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Sabemos que a principal função do sistema nervoso é a condução dos impulsos nervosos e a arquitetura de todos os trajetos nervosos, conferidos por sinapses e neurotransmissores. Isto constrói nossos caminhos neuronais e projeta todas as informações em caminhos ascendentes e descendentes, de forma elétrica e química.

Porém, o que nunca nos atentamos foi ao fato de que, para que tudo isto aconteça, é necessário um arcabouço mecânico, um verdadeiro sistema de fios condutores, que tem como função unificar todo o sistema nervoso, algo reunido em um termo denominado neurodinâmica, tal como cita Vasconcelos et al, 2011.

Sendo assim, a partir deste momento passaremos a considerar que o papel do sistema nervoso é o de conduzir os impulsos nervosos ao longo de um sistema complexo de movimento, ao qual ele terá que se adaptar em termos mecânicos e proteger o sistema inteiro frente a compressões e trações (VASCONCELOS et al, 2011).

Compreenda assim que o sistema nervoso se adapta durante a mobilidade corporal através de suas propriedades mecânicas (movimento e tensão) ao mesmo tempo que realiza sua função a de transmissão de impulsos (ALMEIDA E ANDRADE, 2011).

Portanto, sem a integridade deste sistema mecânico, a sua função e transmissão de impulsos nervosos e todo o controle do corpo, fica comprometido, algo muito pouco discutido até então. Para a verdadeira interpretação deste achado, ou seja, a união dos aspectos mecânicos e fisiológicos do sistema nervoso, o termo neurodinâmica foi introduzido. Sendo assim, ao considerar que o sistema nervoso apresenta normalidade neurodinâmica, estamos dizendo que suas propriedades mecânicas e fisiológicas se encontram em estado normal (ALMEIDA E ANDRADE, 2011).

A Mobilização Neural

O Conceito da técnica de Mobilização Neural é devolver a neurodinâmica deste sistema, através de movimentos passivos e ativos, advindos da interpretação de testes neurais específicos, os quais nos mostram qual o comprometimento mecânico deste sistema e nos faz raciocinar de forma clínica frente a escolha do tratamento adequado. A técnica foi desenvolvida a partir dos avanços da neurobiologia, biomecânica e fisiologia do tecido neural e da aplicação dos princípios da terapia manual neste tecido (BUTLER, 2003).

A Mobilização do Sistema Nervoso é um dos conceitos que mais vem crescendo no mundo, através de pesquisas científicas, proporcionando ao fisioterapeuta uma maior eficácia no tratamento manual. Sendo assim, compreenda que lesões nervosas implicam em alterações das propriedades mecânicas e fisiológicas do sistema nervoso que podem agravar um simples caso clínico. Devido o sistema nervoso central (SNC) e periférico (SNP) serem considerados como um só, uma vez que eles formam um trato tecidual contínuo com inúmeras interligações, qualquer dano em uma de suas partes, promoverá consequências a longa distância. (VASCONCELOS et al, 2011).

Compreenda que o sistema nervoso não somente tem que conduzir impulsos através de amplitudes e variedades de movimento, mas também tem que se adaptar mecanicamente a eles. A Mobilização Neural consiste numa técnica que restaura a condição de mobilidade normal da inervação e dos seus trajetos neurais (BUTLER, 2003).

A Mobilização Neural no tratamento ortopédico

Há algumas décadas, fisioterapeutas começaram a identificar que patologias ortopédicas e reumatológicas envolviam o sistema nervoso periférico de forma direta ou indireta. Começaram a notar que muitos sintomas se originaram de agressões nos nervos periféricos, o qual se necessitava de mais estudos. SCHMIDT (2005) afirma que alguns estudos estão dando informações sobre a influência do sistema nervoso nas disfunções musculoesqueléticas.

Em sua revisão de literatura, Junior & Teixeira (2007) teve como objetivo levantar as indicações e aplicações da mobilização do sistema nervoso como recurso diagnóstico e terapêutico. Eles demonstraram a eficácia da técnica tanto para a avaliação quanto no tratamento das mais diversas patologias que acometem as raízes nervosas. 

Os distúrbios musculoesqueléticos necessitam de uma avaliação minuciosa e um correto diagnóstico para obter melhora durante o seu tratamento. O conhecimento da Mobilização Neural no tratamento ortopédico, aplicado pelo fisioterapeuta, permitirá que ele tenha mais eficiência na reabilitação de pacientes com comprometimentos musculoesqueléticos, pois de acordo com estudos já realizados, a Mobilização Neural promove resultados positivos no tratamento, diminuindo o quadro doloroso e restaurando a sua funcionalidade (ALMEIDA E ANDRADE, 2011).

Vasconcelos (2011) explica que os nervos periféricos são frequentemente traumatizados, resultando em lesões que podem gerar perda ou redução da sensibilidade e de motricidade na área inervada por eles. Cabe ao fisioterapeuta avaliar o comprometimento neural através de testes específicos, para avaliar se esta micro lesão nervosa está interferindo e agravando a dor do seu paciente.

Igarashi e Cabral (2011) afirmam que o nervo mediano é estressado sobre influências dos movimentos dos ombros, cervical, cotovelo, punhos e dedos, porém a protração do ombro reduz em 60% a transmissão do movimento do nervo pelo membro superior e isso causa também uma sensação de parestesia na região por onde o nervo mediano passa durante essa protração de ombro.

Algumas das crises de dor são tratadas de forma medicamentosa, sem a observação clínica do fisioterapeuta, pois o brasileiro tem o péssimo hábito de automedicar-se. Em verdade, quando o paciente se apresenta ao consultório para ser tratado, já temos comprometimento nervoso associado a disfunções musculoesqueléticas com causas agravantes ergonômicas.

