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Correr é hoje uma das modalidades esportivas mais praticadas em todo o mundo tanto por homens quanto por mulheres. A prática regular da corrida traz ao indivíduos vários benefícios, sendo o principal a quebra do ciclo vicioso do sedentarismo.

Sabe-se que o sedentarismo compromete principalmente a saúde cardiovascular, podendo levar o indivíduo a desenvolver doenças como Hipertensão Arterial, Diabetes Mellitus, obesidade, entre outros. Além dos benefícios cardiovasculares gerados, a prática regular do esporte ainda traz a sensação de bem-estar psicológico e físico (quando feita de forma adequada), ajudando no combate à ansiedade e depressão.

Entretanto, os praticantes desse esporte sejam profissionais ou amadores correm o risco de se depararem com o maior fantasma de qualquer atleta: o fantasma das lesões.

Nossa conversa hoje, então, abordará uma das principais lesões que acomete os corredores: a Síndrome do Estresse do Tibial Medial.

Anatomia

Músculos do compartimento anterior da perna

  • Tibial anterior: dorsiflexão e inversão do pé;
  • Extensor longo do hálux: dorsiflexão e extensão do hálux;
  • Extensor longo dos dedos: dorsiflexão do pé, eversão do pé e extensão dos 4 dedos laterais;
  • Fibular terceiro: extensão dos dedos, eversão do pé e dorsiflexão.

Músculos do compartimento lateral da perna

  • Fibular longo: eversão do pé e flexão plantar;
  • Fibular curto: eversão e flexão plantar do pé.

Músculos do compartimento posterior da perna

Camada superficial

  • Gastrocnêmios: flexão plantar e flexão dos joelhos;
  • Sóleo: flexão plantar;
  • Plantar: flexão plantar e flexão da perna.

Camada profunda

  • Poplíteo: flexão da perna e rotação lateral do fêmur;
  • Flexor longo dos dedos;
  • Flexor longo do hálux: flexão das falanges distais e flexão de tornozelo;
  • Tibial posterior: inversão do pé e flexão plantar.

Definição da Síndrome do Estresse Tibial Medial

Definição da Síndrome do Estresse Tibial Medial

A Síndrome do Estresse Tibial Medial é popularmente conhecida como canelite e é uma das maiores causas de abandono do esporte entre os corredores, principalmente entre os corredores de média e longas distâncias e naqueles corredores que correm em superfícies mais duras ou que não apresentam mecanismos de amortecimentos adequados. É uma síndrome geralmente associada à sobrecarga.

Quadro Clínico da Síndrome do Estresse TIbial Medial

A Síndrome do Estresse Tibial Medial tem características bem peculiares. Por isso, a realização de uma boa avaliação ajuda o fisioterapeuta a identificar os sinais da síndrome e paralelo a isso, a desenvolver o melhor plano de tratamento para o corredor.

 A dor geralmente apresenta-se na parte medial da tíbia.

No momento do exame físico, durante a palpação da região, o paciente relata dor ao longo de um trajeto de 5 cm em média. A dor tem característica de “queimação” e ocorre concomitante a isso um aumento da sensibilidade na região medial da perna.

Durante a anamnese, o paciente relata que tanto a dor quanto a sensação de queimação aumentam durante a corrida, tendo muitas vezes que parar de correr devido ao quadro álgico. Além disso, também há relatos de que as pernas “travam” e “cansam”.

A única forma que alivia a dor é parar de correr. Entretanto, mesmo com uma pausa na corrida e a diminuição da dor, se o corredor insistir mesmo depois que a dor parar, o quadro álgico geralmente volta mais intenso, forçando o atleta a interromper o treino/prova.

Na fase inicial da lesão, geralmente a dor é pior no início do exercício melhorando gradualmente durante o treino/prova da corrida e cessando por completo após o término do esporte. Isso ocorre porque o corpo começa a se aquecer durante o exercício, ocasionando um aumento da circulação do sangue principalmente nos membros inferiores.

Entretanto, na fase mais avançada da lesão, a dor ocorre até mesmo em repouso, incapacitando o atleta a praticar a corrida e prejudicando até mesmo as atividades de vida diárias.

Etiologia

Atualmente há uma linha de pensamento que acredita que há várias lesões que incluem a Síndrome do Estresse Tibial Medial, destacando-se:

  • Tendinopatia (principalmente a tendinite do tendão do tibial posterior que é uma lesão que pode ser causada pelo esforço (overtraining e overuse) e degeneração do tendão por conta de uma inflamação aguda);
  • Periostite (processo inflamatório do periósteo, uma camada de tecido conjuntivo, como se fosse uma malha, que envolve os ossos inteiros);
  • Reação de estresse da tíbia, sendo a fratura de estresse da tíbia, a complicação mais comum desse tipo de sobrecarga.

Dentre as causas mais comuns da Síndrome do Estresse Tibial Medial encontram-se:

  • Aumento súbito e desproporcional do volume de treino (frequência, intensidade, duração e velocidade da corrida) sem o adequado reforço muscular, principalmente dos membros inferiores;
  • Lesões prévias dos membros inferiores;
  • Distâncias de corrida superiores a 32 km por semana;
  • Peso corporal inadequado;
  • Passadas longas;
  • Calçados inadequados;
  • Superfícies de treino inadequadas (terrenos mais rígidos e íngremes);
  • Variações na inserção muscular (alterações anatômicas);
  • Inadequado preparo físico geral.

Reabilitação da Síndrome do Estresse Tibial Medial

Reabilitação da Síndrome do Estresse Tibial Medial

O tratamento deve sempre ser individualizado, coerente com a avaliação realizada para que o fisioterapeuta possa entender o mecanismo de lesão, os fatores extrínsecos e intrínsecos que influenciam o quadro, observar a intensidade e frequência da dor e conhecer o grau de lesão e o tamanho do comprometimento do atleta, para poder traçar o melhor plano de tratamento para aquela pessoa específica.

Após o diagnóstico, a primeira medida terapêutica é o repouso de 2 a 6 semanas a depender da gravidade da lesão, associado à fisioterapia. Nos casos mais leves, aplica-se a redução da atividade, ou seja, se o atleta fazia a corrida de rua com uma frequência de 3 a 4 vezes por semana, reduzir para 1 ou 2 dias com intensidade e velocidade menores do que antes praticadas. Mas se mesmo com essa redução, as dores permanecerem, a prática do esporte deve ser suspensa temporariamente.

Outras recomendações importantes visam evitar correr em terrenos com aclive e terrenos rígidos, aquecer o corpo antes da corrida, como uma caminhada de 5 a 10 minutos, ou com exercícios específicos para aquecimento da corrida. Isso faz com que o corpo se aqueça antes de ser exigido intensamente na corrida.

Além disso, recursos como liberação miofascial dos compartimentos da perna, trabalho de mobilização articular, principalmente dos tornozelos, exercícios de flexibilidade e força muscular são excelentes para o processo de reabilitação. Mas lembrem-se, só fazemos intervenções que são necessárias naquele paciente. Por isso a importância da avaliação! Se seu paciente precisa de trabalho de flexibilidade de compartimento posterior, por exemplo, faça-o! Mas se ele não precisa de flexibilidade, mas necessita de fortalecimento, fortaleça ao invés de alongar. Tudo depende da avaliação individual do paciente!

 

 

Referência

de Carvalho, A. N., & Nero, D. D. S. M. (2020). LESÕES EM CORREDORES DE RUA AMADORES: SÍNDROME DA TÍBIA MEDIAL–A CANELITE. Aptidão física e saúde: exercício físico, saúde e fatores associados a lesões, 77.