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Saiba como tratar Lesões Através do Programa de Reabilitação

Saiba como tratar Lesões Através do Programa de Reabilitação
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Um programa de reabilitação no âmbito fisioterapêutico bem projetado, deve abordar os aspectos de vários componentes fundamentais que um atleta lesionado possa retornar aos níveis competitivos ‘pré lesão”.

Esses componentes incluem: minimizar o edema por meio de primeiros socorros adequados e tratamento das lesões iniciais, controlar a dor, restabelecer o controle neuromuscular, desenvolver ou melhorar a estabilidade central, restaurar ou melhorar a amplitude de movimento, restaurar ou aumentar a força muscular e a resistência, recuperar o equilíbrio e o controle postural, manter os níveis de resistência cardiorrespiratória e incorporar as progressões funcionais.

Desta forma, preparei este texto para que você possa entender a importância de um programa de reabilitação dentro do âmbito fisioterapêutico e quais os principais componentes podemos encontrar dentro do mesmo. Confira agora!

Componentes de um Programa de Reabilitação Fisioterapêutica

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Existem diversos componentes que auxiliam para o processo de reabilitação dentro do âmbito fisioterapêutico, auxiliando o profissional da área para realizar um trabalho com eficácia no momento em que for tratar o paciente.

Esses componentes são importantes para que o profissional de fisioterapia consiga realizar uma reabilitação passo a passo, enfatizando cada ponto da mesma conforme as necessidades do paciente.

Além disso, um bom programa de reabilitação fisioterapêutica, ajuda seu paciente a melhorar sua mobilidade mais rápido, levando em conta o seu principal problema e suas atuais dificuldades.

Sendo assim segue abaixo os principais componentes de um programa de reabilitação que irão te auxiliar no tratamento de seu paciente.

Minimizando o Edema Inicial

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O programa de reabilitação começa imediatamente após a lesão. O modo como a lesão é inicialmente tratada sem dúvida tem um impacto significativo no curso do processo de reabilitação. O único problema que todas as lesões têm em comum, independentemente do tipo, é o edema.

O edema é causado por uma série de fatores, incluindo sangramento, produção de líquido sinovial, acúmulo de subprodutos inflamatórios, tumefação ou uma combinação de vários fatores.

Uma vez que o edema tenha ocorrido, o processo de cicatrização é significativamente retardado. A área lesada pode não voltar ao normal até que todo o edema tenha desaparecido. Portando, todo o tratamento de primeiros socorros dessas condições deve ser dirigido a controlar o edema.

Se ele puder ser controlado inicialmente na fase aguda da lesão, o tempo necessário para a reabilitação tem a possibilidade de ser reduzido significativamente. Para controlar e limitar de forma significativa a quantidade de edema, deve ser aplicado o princípio repouso, gelo, compressão e elevação (RICE).

Controlando a Dor

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Quando ocorre uma lesão, o fisioterapeuta deve considerar que o paciente sentirá algum grau de dor.

A extensão da dor será determinada pela gravidade da lesão, resposta individual e percepção da dor pelo paciente e circunstâncias em que ocorreu a lesão. O fisioterapeuta pode modular a dor aguda pela técnica de repouso, gelo, compressão e elevação (RICE), imediatamente após a lesão. O médico também pode prescrever vários medicamentos para aliviar a dor.

A dor persistente pode tornar os exercícios de fortalecimento e flexibilidade mais difíceis e, portanto, interferir no processo de reabilitação. O fisioterapeuta deverá abordar o problema da dor durante cada sessão de tratamento. A utilização de modalidades terapêuticas adequadas, incluindo várias técnicas de crioterapia, termoterapia e correntes elétricas estimulantes, ajudará a modular a dor durante todo o processo de reabilitação.

Restabelecendo o Controle Neuromuscular

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Após a lesão e subsequente repouso e imobilização, o sistema nervoso central “se esquece” de como juntar as informações provenientes dos mecanorreceptores de músculos e articulações e dos inputs cutâneo, visual e vestibular.

O controle neuromuscular  é a tentativa da mente de ensinar ao corpo o controle consciente de um dado movimento. A repetição com sucesso de um movimento padronizado torna o seu desempenho progressivamente menos difícil e, portanto, requer uma menor concentração; eventualmente, o movimento se torna automático.

