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O atendimento remoto para o fisioterapeuta e terapeuta ocupacional nunca foi o método de primeira escolha na abordagem dos pacientes. Entretanto, diante da situação de pandemia decretada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2020, vários pacientes optaram por abandonar o tratamento fisioterapêutico presencial que estavam realizando; seja por medo de sair de casa e contrair o vírus, seja pela situação de lockdown impostas pelas autoridades sanitárias. Portanto, a partir daí surge a necessidade de se pensar em como realizar um bom atendimento fisioterapêutico on-line, a fim de atender as demandas dos pacientes mesmo sem sair de casa.

Sabemos que, em grande parte das vezes, o fisioterapeuta trabalha com terapias manuais, o que torna inviável o tratamento se a pessoa não se encontra pessoalmente no local. Entretanto, a tecnologia e o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFITTO) permitiu ao fisioterapeuta e ao terapeuta ocupacional, atender os pacientes remotamente, facilitando o trabalho dos profissionais e ajudando na recuperação dos pacientes, especialmente durante o período de pandemia.

Entretanto, ainda há muita resistência por parte dos pacientes nesse tipo de abordagem, muitas vezes devido a preconceitos quanto à eficácia ou a falta de estímulo adequado do atendimento via internet.

Portanto, hoje vamos conversar um pouco sobre o atendimento fisioterapêutico online. Aqui você encontrará dicas para melhorar a sua abordagem com os seus pacientes durante o atendimento remoto. 

O teleatendimento na fisioterapia 

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Devido às recomendações da OMS em relação à pandemia, o COFFITO autorizou, em caráter emergencial, os serviços de Teleconsulta, Teleconsultoria e Telemonitoramento. Essa autorização é embasada pela da Resolução nº  516, publicada no Diário Oficial da União no dia 23 de março de 2020.

Teleconsulta, Teleconsultoria e Telemonitoramento: qual a diferença?

Mas você sabe a diferença entre os termos Teleconsulta, Teleconsultoria e Telemonitoramento? Se sua resposta foi não, então preste atenção nas informações abaixo:

  • Teleconsulta: essa modalidade consiste na consulta clínica realizada à distância pelo fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional;
  • Telemonitoramento: é o acompanhamento à distância, remotamente, de pacientes que já foram atendidos previamente pelo profissional, de forma presencial. Aqui se enquadram aqueles pacientes que já se encontravam sob tratamento antes do início da pandemia. No telemonitoramento, o profissional pode dispor de encontros remotos “ao vivo”, em tempo real (síncronos) ou gravar (assíncronos) orientações para o paciente. Além disso, o fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional pode decidir sobre a necessidade ou não de encontros presenciais com o paciente para reavaliações ou intervenções, ou até a possibilidade de encaminhamento deste paciente para outros profissionais;
  • Teleconsultoria: é uma forma de reuniões realizadas entre profissionais da saúde, fundamentada em evidências clínico-científicas e em protocolos disponibilizados pelo Ministério da Saúde e pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde. As teleconsultorias tem como objetivo esclarecer dúvidas relativas ao processo de trabalho. 

Vale lembrar que, durante o atendimento remoto, é importante que o profissional registre suas consultas, atendimentos e intervenções, assim como descreva as evoluções dos pacientes. 

Desvantagens do atendimento fisioterapêutico on-line

A primeira das desvantagens desse formato de atendimento é a falta do contato entre paciente-profissional. Durante o atendimento remoto pode ser difícil construir uma relação de confiança entre as pessoas. Além disso, a fisioterapia realizada na casa do paciente, via internet, é contextualmente diferente da sessão realizada no ambiente clínico. Na casa do paciente não tem outros membros da equipe, não há outros pacientes e, muitas vezes, ele não tem equipamentos como halteres, faixa elásticas ou bolas, que são equipamentos disponíveis na clínica. Logo, essa falta de equipamentos pode limitar a quantidade de exercícios terapêuticos disponíveis para o paciente. 

Ainda, pode acontecer do paciente carecer da tecnologia necessária para realizar o atendimento fisioterapêutico on-line, ou não possuir o conhecimento necessário para utilizá-lo. Além disso, a falta de contato pessoal torna difícil a execução de testes especiais, por exemplo, que podem ser cruciais para fins diagnóstico. 

