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A Fisioterapia no Tratamento do Câncer de Próstata

A Fisioterapia no Tratamento do Câncer de Próstata
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O Câncer de Próstata é o tipo de câncer mais comum entre homens com idades superiores à 40 anos. Mesmo após o tratamento, é possível que o paciente sinta algumas consequências do câncer, como a Incontinência Urinária e a Disfunção Erétil.

Por mais que o diagnóstico e o tratamento sejam feitos por um médico especializado, as consequências do câncer podem ser revertidas por um profissional de Fisioterapia. Quer saber mais sobre o assunto e descobrir qual o papel da sua profissão neste tipo de doença? Continue lendo este texto para descobrir!

O que é o câncer de próstata?

Usualmente, após os 50 anos, a próstata dos homens tende a ser acometida por algumas doenças como a Hiperplasia benigna e a maligna, esta mais conhecida como Câncer de Próstata.

Em sua forma benigna, a Hiperplasia é caracterizada pela proliferação de células do epitélio e estroma-prostático, formando um tecido adenomatoso. Este crescimento de células, gera um aumento do volume da glândula em torno da uretra. Quando este aumento é muito grande, é possível que afete a função vesical e uretral, atrapalhando o excreção da urina.

Já no Câncer de Próstata, também conhecido como adenocarcinoma de próstata, há alterações de tamanho, forma ou textura do órgão, além de ter presença de células neoplásticas. Se não tratado corretamente e no estágio inicial, pode gerar metástases que podem se espalhar para outras partes do corpo.

Fatores de risco

Comumente, alguns fatores contribuem para o aparecimento do Câncer de Próstata, eles são:

  • Idade (homens com mais de 50 anos)
  • Histórico familiar de Câncer de Próstata
  • Dieta rica em gordura
  • Raça negra

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, a idade é o fator de risco mais comum: pesquisas demonstram que quase 63% dos casos de câncer de próstata ocorrem em homens com mais de 65 anos de idade. Já o histórico familiar aumenta, de 3 a 10 vezes, o risco de se contrair a doença.

Anatomia da próstata

A próstata, localizada logo abaixo da bexiga, é um órgão exclusivo do sistema reprodutor masculino. Formado por músculo liso e também por tecido fibroso, a próstata é atravessada pela primeira parte da uretra, limitada anteriormente pela sínfise púbica e posteriormente pelo reto. O canal responsável pelo transporte da urina também atravessa a próstata.

O órgão é revestido por pequenas glândulas especializadas na produção do líquido seminal, o sêmen. Este é responsável pela proteção e nutrição dos espermatozoides. Normalmente, em um indivíduo adulto e saudável, a próstata mede 3 cm de altura por 2,5 cm de espessura e pesa aproximadamente 20 g.

Como tratar o Câncer de Próstata?

Após o diagnóstico médico – vale reforçar que o diagnóstico deverá ser feito apenas por um profissional de Medicina especializado -, o paciente poderá optar por realizar o tratamento do câncer através de radioterapia, terapia hormonal, quimioterapia ou cirurgia. Vamos conhecer mais sobre cada um desses tratamentos?

Radioterapia

A radioterapia consiste na utilização de radiação para tratamento do Câncer de Próstata. Ela usualmente é realizada em pacientes que possuem poucas condições físicas de fazer uma cirurgia. A radioterapia causa menos efeitos colaterais do que a cirurgia por isso, ela é indicada para homens mais velhos.

Terapia Hormonal ou Hormonioterapia

Esta é uma das opções de tratamento menos efetiva, uma vez que é utilizada apenas para o controle e diminuição dos hormônios masculinos, como a testosterona. Este tratamento serve apenas para que o tumor encolha ou reduza seu ritmo de crescimento.

Quimioterapia

Bastante utilizada para o tratamento de qualquer tipo de câncer, na quimioterapia o paciente é medicado com drogas injetáveis ou por via oral. Estas drogas matam as células cancerígenas, porém também matam células sadias o que gera diversos efeitos colaterais como náusea, vômitos, perda de apetite, queda de cabelos e lesões na boca. Vale lembrar que a quimio não cura o câncer, porém reduz o ritmo de crescimento do tumor.

Cirurgia

As cirurgias para tratamento do Câncer de Próstata podem ser subdivididas em duas categorias: as de ressecção transuretral da próstata (RTP) e as de prostatectomia radical (PR). Abaixo você pode conferir qual a diferença da RTP e da PR!

  • Ressecção transuretral da próstata (RTP) –  é uma cirurgia endoscópica, geralmente realizada em homens que não podem ser submetidos a outros tipos de cirurgias, em homens que sofrem de hiperplasia prostática benigna e para aliviar a dificuldade de urinar.
  • Prostatectomia radical (PR) – é o procedimento cirúrgico mais comum, é utilizada em casos onde há um grande aumento da próstata, em homens que sofrem de carcinoma de próstata. A cirurgia de prostatectomia radical envolve a remoção de toda a glândula e das vesículas seminais.

Quais as consequências do Câncer de Próstata?

O tratamento do Câncer de Próstata – seja cirúrgico, por meio de radioterapia, quimioterapia ou terapia hormonal -, gera algumas consequências para o paciente acometido. Vamos tratar delas neste tópico, continue lendo!

Incontinência Urinária (IU)

O tratamento fisioterapêutico para homens com Câncer de Próstata normalmente é mais influente naqueles pacientes que sofrem com a Incontinência Urinária (IU). Entre 5% a 60% dos homens que realizam a cirurgia na próstata sofrem com a IU pós-prostatectomia. Segundo a Sociedade Internacional de Continência (ICS) define-se como incontinência urinária toda e qualquer perda involuntária de urina.