Restabelecer o controle neuromuscular muitas vezes requer repetições do mesmo movimento por meio de uma progressão passo a passo de movimentos simples para movimentos mais complexos.

Os exercícios de fortalecimento, particularmente aqueles que tendem a ser mais funcionais, são essenciais para restabelecer o controle neuromuscular.

Recuperar o controle neuromuscular significa recuperar a capacidade de seguir um padrão sensitivo previamente estabelecido. O sistema nervoso central compara a intenção e a produção de um movimento específico com as informações armazenadas, ajustando continuamente até que qualquer discrepância no movimento seja corrigida.

Quatro elementos são fundamentais para o restabelecimento do controle neuromuscular, são eles: propriocepção e cinestesia; estabilidade dinâmica; características da preparação e reação muscular; e padrões motores funcionais conscientes e inconscientes.

Reaprender o movimento e o momento funcional normal após a lesão de uma articulação pode exigir vários meses. Utilizar o controle neuromuscular é fundamental em todo o processo de recuperação, mas pode ser mais importante durante os primeiros estágios da reabilitação para evitar novas lesões.

Restabelecer a propriocepção e a cinestesia também deve ser a principal preocupação, em todos os programas de reabilitação. A propriocepção é a capacidade de determinar a posição de uma articulação no espaço; a cinestesia é a capacidade de detectar o movimento. A capacidade de detectar a posição de uma articulação no espaço é mediada por mecanorreceptores encontrados em músculos e articulações e pelos inputs cutâneo, visual e vestibular.

O controle neuromuscular depende do sistema nervoso central para interpretar e integrar as informações proprioceptivas e cinestésicas e então controlar os músculos e articulações individuais para produzir movimentos coordenados.

Mecanorreceptores Articulares

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Os Mecanorreceptores articulares são encontrados em ligamentos, cápsulas, meniscos, labrum e pele.

Os corpúsculos de Ruffini estão nas cápsulas articulares, nos ligamentos e na pele. São sensíveis ao tato, à tensão e possivelmente ao aquecimento, bem como a mudanças da articulação e à frequência e direção dos movimentos da articulação. São mais ativos nos últimos graus da amplitude de movimento.

Os corpúsculos de Pacini da pele respondem à pressão profunda. Os corpúsculos de Merkel da pele respondem à pressão profunda, mas mais lentamente do que os corpúsculos de Pacini. Os corpúsculos de Meissner da pele são ativados pelo tato fino.

As terminações nervosas livres são sensíveis à energia mecânica, térmica ou química extrema. Respondem a estímulos nocivos – em outras palavras, ao dano tecidual real ou intermitente, como exemplo podemos citar as entorses, cortes e queimaduras.

Antes da década de 70, acreditava-se que esses receptores das cápsulas articulares e ligamentos eram os principais responsáveis pela propriocepção articular. Desde então, tem havido um considerável debate sobre o papel dos Mecanorreceptores articulares na propriocepção e se os mecanorreceptores articulares e musculares de fato interagem uns com os outros.

No momento, sabe-se que os mecanorreceptores articulares não são os únicos responsáveis pela determinação da posição articular. O ponto de vista contemporâneo é que, enquanto os mecanorreceptores musculares e articulares trabalham de maneira complementar, os mecanorreceptores musculares desempenham um papel mais importante na indicação da posição articular.

Qualquer receptor único trabalhando separadamente dos outros geralmente é ineficaz na sinalização de informações sobre os movimentos do corpo.

Mecanorreceptores Musculares

Os fusos musculares localizados no músculo são sensíveis a mudanças no comprimento desse músculo; por sua vez, os órgãos tendinosos de golgi, encontrados na junção musculotendínea, são sensíveis a mudanças na tensão muscular.

Desenvolvendo ou Melhorando a Estabilidade Central

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O programa de treinamento da estabilização dinâmica central deve ser um componente importante de todo o programa global de fortalecimento e reabilitação da lesão.

