Junte-se a mais de 150.000 pessoas

Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade!

Qual o seu melhor email?

A doença renal crônica (DRC) é definida pela Sociedade Brasileira de Nefrologia como perda lenta, progressiva e irreversível das estruturas renais, que afetam as funções glomerulares, tubulares e endócrinas dos rins, levando a incapacidade do organismo em manter o equilíbrio metabólico e hidroeletrolítico.

Caracterizada pela presença de alterações funcionais e/ou estruturais dos rins, por um período maior que três meses, apresentando taxa de filtração glomerular (TGF) menor que 60 mL/min./1,73m.

A DRC vem sendo considerada um problema da saúde pública em todo o mundo por suas elevadas taxas de morbimortalidade e impacto sobre os aspectos físicos e biopsicossociais, afetando drasticamente a qualidade de vida dos doentes.

Pensando nisso, preparei esta matéria com os principais tipos de tratamento para Doença Renal Crônica. Continue lendo e conheça mais sobre eles!

Tratamento para Doença Renal Crônica

O tratamento para Doença Renal Crônica objetiva auxiliar os rins a manter a homeostasia pelo maior tempo possível.

Com a deterioração da função renal, faz-se necessária uma intervenção dietética com um cuidadoso controle da ingesta de proteínas (permitidas devem ser de alto valor biológico – laticínios, ovos, carne – para proporcionar os aminoácidos essenciais), da ingesta de líquido (quantidade de líquido permitida é de 500 a 600 ml a mais do que o débito urinário das 24 horas) para contrabalançar as perdas hídricas, da ingesta de sódio para contrabalançar as perdas de sódio e uma certa restrição de potássio e fosfato.

Ao mesmo tempo, deve-se assegurar uma ingesta calórica adequada e uma complementação vitamínica.

De maneira geral, inicia-se a diálise como forma de tratamento para Doença Renal Crônica quando o paciente não consegue manter o estilo de vida habitual com o método conservador.

Infelizmente, nem todos os pacientes são candidatos a diálise ou a transplante devido a problemas psicológicos graves, isquemias, complicações vasculares do diabetes e idade avançada.

Tipos de Diálise

Há dois tipos de diálise – hemodiálise (HD) e diálise peritoneal (DP), ambos os tipos envolvem o uso de um líquido usado para filtrar as impurezas no sangue, as toxinas e os líquidos passam do sangue através de uma membrana semipermeável.

Princípios Fisiológicos da Diálise

A diálise é um processo do tratamento para Doença Renal Crônica pelo qual a composição dos solutos de uma solução A é alterada pela exposição da solução A a uma segunda solução B através de uma membrana semipermeável.

As moléculas de água e os solutos de baixo peso molecular das duas soluções podem passar através dos poros da membrana e, portanto, misturam-se, enquanto os solutos maiores (tais como as proteínas) não poderão passar através dessa membrana semipermeável e, assim, as quantidades de solutos de alto peso molecular existentes a cada lado da membrana permanecerão sem modificações.

O transporte dos solutos acontecerão de duas maneiras:

  • Difusão: transporte de solutos através de uma membrana semipermeável, obedecendo o gradiente de concentração e o peso molecular do soluto;
  • Ultrafiltração: transporte de água através do gradiente de pressão da transmembrana com a passagem de água do lado maior para o de menor pressão.

Diálise Peritoneal

A diálise peritoneal utiliza o peritônio como uma membrana permeável natural para realização do equilíbrio de água e solutos.

A técnica é menos fisiologicamente estressante para o paciente, não requer acesso vascular que podem apresentar inúmeras complicações, pode ser realizado em casa e por esta razão permitem aos pacientes maior flexibilidade para sua realização.

Embora, com tantas vantagens a técnica requer muito mais envolvimento do paciente do que em um centro de hemodiálise, a realização precisa ser cuidadosa e é de grande importância a manutenção estéril.

A diálise peritoneal pode ser feita manualmente ou utilizando um aparelho automático (periódica, noturna ou contínua), e em geral, o dialisado é instilado através de um cateter no espaço peritoneal, permanece por um período e depois é drenado. Na técnica de bolsa dupla, o paciente drena o líquido instilado no abdome em uma bolsa e depois infunde líquido de outra bolsa na cavidade peritoneal.

Qualidade de vida dos pacientes

Embora os diferentes métodos dialíticos de tratamento para Doença Renal Crônica sejam equivalentes em questões relacionadas à reabilitação dos pacientes e mortalidade, a qualidade de vida precisa ser avaliada.

No estudo de Gonçalves et al., foi possível observar que a DP se demonstrou mais favorável a melhor qualidade de vida do paciente, por apresentar três variáveis significativas (trabalho, satisfação do paciente e menor contato com a equipe – menor probabilidade de vivenciarem situações de estresse), enquanto a HD apresentou duas variáveis significativas (função emocional e física).

Porém, deve-se levar em consideração que os dois quesitos significativos na HD, são mais relevantes para a qualidade de vida no cotidiano do paciente fora da clínica.

Conclusão

As terapias substitutivas renais (TSR), hemodiálise e diálise peritoneal, como tratamento para Doença Renal Crônica representam, na maioria das vezes, uma esperança de vida para os que a ela submetem-se, já que a doença caracteriza-se como um processo irreversível. 

O tratamento conservador (remédios, TSR, modificações na dieta e estilo de vida) podem ser utilizadas para retardar a piora da função renal ou estabilizar sua progressão, reduzir os sintomas (mal-estar geral e fadiga, prurido e pele seca, cefaleia, perda de peso não intencional, perda de apetite e náuseas), prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida desses pacientes.

Adaptar-se a essa nova realidade não é um processo fácil e nem muito tranquilo, os profissionais de saúde envolvidos no tratamento do paciente devem compreender e auxiliar o indivíduo em todos os aspectos, bem como sua família.

Referências

ARAÚJO, J. B. et al. Cotidiano de pacientes renais crônicos submetidos à hemodiálise: expectativas, modificações e relações sociais. Revista de Pesquisa: Cuidado é Fundamental [On-line], v.8, n.4, p.4996-5001, 2016.

BORGES, P.; EHRHARDT, A. Avaliação de marcadores de lesão renal em pacientes diabéticos submetidos à hemodiálise em um hospital do norte do estado do Rio Grande do Sul. RBAC. v.50, n.3, p.215-20, 2018.

GONÇALVES, F. A. et al. Qualidade de vida de pacientes renais crônicos em hemodiálise ou diálise peritoneal: estudo comparativo em um serviço de referência de Curitiba – PR. J Bras Nefrol., v.37, n.4, p.467-474, 2015.

KOCK, K. S.; NETO, J. A. B.; BORGES, L. P. Fatores de risco modificáveis na sobrevida de pacientes submetidos à hemodiálise. J. Health Biol Sci.,  v.7, n.1, p.14-20, 2019.

LARA, C. R.; SANTOS, F. A. O. G. S.; SILVA, T. J.; CAMELIER, F. W. R. Qualidade de vida de pacientes renais crônicos submetidos à fisioterapia na hemodiálise. Revista Ciência & Saúde, Porto Alegre, v. 6, n. 3, p. 163-171, 2013.