Dado os obstáculos listados acima, é importante frisar que o atendimento remoto é usado como uma terapia adjuvante em uma circunstância onde não é possível o atendimento presencial. Por isso, quando o fisioterapeuta e o paciente optam por realizar o tele atendimento, é importante que o profissional se esforce para suprir o máximo possível das falhas que a falta de contato com o paciente geram. 

Dicas para um bom atendimento fisioterapêutico on-line

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Abaixo, listamos algumas dicas que irão melhorar a sua abordagem como fisioterapeuta com o paciente atendido remotamente:

  1. O fisioterapeuta deve ter atenção redobrada durante a execução dos movimentos realizados pelo paciente. Se durante o atendimento presencial devemos ter muita atenção à execução dos exercícios, durante o atendimento remoto essa atenção deve ser redobrada, pois a visão do profissional fica “deturpada” pelas lentes do computador, dificultando a avaliação cinética. Por isso, fique atento e peça ao paciente para ajustar a câmera numa posição que seja possível a visualização mais completa do seu paciente.
  2. O fisioterapeuta deve treinar os comandos verbais dos exercícios que irá aplicar. Nesse momento é importante que o profissional tenha ciência de quais exercícios irá passar e “treine” a melhor forma de comunicá-los para o paciente;
  3. Os exercícios realizados no atendimento remoto devem ser de menor intensidade e mais fáceis de realizar. Essa condição se aplica, principalmente, para aquele paciente que está começando os atendimentos justamente no momento da pandemia. Portanto, é necessário cuidado com esse paciente novo, que você não está acostumado a tratá-lo. Nesse momento, é importante iniciar os exercícios de forma bem mais leve do que seria em caso de atendimento presencial. Obviamente, uma vez que o fisioterapeuta observa que o paciente consegue realizar os exercícios de forma mais consciente e correta, pode-se realizar o aumento progressivo da intensidade e dificuldade do exercício, para evitar que o paciente desanime e perca o foco;
  4. O paciente deve sempre ser motivado pelo fisioterapeuta: incentive seu paciente, parabenize, conte algumas de suas expectativas a ele e como ele está atingindo rapidamente o que você esperava dele. Além disso, reserve um tempinho para conversar com o seu paciente, perguntar como foi o dia dele, e como ele está se sentindo. Esse tipo de comportamento é importante principalmente quando o profissional percebe o paciente está ficando desmotivado;
  5. Durante a avaliação em uma consulta online, o fisioterapeuta deve prestar mais atenção à anamnese, sinais e sintomas físicos. Uma vez que não há como realizar o exame físico no atendimento remoto, os sinais e sintomas relatados pelo paciente adquirem ainda mais importância. Através de uma anamnese bem feita, muitas vezes o fisioterapeuta consegue enxergar diagnósticos, detectar previamente fatores predisponentes para a lesão, prever a ocorrência de dores e até ajustar os exercícios para a correção da lesão;
  6. Mande para seu paciente figuras demonstrativas dos exercícios (ou vídeos da realização dos exercícios), além de demonstrá-los “ao vivo” nas primeiras sessões. Quando o paciente vê os exercícios previamente à sessão se torna mais fácil dele entender como executá-lo e mais fácil de acompanhar os comandos verbais.

Conclusão

Uma vez que a situação atual não nos permite atender a todos os pacientes presencialmente, o atendimento remoto tem sido uma ferramenta bastante vantajosa para a manutenção da saúde física e mental dos pacientes. Porém, quando tudo isso acabar, o fisioterapeuta retornará aos atendimentos presenciais que são, de longe, a melhor forma de abordagem ao paciente. 

Referências

  1. Fiani B, Siddiqi I, Lee SC, Dhillon L. Telerehabilitation : Development , Application , and Need for Increased Usage in the COVID-19 Era for Patients with Spinal Pathology. 2020;12(9). 
  2. Salawu A, Green A, Crooks MG, Brixey N, Ross DH, Sivan M. A Proposal for Multidisciplinary Tele-Rehabilitation in the Assessment and Rehabilitation of COVID-19 Survivors. (March 2020):1–13. 
  3. Gonzalez-gerez JJ, Bernal-utrera C, Anarte-lazo E, Garcia-vidal JA, Botella-rico JM, Rodriguez-blanco C. Therapeutic pulmonary telerehabilitation protocol for patients affected by COVID-19 , confined to their homes : study protocol for a randomized controlled trial. 2020;1–9. 
  4.       https://www.coffito.gov.br/nsite/?p=15825