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Devido a pandemia do novo coronavírus junto do agravante de severas mudanças climáticas, diariamente muitas pessoas são acometidas por doenças respiratórias. Dentre essas doenças, uma das mais comuns e mais perigosas é a pneumonia. Para tratar esta patologia, existem diversas alternativas. Porém, algo pouco difundido é que a fisioterapia como prevenção e tratamento de doenças respiratórias pode ser uma ótima alternativa. Entre essas doenças, destaca-se principalmente a pneumonia.

Pneumonia

Pneumonia é uma infecção do trato respiratório provocada por bactérias, vírus, fungos e agentes alérgicos. Esta patologia pode acometer pessoas em todas as faixas etárias, mas gera alta taxa de morbidade e mortalidade principalmente em crianças e idosos. Assim, os tipos de pneumonias são divididos em algumas categorias: pneumonia adquirida na comunidade (PAC), pneumonia nosocomial e pneumonia associada à ventilação mecânica (PAVM). 

A PAC é a quinta maior causa de mortes no Brasil e refere-se à doença adquirida fora do ambiente hospitalar ou que se manifesta em até 48 horas após a internação hospitalar. Já a pneumonia nosocomial (hospitalar) é definida como pneumonia que ocorre após 15 dias após a alta hospitalar ou 48 horas após a internação. E a terceira, a PAVM, é adquirida após 38 horas de intubação orotraqueal com instituição do suporte ventilatório, sendo a principal infecção que leva pacientes internados à unidade de terapia intensiva (UTI).

Contágio, sintomas e diagnóstico 

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Para entendermos melhor esta doença, vamos às maneiras de transmissão dela: a pneumonia pode ser transmitida pelo ar, pela saliva, por secreções do corpo humano ou por meio de transfusão de sangue. Além disso, esta doença se torna mais comum no inverno, uma vez que  nesta época ocorrem mudanças climáticas que podem comprometer os pelos do nariz de realizarem a filtragem adequadamente. Logo, esse processo acarreta para o indivíduo uma maior exposição aos microrganismos perigosos. 

Quanto aos sintomas, estes vão depender de alguns fatores. Entre eles, o organismo causador da patologia, a idade do paciente e a condição geral de saúde da pessoa. No entanto, os principais sintomas da pneumonia são: febre, tosse, secreção, dispneia, dor torácica, mialgia, dor de garganta, sudorese, calafrios, náuseas, vômitos e diarreia.

Desse modo, para o diagnóstico desta doença é necessário, primeiro, um exame clínico, sucedido de ausculta dos pulmões e radiografias do tórax. Já o tratamento e a prevenção de doenças respiratórias, incluindo a pneumonia, dependem do microrganismo causador. Então, no caso da pneumonia, se for causada por uma bactéria, será introduzido o uso de medicamentos como antibióticos. Porém, se a pneumonia for causada por vírus, serão necessários antivirais. Por fim, àquelas causadas por fungos utilizam outros medicamentos específicos. É importante lembrar que a pneumonia, se não tratada da maneira correta, pode evoluir para um quadro grave e causar a morte do paciente. 

Mas você já pensou em uma forma alternativa de prevenir ou até tratar doenças respiratórias como a pneumonia? A fisioterapia pode ser útil como prevenção e tratamento de doenças respiratórias. Portanto, acompanhe nossos parágrafos a seguir que aqui vamos discorrer sobre esse assunto.

Fisioterapia Respiratória 

Alguns objetivos deste tipo de fisioterapia são promover higiene brônquica, melhorar a ventilação pulmonar, aumentar a oxigenação e diminuir o trabalho respiratório. Logo, para pôr em prática esta terapia, são necessárias algumas condutas.

Condutas na Fisioterapia Respiratória

Terapia de higiene brônquica

Esta conduta consiste na utilização de técnicas que possuem o objetivo de mobilizar e eliminar as secreções do indivíduo, melhorando as trocas gasosas e evitando, assim, complicações respiratórias. 

Drenagem postural: 

A técnica da drenagem postural utiliza a ação da gravidade para mobilizar as secreções da pessoa, direcionando a secreção das vias aéreas periféricas para a central. Assim, estas secreções podem ser eliminadas pela tosse, melhorando a ventilação/perfusão. Além disso, dentro desta técnica, temos ainda algumas especialidades:

