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A dor da hérnia de disco é um incômodo que impossibilita o indivíduo de realizar suas atividades cotidianas de forma plena. Muitas pacientes relatam dores insuportáveis, derivadas de hérnias discais, seja na cervical ou na lombar. Desta forma, a mobilização neural é uma alternativa de terapia manual que pode servir como tratamento da hérnia de disco e, por fim, aliviar as dores decorrentes desta condição. Portanto, hoje vamos entender melhor a fisiologia e a biomecânica do sistema nervoso; sua influência em lesões como a hérnia de disco e, por fim, como a mobilização neural pode ajudar no alívio da dor da hérnia de disco.

Os problemas no tratamento da hérnia de disco

Por quantas vezes você, fisioterapeuta, não conseguiu atingir os resultados que gostaria na reabilitação de um paciente? Por quantas vezes tentamos de tudo, mas parece que o paciente não responde ao estímulo desejado? Esse tipo de situação nos frustra enquanto profissionais. Além disso, esta é uma sensação horrível, pois nos faz sentir insuficientes no nosso próprio ofício.

Porém, saiba que este tipo de situação é muito comum quando tratamos de pacientes que sofrem com hérnia de disco. A dor da hérnia de disco é muito forte, não melhora com medicamentos e, mesmo com fisioterapia, a evolução acontece devagar. Ademais, a dor da hérnia de disco geralmente é fruto de uma vida inteira sedentária, sem cuidados posturais e, por vezes, ainda junto do agravante do excesso de peso do paciente.

Você sabia que até os serviços domésticos que realizamos diariamente podem prejudicar nossa coluna? Ao varrer a casa, lavar a louça, estender a roupa molhada também é preciso se aplicar regras de proteção articular, porém isso passa batido no dia a dia de quem cuida de casa. Ressalto aqui a importância de se compreender que não somente quem trabalha sentada ou em pé por horas é quem sofre com a disfunção da hérnia de disco, mas sim, diversas outras pessoas.

Contudo, para realizar o tratamento de hérnia de disco, você precisa compreender primeiro sobre a fisiopatologia desta doença, depois precisa saber identificar e tratar as três áreas afetadas: articular, muscular e neural.

A fisiologia da coluna vertebral

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A coluna vertebral para ser considerada funcional deve possuir curvaturas adequadas. Por exemplo, é esperado encontrarmos uma lordose cervical, cifose torácica, lordose lombar e curvatura sacral em cada pessoa. Além disto, a coluna deve apresentar um sistema de amortecimento, conferido pela integridade do disco intervertebral. Entretanto, sabemos que isto já não é um achado tão comum no consultório.

Quando o paciente tem uma vida sedentária ou adota em sua maior parte do tempo uma postura inadequada, ele tem tendência a desenvolver patologias na região da coluna. Somado a estes fatores, podemos colocar a herança genética, o sobrepeso, o estresse e o processo natural de envelhecimento como outras causas desse problema.

Quando envelhecemos, naturalmente o disco perde água, as articulações perdem seu espaço natural, as cartilagens se desgastam e o sistema muscular tende a falhar. Logo, isto se soma ao fato de que quem não pratica atividade física, perde massa magra e conquista gordura corporal. Além disso, esse conjunto de fatores pode ainda ser agravado pela associação com uma diabetes, o que piora a saúde do indivíduo.

Algumas das crises de dor da hérnia de disco são tratadas de forma medicamentosa, sem a observação clínica do fisioterapeuta, mas este é um péssimo hábito de automedicar-se. Normalmente, quando o paciente chega ao consultório para iniciar o tratamento, já existe algum comprometimento nervoso associado a disfunções musculoesqueléticas com causas agravantes ergonômicas.

Disfunções neurais e a influência na hérnia de disco

Podemos assim considerar que a hérnia de disco é uma patologia degenerativa do disco intervertebral, mas que evolui de forma silenciosa, sendo observado o real comprometimento através do exame de ressonância magnética. 

