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Olá, pessoal! Luiz Dib aqui, sou Mestre em Educação Física prestes a concluir meu Doutorado e me apresento assim para esclarecer que minha atuação profissional extrapolou o conhecimento acerca das técnicas de treinamento, periodização, populações especiais, etc.

Nesta matéria nós vamos conhecer um pouco mais sobre o mindset para manter saúde e condicionamento caminhando juntos, dando mais qualidade de vida aos nossos pacientes e alunos. Continue lendo!

Aspectos emocionais

Desde a graduação me ocupo em compreender aspectos emocionais relacionados ao exercício. Como assim?

Sim, todos temos uma “emoção” para qualquer coisa que fazemos em nossa vida e a relação emocional que, em geral, as pessoas têm com o exercício é o principal fator de explicação do alto número de sedentários ao redor do mundo (mais da metade da população).

Portanto, a Educação Física precisa começar a olhar para o fenômeno “atividade física” e “exercício”, primeiro, como um comportamento e não apenas como um meio para alcançar um objetivo, seja ele relacionado à saúde e condicionamento, estética ou desempenho. Segundo, como algo que gera emoção (segundo a neurociência, emoção é definida como uma alteração fisiológica que pode ou não ser percebida conscientemente).

Vamos lá, para tudo… TUDO, temos uma fisiologia (rede neural, neurotransmissores e hormônios) específica para cada evento que ocorre em nosso dia a dia. Por exemplo, quando você vê uma pessoa que você não gosta, seu organismo, independentemente da sua vontade, libera neurotransmissores e hormônios que fazem você se sentir de um modo específico em relação àquela pessoa. O mesmo vale para pessoas ou coisas que você gosta.

Em relação ao exercício, a vasta maioria tem uma relação emocional negativa, o que explica porque a maioria das pessoas sabe e é consciente da importância do exercício, mas continua sedentária. Existe uma diferença entre ser conscientizado para algo e ser sensibilizado para algo.

Esse é o ponto fundamental, não adianta mais conscientizar. Todos já sabem que o exercício é importante, não adianta tentar convencer um cliente de que, apesar dele não gostar (relação emocional), vai ser bom para ele, possibilitando que ele ganhe massa muscular, reduza gordura, melhore a saúde e condicionamento, autoestima.

Tudo isso é bem recebido pelo consciente, mas esbarra no consciente, o inconsciente processa as informações de um jeito completamente diferente do consciente.

Para entender bem isso, reflita: quantos clientes já começaram e desistiram? Quantas vezes você já iniciou um treinamento e desistiu? Provavelmente você sabe de um cardiologista que fuma, um nutricionista que não faz dieta… Mais uma vez ser consciente NÃO basta.

Sobre o inconsciente, ele é capaz de processar uma quantidade de dados tão absurda que o maior supercomputador do mundo leva 40 minutos para processar 1% da informação que nosso encéfalo processa em 1 segundo.

Seu inconsciente está no momento presente o tempo todo, controlando sua pressão arterial, sua frequência cardíaca, estímulos de fome e sede, as musculaturas necessárias para permanecer em pé ou sentado.

Quando algo está diferente no ambiente, antes de você perceber conscientemente algo que possa te ameaçar, o inconsciente já está preparando sua fisiologia para lutar ou fugir. O que isso tem a ver? Quando seu cliente começa a treinar e no outro dia sente toda aquela dor tardia que muitas vezes o acompanha por uma, duas semanas, conscientemente ele entende que “tudo bem, é assim mesmo, vai passar, depois que condicionar não vou sentir mais tanta dor assim”, porém o inconsciente já registrou todos os afetos negativos daquela ação. Ao registrar esse afeto, nosso inconsciente vai formando uma fisiologia específica para esse comportamento e essa fisiologia não é motivadora, pelo contrário ela leva à procrastinação.

Esse afeto negativo em relação ao exercício ocorre porque, para o inconsciente, o exercício é contra intuitivo, para o inconsciente, sair correndo, saltar, escalar, só tem sentido se você precisa sobreviver através desse esforço físico. Há milhões de anos atrás, se você não corresse, seria devorado, se não caminhasse de 20 a 30 km por dia, não encontraria comida ou abrigo, eram ameaças agudas, iminentes.

Acontece que hoje temos um teto sobre nossa cabeça, comida farta e nosso inconsciente não percebe o ambiente como uma ameaça. E como ele é especialista em estar no momento presente, não consegue dimensionar o problema crônico relacionado ao sedentarismo.

Agora faz sentido, né? Portanto, quando ele calcula que você tem tudo o que precisa para sobreviver ele não envia a fisiologia que vai te motivar a se exercitar e mais, quando você pensa em exercício, a fisiologia que em geral está pronta é uma fisiologia que vai trazer para o seu consciente a percepção de que você não tem tempo, ou que está muito cansado (a). Não é você mentindo para você mesmo e para os outros, é a percepção que se forma e modula sua realidade em relação a esse comportamento.

Pode parecer que estamos em uma luta que já começa perdida, certo? Essa tem sido a realidade até o momento, pois a população é, em sua maioria, sedentária e as principais causas de morte no mundo são diretamente afetadas por esse comportamento. Porém, com os conhecimentos recentes da neurociência em relação aos afetos e comportamentos temos também novas ferramentas que não podemos negligenciar.