Independente do sistema articular e muscular estarem afetados em uma disfunção, de forma direta ou indireta o sistema nervoso estará envolvido. E aqui a ressalva de que por muitas vezes este sistema não é levado em conta nem na avaliação, nem no tratamento do paciente, tal como nos apresenta Butler, 2003.

Compreenda que tensões sobre o Sistema Nervoso Periférico (SNP) podem ser transmitidas ao Sistema Nervoso Central (SNC) e vice-versa. A função de condução do impulso nervoso é sustentada por uma estrutura anatômica que conduz via ascendente e descendente todas as informações através dos nervos periféricos, que se acomodam durante a movimentação do corpo. (BUTLER, 2003).

O sistema nervoso central e periférico são contínuos, estímulos ascendentes se transformam em respostas eferentes, porém a ligação entre os dois também se dá devido um trato tecidual contínuo que os unifica. Esta verdade anatômica, pouco divulgada e atualmente considerada pelos clínicos nos leva a perceber que disfunções biomecânicas no sistema nervoso podem ser sentidas em diversas partes do corpo (JÚNIOR E TEIXEIRA, 2007).

A diferença entre a biomecânica do sistema nervoso e a biomecânica articular e/ou muscular, é que além de se adaptar à complexidade de movimentos que podemos fazer, ele ainda carrega impulso nervoso. Observe que além de ser responsável pela transmissão correta das informações, ele se adapta mecanicamente, alongando-se ou retraindo-se bem como cita Stokes, 2000.

A influência da parte mecânica dos nervos e sua interferência no movimento humano não é aprofundada nas escolas de fisioterapia, os conceitos não são amarrados e uma prática deficitária sobre o assunto dificulta a verdadeira reabilitação do paciente. Aliado a isto temos a deficiência de pesquisas na área e a eterna forma de se protocolar atendimentos, imaginando-se que receitas prontas resolvem todos os casos.

Albiero (2011) compara a Mobilização Neural no tratamento ortopédico com o RPG e completa que os dois precisam de avanços e novas publicações para que possa haver melhor aperfeiçoamento, aceitação e até avaliação do método, pois já existem muitas evidências que têm demonstrado a eficácia dos métodos tanto na avaliação quanto no tratamento das mais variadas patologias que acometem as raízes nervosas, por isso, o fisioterapeuta deve buscar mais o desenvolvimento do método a fim de reduzir a escassez de estudos publicados nestas áreas.

O universo que te convido a entrar colocará a terapia manual aliada ao trabalho de ortopedia, porém com toda a base de sustentação apoiada sobre conhecimentos de neurologia. Trata-se verdadeiramente da aplicabilidade do conceito interdisciplinar da Mobilização Neural no tratamento ortopédico.

Fisioterapeutas que conhecem o Método de Mobilização Neural no tratamento ortopédico, compreendem sua amplitude de atuação, uma vez que identificam que o encurtamento clínico observado pode provir da falta da biomecânica neural, ou seja, a inervação do corpo está presa e perdeu sua capacidade natural de movimentar-se.

Com este achado clínico, identificado através de testes específicos, o fisioterapeuta consegue realizar o diagnóstico correto e tratar a lesão neural de forma simples. Com manuseios a princípio passivos e posteriormente ativos, as conquistas do método, permitem uma reabilitação mais eficaz e duradoura.

Grandes nomes na Fisioterapia, tal como, Maitland e Cyriax conseguiram apontar não somente que o sistema nervoso tem relação com o movimento, algo já conhecido, porém deixaram rastros investigativos sobre a influência da microanatomia do sistema nervoso frente a dor do paciente.

Conclusão

Consigo te assegurar isto com base nos Conceitos da Neurodinâmica, e digo mais, eis aqui a chave para reabilitar muitos casos de pacientes com hérnia de disco ou protusão discal que te procuram no consultório ou estúdio de Pilates: a Mobilização Neural no tratamento ortopédico.

 

Referências

ALBIERO, F. M. Reeducação postural global (rpg) e mobilização neural (mn) na dor e incapacidade funcional de pacientes com hérnia de disco. Dissertação de Mestrado do Programa de Pós-graduação em saúde e ambiente da Universidade Tiradentes. Aracaju, 2011.

ANDRADE E.M. de, ALMEIDA J.G. de Mobilização Neural: tratamento de distúrbios musculoesqueléticos. Pós-graduação em Fisioterapia em Reabilitação na Ortopedia e Traumatologia com ênfase em Terapia Manual (LatoSenso) – Faculdade Ávila; 2011.

BUTLER, D. S. Mobilização do sistema nervoso. Barueri: Manole; 2003.

IGARASHI, Y.; CABRAL, A. S. Evidências da mobilização neural na síndrome do túnel do carpo: uma revisão sistemática. Rev. Científica ESAMAZ, Belém, v.3 ,n.1 jan./jun., 2011

JUNIOR, O. H. F. de; TEIXEIRA, Á. H. Mobilização do Sistema Nervoso: avaliação e tratamento. Fisioterapia em movimento, Curitiba, v. 20, n.3, p. 41 – 53, 2007.

SCHMIDT, R. F. A mobilização neural dos membros superiores e a sua influência na flexibilidade global. Tubarão, 2005. Disponível em:< http://www.fisio-tb.unisul.br/Tccs/RodrigoSchimidt/tcc.pdf > Acesso em 08 de novembro de 2020.

VASCONCELOS, D.de A., et. al. Avaliação da mobilização neural sobre o ganho de amplitude de movimento. Fisioter. Mov. n.24, v.4, p. 665-72, 2011.