O que precisamos compreender enquanto fisioterapeutas é que diante de um quadro de hérnia de disco, teremos disfunções articulares, musculares e neurais que necessitam de tratamento. Porém, muitas vezes, as disfunções neurais não são avaliadas e tratadas de forma adequada.

A influência da parte mecânica dos nervos e sua interferência no movimento humano não é uma temática aprofundada nos cursos de fisioterapia; os conceitos não são amarrados e uma prática deficitária sobre o assunto dificulta a verdadeira reabilitação do paciente. Aliado a isto temos a deficiência de pesquisas na área e a eterna forma de se protocolar atendimentos, imaginando-se que receitas prontas resolvem todos os casos. 

Compreenda que, independente do sistema articular e muscular estarem afetados em uma disfunção, de forma direta ou indireta o sistema nervoso estará envolvido. E aqui a ressalva de que por muitas vezes este sistema não é levado em conta nem na avaliação, nem no tratamento do paciente, tal como nos apresenta Butler, 2003.

Compreenda que tensões sobre o Sistema Nervoso Periférico (SNP) podem ser transmitidas ao Sistema Nervoso Central (SNC) e vice-versa. A função de condução do impulso nervoso é sustentada por uma estrutura anatômica que conduz via ascendente e descendente todas as informações através dos nervos periféricos, que se acomodam durante a movimentação do corpo. 

Portanto, o sistema nervoso central e periférico são contínuos, em que estímulos ascendentes se transformam em respostas diferentes. Porém, a ligação entre os dois sistemas também se dá devido um trato tecidual contínuo que os unifica. Esta verdade anatômica, pouco divulgada mas atualmente considerada pelos clínicos, nos leva a perceber que disfunções biomecânicas no sistema nervoso podem ser sentidas em diversas partes do corpo.

A biomecânica do sistema nervoso e a biomecânica articular 

A diferença entre a biomecânica do sistema nervoso e a biomecânica articular e/ou muscular é que o sistema nervoso além de se adaptar à complexidade de movimentos que podemos fazer, ele ainda carrega impulso nervoso. Observe que além de ser responsável pela transmissão correta das informações, o sistema nervoso se adapta mecanicamente, alongando-se ou retraindo-se bem.

Sendo assim, você necessita considerar, a partir deste momento, que o papel do sistema nervoso é de conduzir os impulsos nervosos ao longo de um sistema complexo de movimento. Neste sistema complexo, o sistema nervoso terá que se adaptar em termos mecânicos para proteger o sistema inteiro frente à compressão e tração. Dessa maneira, a este processo damos o nome de neurodinâmica.

A anatomia do sistema nervoso

A anatomia funcional que envolve o sistema nervoso é muito complexa. É importante entender que os neurônios conduzem impulsos nervosos, mas nem sempre as lesões deste sistema danificam ele. Lesões no sistema nervoso podem afetar as estruturas mecânicas de suporte e proteção, tais como, as meninges, endoneuro, perineuro, entre outros.

Além disso, em todo o seu trajeto, o sistema nervoso percorrerá por estruturas mais rígidas, túneis, estreitamentos ósseos. Logo, nestas referidas regiões, temos a propensão de lesões mecânicas no sistema nervoso envolvendo tecidos conjuntivos que os cercam. Então, esse tipo de lesão se denomina micro lesões nervosas.

Sendo assim, qualquer lesão nestes tecidos conjuntivos é capaz de provocar a multiplicação e sintetização de colágeno de forma muito reativa, mais do que se fosse em um tendão do corpo.

As lesões no sistema nervoso

A parte mais suscetível à lesão no sistema nervoso são as raízes nervosas, as quais são mais consideradas como parte do sistema nervoso central do que do periférico. O dano maior a raíz nervosa vem de estruturas vizinhas, tais como discos e articulações apofisárias. Entretanto, mesmo quando se aplica uma grande força de tração nos troncos nervosos e plexos, a raíz nervosa não se separa da medula por nada, o que causa as dores tão fortes em quem possui a hérnia de disco.