A Incontinência Urinária aparece quando o indivíduo possui disfunções vesicais, disfunções esfincterianas ou, até mesmo, as duas. Confira abaixo a distinção das duas:

  • Disfunção vesical – nesta, a bexiga é incapaz de armazenar urina em baixas pressões ou gerar uma contração involuntária.
  • Disfunção esfincteriana – quando o mecanismo da bexiga não resiste aos aumentos de pressão do abdômen, levando a incontinência de esforço.

Se você quiser se aprofundar mais no assunto, nós já publicamos um artigo com todas as especificações da Incontinência Urinária, basta clicar aqui para acessar o texto.

Disfunção Erétil

A disfunção erétil aparece quando o vásculo nervoso (aquele responsável pela ereção) é atingido durante o tratamento. Durante três meses ou, até mesmo, um ano, é possível que o paciente não consiga ter uma ereção sem a ajuda de medicamentos. A impotência vai depender muito da idade e do tipo de tratamento: quanto mais jovem o paciente, por exemplo, maiores são as chances dele recuperar sua ereção.

O trabalho do Fisioterapeuta no Tratamento do Câncer de Próstata

O Fisioterapeuta tem papel importante após o tratamento médico do paciente acometido pelo Câncer de Próstata. O profissional precisa estar atento a alguns fatores – mecanismo patológico, importância e tempo pós-operatório -, antes de aplicar o tratamento correto em seu paciente. Depois de analisar esses fatores, é necessário que o paciente entenda a posição e a função do assoalho pélvico.

O tratamento fisioterapêutico deve ser iniciado logo após a retirada da sonda vesical, que ocorre geralmente após dez a vinte dias da cirurgia, pois acredita-se que os exercícios iniciados subitamente aceleram a recuperação da continência urinária. O tratamento fisioterapêutico é dividido em três vertentes diferentes:

Cinesioterapia

A cinescopia nada mais é que a utilização de métodos de treinamento de contração muscular do assoalho pélvico, de forma que o paciente consiga realizar a contração muscular voluntária do assoalho pélvico sozinho.

O treinamento dos músculos do assoalho pélvico garante a eficácia do esfíncter externo da uretra em momentos com grande pressão intra-abdominal. Isso acontece por conta das contrações voluntárias seletivas e repetitivas, assim como o relaxamento durante o treinamento.

Há diversas formas de se realizar este treinamento, inclusive em diversas posições que auxiliam na diminuição progressiva tanto na posição sentada e quanto na ortostática.

Biofeedback

Assim como a cinesioterapia, o Biofeedback também utiliza os músculos do assoalho pélvico para o tratamento da incontinência urinária de esforço, incontinência urinária mista e na hiperatividade vesical.

Neste procedimento, o fisioterapeuta irá mostrar ao seu paciente como fazer o controle motor da musculatura do assoalho, a fim de treiná-lo, fortalecê-lo e aumentar sua resistência assim como coordenar as contrações musculares para a auto regulação.

É realizado um exame a partir de um eletrodo intra-retal capaz de mostrar qual a proporção de contração e relaxamento cada paciente precisa realizar durante o tratamento. Este teste gera resultados totalmente individuais e, também, é capaz de identificar fenômenos fisiológicos ou fisiopatológicos relacionados às disfunções musculares que devem ser tratadas.

Este teste tem como objetivo alcançar, com o uso do biofeedback, a atividade dos esfíncteres, do assoalho pélvico e/ou da bexiga, a fim de torná-la mais perceptível ao paciente.

Eletroestimulação

A eletroestimulação é um tratamento feito por meio do uso de corrente elétrica, podendo ser realizada por via intracavitária ou transcutânea. A eletroestimulação intracavitária é realizada com eletrodo retal ou endoanal e a eletroestimulação transcutânea com eletrodos posicionados no nervo tibial posterior.

Têm-se os seguintes parâmetros para a eletroestimulação:

  • O paciente é instruído a usar o nível máximo de intensidade tolerável durante
    a estimulação;
  • Forma de pulso: onda bipolar retangular ou quadrada;
    Frequência: 50Hz;
  • Largura de pulso de pulso: 200 ms;
  • Relação: contração/relaxamento 1:2;
  • O tratamento deve ser realizado duas vezes por semana no consultório, até que a contração voluntária adequada seja possível.

Conclusão

A Incontinência Urinária e a Disfunção Erétil, consequências diretas do tratamento para o controle e eliminação do Câncer de Próstata, podem ser facilmente revertidas com a ajuda de um profissional de Fisioterapia que esteja devidamente treinado e capacitado para realizar as terapias descritas neste texto.


Referências

DA FONTE, Carolina Miranda; CESAR, Mariana Rodrigues Vieira; COSTA, Thamires Barbosa. REABILITAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA EM PACIENTES COM INCONTINENCIA URINÁRIA APÓS PROSTATECTOMIA RADICAL: Uma Revisão de Literatura. 2012. 37 p. Monografia (Bacharel pelo Curso Fisioterapia)- Faculdade de Pindamonhangaba, Pindamonhangaba, 2012. Disponível em: <http://www.bibliotecadigital.funvicpinda.org.br:8080/jspui/bitstream/123456789/150/1/FonteCesarCosta.pdf>. Acesso em: 09 ago. 2018.

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