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Atualmente a especialização em uma área específica tornou-se mais que uma especialização relacionada a título. Quando procuramos um profissional da saúde sempre achamos um profissional especialista em coluna, profissional especialista em joelho, especialista em pé, etc. A especialização não é um problema, pois quando nos especializamos, na verdade, isso informa ao nosso paciente que nós conhecemos muito daquele determinado segmento, certo?

Entretanto, o que vem acontecendo com freqüência na prática? 

Vocês já observaram que, quando um paciente apresenta dor no joelho, geralmente, ele procura um profissional especialista em joelho para realizar a avaliação. Até aí, tudo certo! Então, o paciente adentra no consultório do especialista em joelho e dar-se início a avaliação através da anamnese. Nesse momento, na maioria dos casos (não em todos, é claro!), sobre qual segmento do corpo o paciente conversa com o especialista? Se vocês responderam joelho, continuem a ler esse texto!

Momento da avaliação

Em diversas vezes, não é perguntado como o paciente dorme, se ele tem ansiedade, qual sua ocupação, se é sedentário, qual tipo de atividade física pratica, qual sua história patológica pregressa, se usa muito computador, em que local da casa estuda, se faz o serviço de casa, se já sentiu alguma dor nas costas, etc… Então você me pergunta: mas e daí? Se eu estou com dor nos joelhos, qual a relevância dessas perguntas para o quadro clínico do paciente? Ok, já respondo a esse questionamento!  

Prosseguindo a avaliação

O profissional agora inicia a avaliação física. Certo! Se você apresenta dor nos joelhos nada mais justo do que fazer a avaliação física nos joelhos! E nesse momento, o profissional realiza uma bateria de exames físicos para menisco, ligamento cruzado, patela, etc. Após isso, ainda há dúvidas sobre o diagnóstico. O paciente mostra então os exames complementares de imagem (só ressaltando aqui que são exames complementares, mas isso é discussão para outro momento). 

A ressonância magnética apresentou um leve desgaste em menisco e na cartilagem femoropatelar. Opa! O que vocês pensariam nesse momento? Será que fecharia um diagnóstico? Pois, como especialista em joelho, o profissional examinou todo o joelho! Revirou o joelho do avesso!  Dando continuidade, baseado na anamnese, na avaliação física e nos exames complementares, foi prescrito reabilitação para o joelho que está com o quadro álgico. 

Diagnóstico e tratamento

E dá-se início então à reabilitação para o joelho!





Após 3 meses de reabilitação somente para o joelho, o relato do paciente é o seguinte: “Ah…a dor já está bem melhor sim! Sinto menos dor para caminhar, já dá para fazer algumas coisas que não fazia antes! Já subo as escadas melhor um pouco! Para descer é que ainda tenho um pouco de medo, mas já está excelente!” E dessa forma, muitas vezes o profissional finaliza com aquele paciente.

Meses depois… 

O mesmo paciente bate à porta do profissional com o mesmo quadro de dor! E ai?! O que você pensaria nesse momento? Eu teria dois questionamentos: 

  1. O paciente não realizou a reabilitação completa; ou seja. O profissional ou o paciente mesmo “se deu alta” precocemente;
  2. O foco da lesão não era o joelho.

Não descartaria a primeira opção, entretanto, vou me ater a segunda resposta para discutirmos.

E quando o foco da lesão não se encontra no segmento que apresenta o quadro álgico?

 Aí você me pergunta: pode acontecer isso? E a resposta é SIM! E é muito mais comum do que se imagina! Por diversas vezes referimos dor em um segmento cuja lesão se origina em outro segmento corporal. E dessa forma, não adianta tratar “o local onde dói” e sim tratar a origem que está causando essa dor. Caso contrário, o paciente voltará ao seu consultório diversas vezes com o mesmo problema, nunca vai melhorar e ficará “refém” de tratamentos e não é isso que queremos para ele.

Tornarmos-nos especializados em uma área não significa ficarmos focado nela! Por que não avaliar a coluna em um paciente que apresenta dor nos joelhos? (agora respondendo àquele questionamento). Por que não avaliar a postura da coluna cervical ou o uso de computador em um paciente que apresenta dor em cotovelo? Por que não avaliar a ansiedade (avaliação básica, pois a avaliação específica é cargo do psicólogo) de um paciente com cervicalgia ou lombalgia? 

Por que não avaliar a história patológica pregressa de um paciente que apresenta torções de tornozelos recorrentes? Todas essas questões se relacionam! E sim, a dor no joelho pode ser originada lá na coluna lombar, por exemplo. Uma das coisas que faz a fisioterapia ser tão especial é o fato de olharmos para o paciente como um conjunto de sistemas funcionais! Cada sistema relaciona-se com outro e influencia seu funcionamento e sua funcionalidade. Como fisioterapeutas, não podemos deixar de ter essa visão global do paciente e da dor!

Conclusão

Se tivesse que partir para um conselho: usem e abusem da avaliação do seu paciente! A avaliação cinético-funcional e/ou postural do fisioterapeuta é o seu diferencial e a base que precisamos para traçar o melhor tratamento para um indivíduo específico. Lembrando que, nós temos a avaliação inicial que é tão importante quanto a avaliação em cada sessão de tratamento. A especialização não serve pra focarmos somente em uma parte do corpo, ela serve para entendermos melhor da área especificada.

Conversem com seus pacientes! Avaliem a evolução da dor e a resposta de cada segmento ao processo de reabilitação. Achem o foco que origina a dor e o estabeleça como prioridade do tratamento. Esse é o nosso guia de reabilitação, não temos fórmulas mágicas, nem receitas de bolo, todo processo é baseado na avaliação. Manter a visão aberta e tirar os olhos apenas da área de especialização é muito importante.

OBS: Essa é uma matéria baseada na opinião da autora, qualquer discordância é aceita e respeitada, pois não há verdades absolutas. Esse é apenas um texto para reflexão. 

Diana de Medeiros Andrade
CRF 33577-F