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A fisioterapia ainda é uma profissão nova e poucos sabem da sua importância em relação à saúde de seus pacientes. No entanto, em parte entendo que a falta de interesse dos clientes é culpa também dos profissionais, pois não transmitimos adequadamente qual a função da fisioterapia e como pode ser favorável na recuperação de uma lesão. Porém, a fisioterapia pode ser útil para inúmeras situações e uma delas é auxiliar no tratamento de cânceres. A fisioterapia na oncologia tem muito o que agregar.

História da fisioterapia

A fisioterapia foi reconhecida como uma profissão da área da saúde no dia 13 de outubro de 1969, pelo decreto-lei número 938 que consta o uso de métodos e técnicas fisioterápicas com o objetivo de restaurar, favorecer e conservar a capacidade física do paciente. 

Com o passar dos anos, a fisioterapia passou por evoluções. Assim, de tempos para cá, surgiram novas técnicas e métodos fisioterapêuticos, que proporcionam diferentes alternativas de reabilitação física. Também, além destas inovações, vêm sendo feitas mais pesquisas científicas baseadas em evidências da fisioterapia. Desse modo, nossa área transmite maior credibilidade e pode ser realizada com segurança e qualidade de atendimento. 

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Outro ponto importante que surgiu com a evolução da fisioterapia são os novos campos de atuação da área. Atualmente, especialidades como ortopedia, traumatologia, cardiorespiratória, dermatofuncional, neurofuncional e a fisioterapia na oncologia vêm crescendo bastante. Portanto, neste texto irei focar em uma dessas áreas: abordarei a importância da fisioterapia durante o tratamento de oncologia. 

A fisioterapia oncológica

A fisioterapia na oncologia tem a função de preservar, manter e restaurar a integridade cinético-funcional dos órgãos e sistemas do paciente. Além disso, a fisioterapia também previne alterações patológicas que surgem devido ao tratamento do câncer, o que proporciona melhora significativa na saúde do paciente. Portanto, os exercícios físicos realizados de forma regular são muito indicados aos pacientes uma vez que colaboram diminuindo a dor, aumentando a produção de serotonina e ativando os opióides no sistema nervoso central. 

Porém, alguns dos sinais e sintomas apresentados durante o tratamento fisioterapêutico, incluem: a presença de dor, limitação na amplitude de movimento, fraqueza muscular, alteração de sensibilidade, linfedema e alterações cicatriciais. Mesmo assim, o tratamento fisioterapêutico é importante tanto no pré quanto no pós-operatório do paciente vítima de câncer. 

A fisioterapia no pré e no pós operatório

Assim, para atuar de forma preventiva no pré-operatório do paciente, é necessário realizar o tratamento fisioterapêutico em todas as fases do câncer, pois a prática diminui os riscos de complicações cinético-funcionais. Porém, já na fase do pós-operatório, é diferente.

Nos primeiros dias após a cirurgia, prioriza-se observar se o paciente apresenta: alterações neurológicas, processo inflamatório, queixa de dor e/ou presença de edema, observar o padrão respiratório, se apresenta dificuldade para respirar e se há presença de ruídos adventícios. Contudo, mais a frente, com tais parâmetros normalizados, deve iniciar-se o trabalho fisioterápico da parte motora do paciente, proporcionando uma recuperação funcional e melhorando a qualidade de vida do indivíduo. 

Desta forma, os benefícios apresentados durante o tratamento, incluem: alívio da dor, menor surgimento de processos infecciosos, melhora na mobilidade articular e menor frequência dos medicamentos, fazendo uso destes somente quando necessário. Entre os tipos de câncer a serem tratados, um dos mais frequentes no mundo e com maior taxa de mortalidade, principalmente em mulheres, é o câncer de mama.

Câncer de mama 

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O câncer de mama é mais frequente em mulheres, o que não quer dizer que os homens não venham desenvolver esta patologia. Apesar da proporção deste tipo de câncer em homens ser menor do que em pessoas do sexo feminino, não é nula. Portanto, para evitar esta doença, é importante realizar o autoexame em casa.

Para isso, deve-se realizar o toque no seio e reparar no principal sinal apresentado pelo câncer: a presença de nódulos e, às vezes, dor mamária. Assim, se você identificar nódulos através do toque, é necessário procurar o hospital mais próximo para realizar os exames clínicos. O início do tratamento para o câncer de mama mais comum é a cirurgia de retirada parcial ou total do seio. 

Desse modo, após o período pós-operatório, o paciente é encaminhado para a fisioterapia para recuperar o movimento que se limita após a cirurgia. A maioria dos estudos mostra que pode-se iniciar a reabilitação logo no primeiro dia do pós-operatório, mas em alguns casos, é melhor aguardar a retirada do dreno e depois iniciar a reabilitação.

Por exemplo, uma das principais alterações em quem opera a mama é a limitação do movimento do ombro, principalmente para flexão e abdução de ombro, apresentando rigidez e atrofia muscular durante o movimento. 

A reabilitação na oncologia

Portanto, uma das alternativas para evitar complicações no pós-operatório é iniciar com os exercícios físicos. Reintroduzir o quanto antes atividade física para o paciente possibilita-o de retornar às suas atividades de vida diária logo, oferecendo maior independência.

Porém, esses exercícios dever ser realizados com acompanhamento de um fisioterapeuta, sendo de extrema importância realizar uma avaliação prévia afim de identificar os principais objetivos a serem trabalhados durante o tratamento. Além disso, os exercícios a serem abordados devem ser passados de forma progressiva, ou seja, de maneira gradual,  de acordo com a evolução do paciente.

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Alguns dos critérios a serem trabalhados durante a reabilitação do paciente, são: alongamentos de cervical, treinos ativos e resistidos (mais a frente, conforme a evolução do paciente) para o ombro incluindo os movimentos para flexão, extensão, abdução e rotação de ombro. Ainda, diversos estudos trazem a associação de técnicas fisioterapêuticas que favoreçam na recuperação do paciente como o uso da eletroterapia como o Tens, por exemplo. 

Outros tratamentos

Além deste tipo de tratamento, também sugere-se a utilização de crioterapia, manobras para correção postural como RPG, drenagem linfática manual, exercícios funcionais, terapias manuais como a mobilização articular, alongamento, fortalecimento  e relaxamento muscular.

Ademais, atuar na parte neuromuscular proprioceptiva e reforçar treinos respiratórios são técnicas importantes, pois melhoram a funcionalidade pulmonar, aumentando a entrada de oxigênio e eliminando a retenção de gás carbônico do pulmão.   

Além de tudo, para uma boa atuação fisioterapêutica na oncologia é importante que o profissional de fisioterapia conheça os tipos de tumor com que está lidando, para traçar a melhor conduta aos pacientes. Uma técnica mal executada pode aumentar a proliferação celular nas redes linfáticas e sanguíneas, avançando ainda mais o processo do tumor no paciente.

Além disso, o tempo de acompanhamento na reabilitação fisioterápica varia de cada pessoa, lembrando que é importante fazer a reavaliação sempre que necessário e acompanhar a evolução do paciente. A fisioterapia na oncologia pode ser uma alternativa muito eficiente para a reabilitação dos movimentos corporais do paciente.

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