  • Vibrocompressão torácica: técnica que associa a vibração e compressão do tórax no sentido anatômico dos arcos costais. É aplicada na expiração de forma constante promovendo o deslocamento das secreções. 
  • Aceleração do fluxo expiratório (AFE): técnica que realiza um aumento ativo assistido ou passivo do ar expirado realizando uma mobilização da secreção do indivíduo.
  • Técnica de expiração forçada (Huffing): a manobra consiste em uma ou duas expirações forçadas sem o fechamento da glote, seguidas de respirações diafragmáticas e relaxamento. Durante a expiração o paciente pode emitir o som de “H” (huff).
  • Dispositivo oscilador de alta frequência: estes são incentivadores respiratórios que produzem uma vibração no interior do corpo do paciente por meio de uma esfera que transmite ondas mecânicas para as vias aéreas, mobilizando as secreções. O shaker® (Figura 1) e o Flutter® (Figura 2) são exemplos desses dispositivos.
  • Higiene oral: a prática da higiene oral tem efeito antimicrobiano. A higiene é  efetiva sobre as bactérias aeróbicas e anaeróbicas, reduzindo a o acúmulo de placa dentária sem necessidade de escovação dentária.
  • Aspiração traqueobrônquica: consiste na retirada de secreções das vias aéreas inferiores, é um procedimento invasivo. A técnica facilita a oxigenação e previne broncoaspiração em pacientes com uso de tubo orotraqueal e traqueostomia. Também é utilizada em pacientes que não conseguem expectorar voluntariamente.
  • Figura 1: Shaker
  • Figura 2: ShutterCréditos Fisio Store
  • Crédito Picoli Fanelli

Terapia de reexpansão pulmonar

Essas técnicas listadas a seguir surgiram para prevenção ou tratamento do colapso pulmonar. As patologias do trato respiratório causam perda do volume pulmonar, reduzindo consequentemente a capacidade residual funcional, podendo levar a hipoxemia e aumento do risco de infecções. Logo, esta técnica ajuda incisivamente no tratamento de doenças respiratórias.

  • Técnica de pressão negativa: consiste em comprimir o tórax durante a expiração e descomprimir de forma abrupta na inspiração permitindo, assim, restaurar a ventilação das unidades alveolares comprometidas.
  • Espirometria de incentivo: esta técnica depende do nível de consciência, compreensão e colaboração do paciente. A espirometria de incentivo consiste em exercícios respiratórios que aumentam a permeabilidade das vias aéreas. Logo, esses exercícios promovem estímulos visuais que mostram quando o fluxo e o volume desejado foram alcançados. O Respiron® (Figura 3) e o Voldyne® são utilizados nessa técnica.
  • Figura 3: Respiron
  • Figura 4: VoldyneCréditos Bisturi Material Hospitalar
  • Crédito HB Fisioterapia e Comércio Eireli

Treinamento muscular respiratório 

Este tipo de treinamento tem como objetivo aumentar a força muscular respiratória e a resistência dos músculos do trato respiratório. Portanto, a avaliação da força muscular é realizada através do manovacuômetro que mostra a pressão inspiratória máxima (Pimáx) e pressão expiratória máxima (Pemáx) do paciente. Para esse treinamento deve-se ajustar de 30 a 60% das variáveis de Pimáx e Pemáx alcançados.

Cinesioterapia Respiratória

Para esta técnica, temos algumas especialidades:

  • Inspiração fracionada: consiste em realizar inspirações sucessivas e curtas até atingir a capacidade pulmonar total. Em seguida, realizar uma expiração pela boca. 
  • Inspiração sustentada máxima: o paciente realiza uma inspiração profunda até sua capacidade inspiratória máxima. Em seguida, deve fazer uma pausa inspiratória após fazer uma expiração pela boca.
  • Respiração diafragmática: realizar uma inspiração lenta, expandindo o abdômen ao máximo que puder e depois expirar lentamente.

Fisioterapia Motora

Já este tipo de fisioterapia tem como principal objetivo  prevenir os efeitos deletérios da imobilidade prolongada. Além disso, esta terapia também previne a diminuição da força muscular e a amplitude de movimento. Também diminui e previne edemas, melhora o condicionamento cardiovascular do paciente, restaura a funcionalidade, estimula a deambulação precoce e reduz o tempo de internação caso haja alguma patologia. Logo, para a prática da fisioterapia motora, veremos algumas variações:

  • Posicionamento funcional no leito: esta técnica tem como objetivo melhorar o transporte de oxigênio através da ventilação/perfusão, aumentar os volumes pulmonares e reduzir o trabalho respiratório.
  • Cinesioterapia motora: esta prática consiste em exercícios passivos, ativos e ativo-assistidos que possuem benefícios como manter a movimentação da articulação e da força muscular, além de diminuir o risco de tromboembolismo. Esta técnica é aplicada de forma progressiva, inicia primeiro com exercícios no leito, depois sedestação a beira leito, seguido de ortostatismo e transferência para a poltrona e deambulação.

Conclusão

Portanto, neste presente texto, afirmamos diversas técnicas que combinam a fisioterapia como prevenção e tratamento de doenças respiratórias. Assim como para diversas outras patologias pulmonares, a fisioterapia é de suma importância no tratamento da pneumonia, pois promove melhora da ventilação pulmonar, aumenta oxigenação, remove secreções, aumenta a tolerância ao exercício e atividades de vida diária.

Referências:

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