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A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é uma inflamação aguda dos alvéolos, espaço aéreo terminal ou do parênquima pulmonar. Ela surge pela resposta do hospedeiro à invasão por um agente infeccioso – bactérias, vírus, fungos ou protozoários. 

O agente mais comum é o Streptococcus pneumoniae (pneumococo) em 30 a 70% dos casos. Acomete o paciente fora de o ambiente hospitalar ou surge nas primeiras 48 horas após sua admissão, não caracterizando aqueles pacientes que foram hospitalizados por mais de 2 dias nos 90 dias anteriores, idosos institucionalizados, pacientes tratados por antibioticoterapia ou quimioterapia nos últimos 30 dias e os que estão em hemodiálise. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada ano morrem 1,6 milhões de pessoas no mundo, representando a 6ª maior causa geral de morte entre pessoas maiores de 65 anos, e entre as doenças infecciosas ocupa a primeira colocação. 

Para aprender mais a respeito da pneumonia adquirida na comunidade, continue lendo.

Diagnóstico da Pneumonia adquirida na comunidade

O diagnóstico é  realizado com base nos sintomas apresentados pelo paciente e, também, com análise de exames clínicos, como hemograma e radiografia de tórax.

A apresentação clínica da patologia apresenta-se com sintomas de doença aguda do trato respiratório inferior, tosse (60%) e um ou mais dos seguintes sintomas: 

  • Expectoração;
  • Dispneia (66%); 
  • Dor pleurítica (50%);

Achados focais no exame físico do tórax e manifestações sistêmicas (rebaixamento do nível de consciência – confusão, cefaleia, sudorese, calafrios, cianose, mialgias e temperatura superior a 37,8°C), os quais são corroborados pela presença de uma opacidade pulmonar nova detectada por radiografia do tórax e ausculta pulmonar compatível com estertores crepitantes (80%) e roncos pulmonares.

A lesão no parênquima pulmonar causa diminuição na complacência pulmonar devido ao preenchimento dos alvéolos por exsudato, dificultando então a expansão adequada dos alvéolos, isto causa diminuição dos volumes: corrente, residual, reserva expiratório e inspiratório e das capacidades pulmonares: vital, pulmonar total, inspiratória e residual funcional.

O predomínio do sexo masculino também foi descrito por Vallés et al (2016) com 70% e 69%.

No Brasil, entre janeiro de 2013 e outubro de 2017, foram internadas 54.628.224 pessoas. 

Do total de pacientes internados, 5.428.712 correspondem a doenças do aparelho respiratório (10,85 %), e destaca-se as doenças infecciosas. E, dentre as causas de óbitos durante as internações, destacou-se com 19,50 %.

O que pode causar a Pneumonia adquirida na comunidade?

Estudos mostram que as pneumonias são a maior causa de internação dentre todas as doenças respiratórias, sendo 3 a 4 vezes mais frequentes nos idosos do que na população geral.

Patologias respiratórias agudas ou crônicas, como asma, tuberculose, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) entre outras, condições ambientais e sanitárias intervêm com maior frequência para pneumonia adquirida na comunidade. 

A pneumonia adquirida na comunidade também pode ser provocada por outros microrganismos (vírus, bactéria ou fungo) ou pela inalação de produtos tóxicos. 

Ela pode ser adquirida pelo ar, saliva, secreções, transfusão de sangue ou, no caso do inverno, devido a mudanças bruscas de temperatura. 

Essas mudanças comprometem o funcionamento e a filtragem do ar aspirado, o que acarreta em uma maior exposição aos microrganismos causadores da doença.

Já a pneumonia por fungos é um pouco mais agressiva que os outros tipos, embora também seja mais rara, desenvolve em pessoas portadoras de outras doenças ou que estejam com um sistema imunológico muito debilitado. 

Dependendo do fungo causador da doença, assim como a viral, a pneumonia por fungos pode ser contagiosa. Além disso, a evolução da doença também é mais rápida em relação aos outros tipos.

Tratamento da Pneumonia adquirida na comunidade

A hospitalização para tratamento é necessária entre 22% e 51% dos pacientes com PAC, sendo que destes aproximadamente 10% são encaminhados para unidades de tratamento intensivo.

A antibioticoterapia deve ser instituída o mais precocemente possível, com tempo limite de 4 horas para pacientes internados, com objetivo de diminuir a mortalidade e dias de hospitalização. 

Pacientes que não apresentam quadros graves podem ser tratados por período de 7 dias. 

O esquema terapêutico mais utilizado é associação de oxacilina e ceftriaxone (53,7%), para os que apresenta falha terapêutica é necessária a mudança para os seguintes esquemas: vancomicina e meropenem, vancomicina e ceftriaxone, e linezolida.

A intervenção fisioterapêutica por meio de manobras de higiene brônquica melhora a viscosidade do muco, movimentando-o com mais facilidade, a fim de facilitar a eliminação das secreções. 

A escolha da manobra ideal depende da idade e gravidade da doença, facilidade de uso, adesão ao plano de tratamento em vista da fisiopatologia e conforto ou colaboração do paciente. 

Diversos estudos demonstram como as manobras de fisioterapia respiratória impactam na redução dos custos hospitalares e da mortalidade de pacientes com doenças infecciosas.

Prevenção

As principais formas de prevenção são recomendações simples: lavar as mãos, não fumar, evitar aglomerações e se vacinar. 

Atualmente, existem vacinas disponíveis para a pneumonia pneumocócica que, mesmo não sendo capazes de prevenir todos os casos de pneumonia adquirida na comunidade, podem evitar as formas mais graves.

Segundo o Ministério da Saúde (2019), a vacinação contra a gripe reduz bastante as hospitalizações por pneumonias e a mortalidade global pela doença. 

Por isso, devem ser vacinados os grupos considerados mais sujeitos às formas graves da doença: gestantes, mulheres com até 45 dias após o parto, crianças de 6 meses a 2 anos, profissionais de saúde, doentes crônicos, pessoas privadas de liberdade ou com 60 anos de idade ou mais.

Conclusão

A pneumonia é caracterizada por doença pulmonar restritiva que pode afetar o aparelho neuromuscular respiratório, a caixa torácica, o espaço pleural e o parênquima pulmonar, com sintomas comprometedores. 

A antibioticoterapia juntamente com a fisioterapia auxiliam na recuperação dos pacientes internados ou em acompanhamento. 

A fisioterapia por meio das manobras de higiene brônquica são recursos amplamente utilizados com o intuito de auxiliar na limpeza mucociliar e prevenir complicações decorrentes de secreções acumuladas nas vias aéreas.

 

Referências

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