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Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm como característica comum o crescimento desordenado e descontrolado de células, que invadem tecidos e órgãos (INCA, 2019).

O aumento da expectativa de vida acaba trazendo consigo o aumento da incidência de doenças crônicas, dentre elas o câncer. De acordo com a União Internacional contra o Câncer, são esperados 20 milhões de casos novos  para 2020. Assim, a patologia passa a se tornar um problema de saúde pública para o Brasil e o mundo.

Mas você sabia que a praticar exercícios pode ser um grande aliado na busca de amenizar o risco de desenvolver câncer? Continue lendo para entender a relação entre a prática de atividades físicas e câncer!

Relação entre a falta de atividades físicas e câncer

O câncer é uma doença que afeta a vida do indivíduo em todas as esferas biopsicossociais, sendo vista como sinônimo de sofrimento e mesmo de morte (BARBOSA et al., 2004).

Dentre os aspectos biopsicossociais, o paciente vivencia o diagnóstico de uma doença que possui uma evolução agressiva, sintomas debilitantes e um tratamento prolongado com muitos efeitos colaterais. Além disso, o paciente pode enfrentar grandes dificuldades com a mudança na sua rotina, como:

  • Mudança nas atividades de vida diária;
  • Alterações nas atividades laborais;
  • Maior dependência de cuidado de terceiros;
  • E, frequentemente, o isolamento social (COSTA et al., 2000).

Todos esses fatores podem resultar em sofrimento psicológico, através de sintomas como a depressão, ansiedade, tristeza, e também pensamentos de desesperança e incertezas quanto ao futuro; todos esses fatores causam grande impacto na qualidade de vida do indivíduo, naturalmente (AMAR et al., 2002).

Segundo o Instituto Oncoguia, cerca de 63 mil mortes por câncer poderiam ser evitadas através da adoção de hábitos saudáveis como a prática de atividades físicas (INSTITUTO ONCOGUIA, 2019). Isso significa que atividades físicas e câncer estão, sim, interligados, uma vez que os exercícios podem ajudar a amenizar os riscos.  

É definido como uma atividade física qualquer movimento corporal produzido pela musculatura esquelética que resulte em um gasto energético acima dos níveis de repouso (CASPERSEN et al.,1985). A inatividade física, por sua vez, caracteriza-se pelo ato de não praticar atividades físicas além das atividades da vida diária (DEPARTMENT OF  HEALTH AND HUMAN SERVICES,  2008). 

Mas quanto isso realmente impacta a vida das pessoas? Veja abaixo.

Alguns dados sobre as atividades físicas e câncer

No mundo, sabe-se que um em cada três adultos não pratica atividade física suficiente (OMS, 2014). A inatividade física se destaca dentre os fatores de risco mais importantes associados à mortalidade: cerca de 3,2 milhões de pessoas morrem a cada ano em decorrência da falta da prática de atividades físicas (WHO, 2010) e (OMS, 2014).

Ainda, temos que ela é apontada como um importante fator de risco para o desenvolvimento do câncer, principalmente de mama e cólon, sendo responsável por 21% a 25% destes tipos de cânceres (ORTEGA et al.,1998; OMS, 2014).

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que a inatividade física esteja relacionada não só ao desenvolvimento do câncer, mas também a doenças cardíacas coronárias e diabetes tipo 2 (LEE et al., 2012). Além disso, mais de 1,3 milhão de mortes no mundo poderiam ser evitadas a cada ano se a inatividade física fosse reduzida em 25% (WHO, 2010).

Outro ponto que inspira cuidados é o fato de que cerca de 60% a 70% da população no Brasil encontra-se abaixo das recomendações globais da prática de atividades físicas e câncer. Esse quadro de prevalência de inatividade física é um fator apontado como responsável pela alta mortalidade (REZENDE et al., 2014).

Os mecanismos da atividade física

Órgãos governamentais e entidades internacionais de diversos países reconhecem a importância da atividade física, disseminam essas evidências e recomendam em suas diretrizes ações para a promoção da prática de atividades físicas  (IDESPORTO, 2009).

Embora ainda não sejam totalmente estabelecidos os mecanismos mediadores dos efeitos benéficos das atividades físicas em relação ao câncer, evidências apontam diversos indícios mostrando que a atividade física está inversamente relacionada ao risco de desenvolver a doença.

Vários mecanismos foram propostos para explicar a associação existente entre a atividade física e o risco de surgimento de câncer SHEPARD e SHEK, 1995; WOODS e DAVIS, 1994). Vejamos quais são os principais.

Existem mecanismos pelos quais a atividade física apresenta associação inversa (MARUTTI et al., 2008; SHIN et al., 2009), como a modulação do sistema imune. Nesse sentido, ela apresenta a capacidade em aumentar macrófagos, monócitos, granulócitos e linfócitos circulantes, retardando a taxa de crescimento e destruindo as células tumorais (SANTOS; KOIFFMAN, 2013).

Ainda, ela incentiva uma possível redução na produção de estrógeno e progesterona, além de influir no estradiol, considerado um agente causal em algumas formas de câncer de mama.

