos os casos.

Compreenda que, independente do sistema articular e muscular estarem afetados em uma disfunção, de forma direta ou indireta o sistema nervoso estará envolvido. Fica, ainda, a ressalva de que por muitas vezes este sistema não é levado em conta nem na avaliação, nem no tratamento do paciente, tal como nos apresenta Butler, 2003.

Perceba que os bailarinos, então, por se excederem em mobilidade e terem a exigência de realizar treinos de exaustão em busca dela, podem desenvolver a Tensão Neural Adversa. Isso pode ocasionar um quadro de dor intenso, o que com certeza é agravado caso ele possua um quadro de hipermobilidade articular. Este quadro, por sua vez, pode ser adquirido ou ou ter origem genética, conforme já foi descrito.

O que acontece na prática?

Nesse contexto, compreenda que tensões sobre o Sistema Nervoso Periférico (SNP) podem ser transmitidas ao Sistema Nervoso Central (SNC) e vice-versa. A função do sistema nervoso é sustentada por uma estrutura anatômica que conduz via ascendente e descendente todas as informações através dos nervos periféricos, que por sua vez se acomodam durante a movimentação do corpo.

Portanto, o sistema nervoso central e periférico são contínuos: estímulos ascendentes se transformam em respostas eferentes. Apesar disso, a ligação entre os dois também se dá devido um trato tecidual contínuo que os unifica.

Esta verdade anatômica pouco divulgada (e atualmente considerada pelos clínicos) nos leva a perceber que disfunções biomecânicas no sistema nervoso podem ser sentidas em diversas partes do corpo (JUNIOR E TEIXEIRA, 2007).

É muito difícil encontrarmos alguma estrutura com este grau de complexidade. Podemos considerar que uma entorse no pé, tão recorrente em bailarinos, estire a inervação e possa causar dor em qualquer parte do sistema, já que a tensão pode ser transmitida do sistema periférico ao central e vice-versa. (BUTLER, 2003).

Mobilização Neural: uma opção para lesões em bailarinos

Nesse contexto, podemos tratar a Tensão Neural Adversa causada pelo excesso de mobilidade através da técnica de Mobilização Neural. Ela é capaz de restaurar a mobilidade e elasticidade intrínseca neural, permitindo que o sistema recupere sua mecanicidade própria – pois bem sabemos a consequência de sua restrição (JUNIOR E TEIXEIRA, 2007).

O fisioterapeuta bem preparado já realiza uma anamnese criteriosa sempre. Nesse caso, o que lhe será orientado acrescentar nesta análise serão testes de tensão do sistema nervoso, que apontam inclusive os possíveis trajetos nervosos comprometidos.

Além disso, seria indicado observar testes que avaliassem a condução nervosa. Apesar disso, sabemos que muitos pacientes não são adeptos para exames de eletrodiagnóstico, bem como cita Butler (2003). 

As contraindicações ao método se dão quando a patologia tem um início muito recente, estando com um grau de dor extremamente agudo e sinais neurológicos instáveis, pois isto exige primeiramente uma avaliação médica (BUTLER, 2003).

Para iniciar o tratamento é importante saber interpretar os testes de avaliação e comparar com os sintomas sentidos pelo paciente. Devemos saber comparar as diferentes amplitudes de movimento nos testes, observar a resistência encontrada em cada teste e sempre comparar de forma contralateral (BUTLER, 2003).

Conclusão

De acordo com o que foi abordado neste artigo, percebemos que urge a necessidade de uma nova visão dos fisioterapeutas frente ao comprometimento do sistema nervosos nas lesões em bailarinos, bem como uma nova postura na avaliação e tratamento das disfunções musculoesqueléticas (BUTLER, 2003).

A intensa exigência física pode ter uma série de consequências para os bailarinos, sendo de extrema importância zelar pelo bem estar físico dos mesmos. Caso tenha ficado com alguma dúvida, comente abaixo.

Referências Bibliográficas

ALLI, L.R.; NAVARRO, F. A relação da hipermobilidade músculo articular de bailarinos e o risco de lesão. Revista Brasileira de Ciências da Saúde, ano II, n.4 jul/dez 2004.

BUTLER, D.S. Mobilização do sistema nervoso. São Paulo: Manole, 2003.

JUNIOR, H.F.de O.; TEIXEIRA, A.H. Mobilização do sistema nervoso – avaliação e tratamento. Fisioter. Mov. 2007; 20(3); 41-53.

VASCONCELOS, D.de A., et. al. Avaliação da mobilização neural sobre o ganho de amplitude de movimento. Fisioter. Mov. 2011; 24(4); 665-72.

WEINECK, J. Treinamento de flexibilidade. Treinamento ideal. 9.ed. p. 470-512. São Paulo: Manole, 1999.