Questões sobre o mindset para saúde e condicionamento

Então vamos lá!

Iniciaremos uma série que vai abordar questões sobre a mentalidade adequada para manter você e seu cliente no caminho da saúde e condicionamento de modo consistente e definitivo. Todos os princípios que vou abordar são suportados pela neurociência do comportamento humano e são parte de todo o conhecimento que acumulei na formulação de minha tese de Doutorado.

Parte 1 – Porque a maioria dos programas de emagrecimento e condicionamento falham?

Quantas vezes já viu isso acontecer? Quantas pessoas conhece que pagam por pacotes de 3, 6 meses ou até um ano e não passam de algumas semanas?

À partir da perspectiva neurocientífica comportamental, isso acontece pois as pessoas depositam suas esperanças em sentimentos momentâneos, aquela empolgação que bate, “agora vai” e, em cima dessa empolgação, agem por impulso.

Essa empolgação pode surgir por vários gatilhos e isso vai variar de pessoa para pessoa. Algumas pessoas são motivadas por:

  • Inveja: um amigo (a) que começou a treinar e está tendo bons resultados;
  • Vaidade: a pessoa conhece alguém a quem quer impressionar ou simplesmente quer se sentir melhor com seu corpo, ter mais saúde e condicionamento.

Enfim, são vários os gatilhos que podem trazer essa motivação para o primeiro passo, mas é aqui que temos nossa primeira questão a ser pontuada: esse gatilho serve muito bem para um primeiro passo, mas é só.

Quando a empolgação passa, e vai passar, tendemos a voltar aos nossos comportamentos e anseios registrados no nosso inconsciente.

Explicando melhor

Nosso encéfalo foi formatado para buscar conforto, por isso, em geral, precisamos de algo que nos motive para iniciarmos a prática de exercícios, algo que saia do padrão e que mostre para nossa fisiologia que existe vantagem em iniciar uma atividade como essa. Porém, como nosso encéfalo busca por conforto e tranquilidade, também possui um sofisticado sistema de memória baseado em afeto, ou seja, tudo o que acontece com você em todas as situações da sua vida, passam a ser registradas e esse registro vem com um conteúdo emocional atrelado.

Por exemplo, quando começa a tocar uma música no rádio e você automaticamente lembra de uma época bem específica da sua vida. O afeto atrelado à essa música foi capaz de te transportar para um momento muito específico onde você se recorda das pessoas, dos sons e cheiros daquele momento. Assim também é para nossos comportamentos, nossos hábitos.

Portanto, quando um comportamento é alterado por um momento de empolgação, ele não tem a garantia de continuidade porque o afeto (memória emocional relacionada a aquele comportamento) é diferente e continua o mesmo.

Sendo assim, a tendência é que voltemos aos antigos comportamentos antes desse novo comportamento alterar esse afeto inconsciente que temos em relação ao exercício.

Sigamos por essa cronologia:

  1.   A pessoa se faz consciente da importância do exercício, mas isso não a motiva;
  2.   Já com a consciência da importância, vê uma propaganda sobre as férias de verão que acende uma luz. Nesse momento ocorreu uma alteração da fisiologia em relação ao comportamento exercício (vamos lembrar que para cada um o gatilho emocional é diferente);
  3.   Consciência e desejo de estar bem para as férias de verão pode ser o elemento motivador e fazer com que essa pessoa queira começar imediatamente. Essa sensação de urgência é a mesma de quando acreditamos estar precisando de um determinado produto, uma peça de roupa, por exemplo. A crença de que precisamos tanto daquilo vai alimentando nosso desejo até que saímos dessa contemplação para concretizar a compra do objeto desejado. A grande diferença é que exercício não é algo que você compra, veste e sai feliz com o resultado imediato, mas a relação de desejo e urgência é a mesma
  4.   Nos primeiros dias, tudo vai bem, é empolgante, é novo (de novo) e agora parece que vai se tornar um atleta, porém, nosso imediatismo faz com que nossa atenção se volte para a constatação de que os encantos daquela “novidade” vai se esvaindo à medida que os resultados que imaginamos não estejam tão evidentes ou mais lentos do que esperávamos.
  5.   A empolgação começa a diminuir e o afeto negativo em relação ao exercício, que já existia, pode estar se reforçando ainda mais. Nesse momento é comum que as reclamações comecem a surgir: “Ah! No começo o pessoal da academia dava mais atenção e eu estava tendo resultado, agora deixam a gente solto” ou “estava indo bem, mas estou com uma dorzinha na lombar… essa semana não fui treinar”.
  6.   Desistência é o fim da empolgação somado ao reforço dos fatores que construíram os afetos negativos em relação ao exercício (dor muscular tardia excessiva, suor, “tempo perdido”, resultados que demoram, dinheiro gasto. Metade das pessoas que desistem, abandonam entre o terceiro e o quinto mês de treino.

Conclusão

Entendendo melhor os afetos que ajudam a nos fazer desistir e como saúde e condicionamento andam juntos, fica mais fácil conversarmos sobre o próximo tópico: Motivação + Determinação. Aqui vamos entender o quanto de determinação devemos ter para não “assustar” nosso inconsciente e evitar que ele nos motive a sair correndo da academia para o sofá. Até lá!