Segundo Junior (2016), o tratamento conservador em pacientes que sofrem de hérnia de disco é composto por eletroterapia e crioterapia. Além disso, neste tratamento pode conter em associação hidroterapia, osteopatia, quiropraxia, RPG, pilates e acupuntura. Também, há a orientação de bolsas de água quente associadas ao infravermelho, mesmo sendo consideradas superficiais; estas orientações podem ser realizadas pelo paciente em domicílio. Porém, quando estas abordagens não conferem resultado e os sintomas da hérnia de disco persistem de forma significativa, o indicado é realizar o tratamento cirúrgico.

Poucos estudos comparam os resultados dos tratamentos conservadores com os cirúrgicos, devido à dificuldade de se igualar os casos clínicos de todos os envolvidos no estudo. A intervenção precoce da fisioterapia nesta patologia sempre traz a melhora clínica do paciente.

Alternativas de tratamento para hérnia de disco

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Desde a década de 70, começou-se a discutir sobre a “inflamação dos nervos” como o provável sintoma doloroso, o que gera testes neurais anormais, algo bem discutido e fundamentado por Butler (2003), autor do Método de Mobilização Neural.

A mobilização neural é uma técnica ainda pouco conhecida no meio fisioterápico, cujo foco é tratar as disfunções da biomecânica do tecido nervoso. Muitos estudos comparativos vêm sendo feitos de forma a mensurar os resultados da fisioterapia convencional versus a utilização associativa da mobilização neural no tratamento de lombalgias, hérnias de disco e lesões por esforços repetitivos, demonstrando que a técnica reduz o tempo de reabilitação do paciente.

A Mobilização Neural no tratamento da hérnia de disco

Os manuseios da mobilização neural restauram o conceito de “neuro dinamismo” do sistema nervoso, uma união entre a anatomia e a funcionalidade. Logo, esta união confere aumento da amplitude de movimento, diminuição do quadro de dor e agilidade no retorno às atividades de vida diária.

Quando nos aprofundamos neste conhecimento, identificamos que a a falta de movimento e a falta de cultura preventiva a lesões é a principal responsável por dores incalculáveis, constantes e dispersas, como a hérnia de disco; na maioria das vezes, são dores que se iniciam devido a disfunções neurológicas.

Aprende-se com esta nova abordagem que não somente os sistemas articulares, musculares, facetários ou de estruturas interligadas podem causar lesão, mas também qualquer alteração da biomecânica dos tecidos nervosos pode gerar problemas ao paciente. Sendo assim, é sempre necessário o fisioterapeuta avaliar e tratar este sistema.

Muitos pacientes procuram o consultório ou estúdio de Pilates tendo patologias que envolvem raízes nervosas. Além disso, alguns desses pacientes têm um histórico de dor que nos mostra muitos sinais de tensão adversa na inervação. Será que não podemos começar a avançar na busca de integralidade de técnicas para melhorar o quadro do paciente? 

O universo que te convido a entrar colocará a terapia manual aliada ao trabalho de ortopedia, porém com toda a base de sustentação apoiada sobre conhecimentos de neurologia. Trata-se verdadeiramente da aplicabilidade do conceito interdisciplinar de tratamento.

Conclusão

Portanto, sempre que o paciente sente dor da hérnia de disco, deve-se atentar ao sistema nervoso e as possíveis lesões derivadas dele. A Mobilização Neural surge como uma alternativa de tratamento para este tipo de lesão e pode apresentar ótimos resultados se realizada corretamente. A grande maioria das dores físicas da região da coluna são causadas por sedentarismo e maus hábitos posturais. Logo, ao corrigi-los, junto de um bom tratamento fisioterapêutico, a dor pode ser aliviada.