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A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica ou DPOC, é a obstrução da passagem do ar pelos pulmões.

A DPOC consiste em dois tipos: bronquite crônica e enfisema, contudo a maioria dos pacientes apresentam combinação das duas. Em ambos os casos há uma inflamação crônica. Entretanto na bronquite, a inflamação acontece nos brônquios e causa grande produção de muco; e no enfisema, os alvéolos se inflamam, causando destruição do parenquima pulmonar. Mas você sabia que o Pilates em pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica pode ser um aliado no tratamento e proporcionar ótimos resultados? Preparei esta matéria para você entender todos os benefícios do Método Pilates em pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica e começar a aplicar agora mesmo. Continue lendo e confira!

O que é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)?

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica é uma doença obstrutiva do fluxo aéreo parcialmente reversível, que causa uma limitação progressiva, sendo associada a uma resposta inflamatória dos pulmões a partículas ou gases tóxicos. Esse processo inflamatório crônico da doença pode produzir modificações dos brônquios e causar destruição do parênquima, com consequente aumento da complacência pulmonar.

Alterações presentes na DPOC

O aumento da resistência das vias aéreas presente na Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica leva a uma diminuição do recuo elástico, devido as alterações fibróticas no parênquima pulmonar e a obstrução luminal das vias aéreas pelas secreções presentes, contribuindo para um aumento a resistência das vias aéreas. A hiperinsuflação pulmonar causada pela limitação do fluxo aéreo predispõe o paciente à hipóxia, sobretudo durante o esforço, podendo caracterizar em desconfortos de pequeno, médio e grandes esforços, dependendo do grau de evolução da doença.

Sintomas da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

Os pacientes com DPOC possuem sintomas que impactam em sua saúde e na funcionalidade, como:

  • Dispneia crônica e progressiva;
  • Tosse e produção de expectoração que podem desenvolver limitações
  • Diminuição do desempenho de exercícios;
  • Limitações funcionais em membros inferiores;
  • Diminuição da força musculoesquelética.

A gravidade da doença e a dispneia, estão relacionadas diretamente com as limitações e o declínio funcional destes indivíduos.

Como funciona o Método Pilates?

O Método Pilates foi criado pelo Alemão Joseph Hubertus Pilates e era usado desde a I Guerra Mundial para a reabilitação de pessoas feridas. Utilizava exercícios com molas em pacientes que estavam a um longo período acamados. Atualmente o Método é composto por exercícios que visam o condicionamento físico, baseado na respiração. Autores ainda citam a importância do Método para a promoção de resistência e força da musculatura respiratória. Dentre os objetivos do Método Pilates encontram-se o equilíbrio muscular, coordenação da respiração e fortalecimento da musculatura do abdômen, fazendo com que este método se diferencie de outras técnicas de exercícios para hipertrofia muscular. Os princípios do Método são: contração da musculatura que é recrutada durante a realização dos exercícios; controle dos movimentos; centro de força onde se inclui as musculaturas presentes na região abdominal, coluna e glúteos; movimento fluído, sendo o mesmo realizado harmoniosamente; precisão, com movimentos lentos e precisos e respiração sendo coordenada com o exercício. Jesus et al. descrevem que a “respiração” lateral, isto é, uma respiração que evita a expansão da região abdominal, utiliza o tórax e os músculos da caixa torácica, fazendo com que haja a expansão pulmonar, influenciando o volume do pulmão.

Benefícios do Pilates em pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

No estudo de Torri et al., observaram um aumento nas pressões respiratórias máximas – inspiratória e expiratória, no pico de fluxo expiratório e no índice de amplitude axilar. Essa melhora observada ocorreu em virtude da centralização das forças realizadas através da contração isométrica da musculatura abdominal superficial, causando retroversão pélvica. Além disso, outros músculos que auxiliam a inspiração (escalenos, intercostais, peitoral maior e menor, serrátil anterior e esternocleidomastoideo) estão envolvidos nos exercícios do Método. Assim, o Pilates em pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica contribui para o aumento da força muscular inspiratória.

O recrutamento de fibras de músculos profundos através da respiração do Método, que juntamente com a contração abdominal, são os principais fatores responsáveis pelo trabalho de centralização e controle do corpo. Barbosa et al. puderam observar maior nível de amplitude de ativação dos músculos transverso do abdome, oblíquo interno e durante a realização da flexão do tronco associada à respiração típica do Método Pilates. Os achados eletromiográficos em seu estudo também podem contribuir para justificar o aumento da força muscular expiratória. Apesar dos exercícios de Pilates em pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica não serem específico para trabalhar o treinamento de resistência e força muscular respiratória, o trabalho respiratório intenso e um recrutamento constante dos músculos abdominais durante os mesmos, influenciará positivamente no aumento da força muscular respiratória inspiratória e expiratória desses pacientes. Lozano et al também mostrou que pacientes com DPOC apresentaram aumento de mobilidade na região torácica apical ao utilizar exercícios que tinham o objetivo de alongar a musculatura respiratória acessória, promovendo a redução da atividade da musculatura acessória da respiração (superficial). No estudo Doijad et al. relataram um aumento da capacidade vital forçada (CVF) e ventilação voluntária máxima (VVM). As posturas e a respiração empregadas durante o Método favorecem o fortalecimento e a resistência dos músculos respiratórios, e assim apresentam melhor performance nas manobras espirométricas.

Conclusão

Percebemos assim, que exercícios do Método Pilates em pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica podem proporcionar grandes benefícios em seu tratamento graças ao forte trabalho respiratório e recrutamento constante dos músculos abdominais realizando durante a atividade. Contudo, é muito importante que o profissional conheça e domine bem as técnicas e princípios do Método a fim de garantir resultados eficazes em seus pacientes.

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