Um outro mecanismo está relacionado à obesidade, pois a prática de atividades físicas pode reduzir o risco do desenvolvimento do câncer através da redução da quantidade de gordura corporal. Isso evita a obesidade, que é considerada um fator de risco para alguns tipos de câncer – principalmente o de endométrio, de mama e de cólon (SHEPARD e SHEK, 1995; WOODS e DAVIS, 1994, ORTEGA et al., 1998).

Além disso, a prática regular de atividades físicas pode reduzir os níveis de estresse. Tal fator pode estar associado a um efeito benéfico sobre a resistência ao câncer ou até mesmo podendo aumentar a defesa imunológica contra o crescimento tumoral (SHEPARD e SHEK, 1995; WOODS e DAVIS, 1994).

Como inserir atividades físicas no dia a dia

Segundo o Instituto Nacional do Câncer, há recomendações que sugerem que a atividade física seja realizada durante o tempo mínimo de 30 minutos por dia (INCA, 2018). Apesar disso, há evidências que demonstram os benefícios da atividade física, inclusive na prevenção do câncer, mesmo com um tempo inferior a 30 minutos por dia.

A OMS recomenda 150 minutos de atividade de intensidade moderada por semana para adultos. Dessa forma torna-se possível, além de reduzir o risco de câncer, a ocorrência de outros inúmeros benefícios, como:

  • Melhora do condicionamento muscular e cardiorrespiratório;
  • Melhora da integridade óssea e funcional;
  • Redução do risco de hipertensão, doença cardíaca coronária, AVC, diabetes, e depressão;
  • Redução do risco de quedas, bem como de fraturas de quadril ou vertebrais; 
  • Além de ser fundamental para o balanço energético e controle de peso (OMS, 2014).

Conclusão

Políticas para combater a inatividade física já foram adotadas em 56% dos países membros da OMS, que acordaram com uma redução da inatividade física em 10% até 2025 (OMS, 2014).

Portanto, percebemos que a atividade física mostra-se segura e eficaz ao amenizar os casos mortalidades globais provocadas pela inatividade física, inclusive o risco de desenvolver câncer.

Referências

Amar, A., Raport A., Franzi, S. A., Bisordic C., & Lenh C. N. Qualidade de vida e prognóstico nos carcinomas epidermóides de cabeça e pescoço. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, 68, 400-403, 2002.

Barbosa L N F, Santos, D A., Amaral, M X., GONÇALVES, A J, BRUSCATO, W. L. Repercussões psicossociais em pacientes submetidos a laringectomia total por câncer de laringe: Um estudo clínico qualitativo. Revista da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar,7(1), 45-58, 2004.

Caspersen, C. J.; Powwel, K. E.; Christenson, G. M. Physical activity, exercise, and physical fitness: definitions and distinctions for  health-related research. Public Health Reports, v. 100, n. 2, p. 126-130, 1985.

Costa, N S B, Araújo, T C C F., Curado, M P. Avaliação da qualidade de vida de pessoas portadoras de câncer de cabeça e pescoço. Acta Oncológica Brasileira, 20, 96-104,2000.

Department  Of Health  and Human Services. Physical activity guidelines for Americans:  be  active,  healthy,  and  happy!  Washington,  DC:  Secretary  of  Health  and Human Services, 2008.

Instituto Oncoguia. Hábitos saudáveis evitariam 63 mil mortes por câncer por ano, aponta estudo. Acesso em 04 de Agosto de 2019. Disponível em: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/habitos-saudaveis-evitariam-63-mil-mortes-por-cancer-por-ano-aponta-estudo/12674/42/.

Instituto de Desporto de Portugal. Orientações da UE para a promoção da actividade física. Lisboa. [Internet]. 2009. Acesso em 04 de Agosto de 2019. Disponível em: http://www.idesporto.pt/ficheiros/File/Livro_IDPfinal.jan09.pdf.

Instituto Nacional do Câncer. INCA. Atividade física. Acesso em 04 de Agosto de 2019. Disponível:https://www.inca.gov.br/causas-e-prevencao/prevencao-e-fatores-de-risco/atividade-fisica.

Instituto Nacional do Câncer. INCA. O que é câncer?. Acesso em 04 de Agosto de 2019.Disponível em https://www.inca.gov.br/o-que-e-cancer .

Lee, I. M. et al. Effect of physical inactivity on major non-communicable diseases worldwide: an analysis of burden of disease and life expectancy. The Lancet, v. 380, n. 9838, p. 219-229, 2012.

Marutti SS, Willett WC, Feskanich D, Rosner B, Colditz GA. A prospective study of age-specific physical activity and premenopausal breast cancer. J Natl Cancer Inst. 2008; 100(10):728-37.

Santos SS, Koifman S. Câncer de mama em mulheres jovens: incidência, mortalidade e associação com os polimorfismos dos genes NQ01, CYP17 e CYP19. Tese apresentada com vistas à obtenção do título de Doutor em Ciências na área de Saúde Pública e Meio Ambiente. 2013.

Shepard RJ, Shek PN. Cancer, immune function and physical activity. Can J Appl Physiol 1995;20:1. 

UICC. Declaração Mundial Contra o Câncer. Genegra, 2008. Woods JA, Davis JM. Exercise, monocyte/macrophage function and cancer. Med Sci Sports Exerc 1994;26:147.

World Health Organization. Global recommendations on physical activity for health. Genebra. WHO, 2010.