O centro é definido como o complexo lombo-pélvico-quadril. O centro é o local em que está o centro de gravidade e onde todo o movimento começa sendo que, 29 músculos têm inserção no complexo lombo-pélvico-quadril.

Os músculos chave da coluna lombar são o grupo transverso-espinhal, eretores da coluna, quadrado do lombo latíssimo do dorso. Os principais músculos abdominais são reto abdominal, oblíquo externo, oblíquo interno e transverso abdominal. Os músculos chave do quadril são glúteo máximo, glúteo médio e psoas.

O programa de estabilização central melhora o controle postural dinâmico, garante o equilíbrio muscular adequado e o movimento articular em torno do complexo lombo-pélvico-quadril, permite a expressão da força dinâmica funcional e melhora a eficiência neuromuscular de todo o corpo.

Isso permite otimizar a aceleração, desaceleração e estabilização dinâmica de todos os segmentos com funcionamento interligados por todo o corpo, denominada cadeia cinética, durante os movimentos funcionais. Também fornece estabilidade proximal para movimentos eficientes de membros inferiores.

Muitos indivíduos têm desenvolvido força, potência, controle neuromuscular e resistência muscular funcional em músculos específicos que lhes permitem desempenhar atividades funcionais. No entanto, relativamente poucos têm desenvolvido os músculos necessários para a estabilização da coluna.

O sistema de estabilização do corpo deve estar funcionando de forma adequada para o uso eficaz de força, potência, controle neuromuscular e resistência muscular que os indivíduos têm desenvolvido como sendo a parte mais importante. Se os músculos das extremidades são fortes e o centro é fraco, então não haverá criação de força suficiente para produzir movimentos eficientes. Um centro fraco é o principal problema de movimentos ineficientes que levam à lesão.

Um programa de treinamento da estabilização central é projetado para ajudar o indivíduo a ganhar força, controle neuromuscular, potência e resistência muscular no complexo lombo-pélvico-quadril. Essa abordagem facilita o funcionamento muscular equilibrado de toda a cadeia cinética.

O maior controle neuromuscular e a força de estabilização oferecerá uma posição biomecanicamente mais eficiente para toda a cadeia cinética, propiciando assim a eficiência neuromuscular ideal ao longo da cadeia cinética.

Um programa abrangente de treinamento da estabilização central deve ser sistemático, progressivo e funcional.

Ao projetar um programa de treinamento funcional da estabilização central, deve-se selecionar os exercícios adequados para obter uma resposta de treinamento máxima. Os exercícios devem ser seguros, mas desafiadores em vários planos, incorporando uma variedade de equipamentos de resistência (bola suíça, medicine ball, hastes vibratória, colete com peso, halteres, faixas e tubos elásticos, etc.), derivados de habilidades motoras fundamentais e específicos da atividade.

Devemos sempre seguir uma continuidade funcional progressiva para permitir as adaptações adequadas. O paciente inicia com exercícios do mais alto nível em que consegue manter a estabilidade e o controle neuromuscular ideal. Progride então pelo programa conforme consegue o domínio dos exercícios em cada nível.

Conclusão

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Para realizar um bom programa de reabilitação na fisioterapia, é importante estar atento aos componentes que encontram-se presentes nesse método. Assim, será muito mais fácil avaliar seu paciente e tratá-lo de forma correta conforme seus reais objetivos.

Desta forma, tenha sempre um programa de reabilitação e siga-o com destreza para que todos os passos sejam feitos corretamente!

Mas não se esqueça: cada paciente tem uma forma específica para ser tratado, sendo assim, leve em consideração também todos os problemas específicos daquela pessoa, para que um tratamento adequado seja realizado para o mesmo.

Referência

William E. Prentice. Livro Fisioterapia na prática esportiva;

Written by Cleiton Borges dos Santos

Cleiton Borges dos Santos

Graduado em Fisioterapia pela Universidade Metodista de Piracicaba - UNIMEP, possui Pós graduação no método Pilates
Treinamento funcional e Fisiologia do exercício aplicado à Clínica e ao esporte pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP.
Instrutor da VOLL no curso de Capacitação no Método Pilates.
Proprietário e instrutor na Clínica Boa Forma - Atividade Física Supervisionada, há 8 anos.

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