Junte-se a mais de 150.000 pessoas

Entre para nossa lista e receba conteúdos exclusivos e com prioridade!

Qual o seu melhor email?

Câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm como característica comum o crescimento desordenado e descontrolado de células, que invadem tecidos e órgãos.

O aumento da expectativa de vida acaba trazendo consigo o aumento da incidência de doenças crônicas, dentre elas o câncer. São esperados, para 2020, 20 milhões de casos novos segundo a União Internacional contra o Câncer, tornando assim, um problema de saúde pública para o Brasil e para o mundo.

Mas você sabia que a prática de atividade físicas pode estar ligada a prevenção e ao combate? Continue lendo e veja como!

Relação entre a inatividade física e o câncer

 O câncer é uma doença que afeta a vida do indivíduo em todas as esferas biopsicossocial, sendo vista como sinônimo de sofrimento e morte.

Dentre os aspectos biopsicossociais, o paciente vivencia o diagnóstico de uma doença que possui uma evolução agressiva, sintomas debilitantes e um tratamento prolongado com muitos efeitos colaterais. Além disso, o paciente pode enfrentar grandes dificuldades como mudança na sua rotina, incluindo as atividades de vida diária, atividades laborais, maior dependência de cuidado de terceiros, além de isolamento social.

Todos esses fatores podem resultar em sofrimento psicológico, através de sintomas de depressão, ansiedade, tristeza, e também pensamentos de desesperança e incertezas quanto ao futuro; fatores esses que causam grande impacto na qualidade de vida do indivíduo.

Segundo o Instituto Oncoguia, cerca de 63 mil mortes por câncer poderiam ser evitadas através da adoção de hábitos saudáveis como a prática de atividades físicas.

Atividade física é definida como qualquer movimento corporal produzido pela musculatura esquelética resultando num gasto energético acima dos níveis de repouso, enquanto que, a inatividade física caracteriza-se pelo ato de não praticar atividades físicas além das atividades da vida diária.

No mundo, sabe-se que um em cada três adultos não pratica atividade física suficiente. Dentre os fatores de risco mais importantes associados a mortalidade, a inatividade física se destaca, cerca de 3,2 milhões de pessoas morrem a cada ano em decorrência da falta de atividade física.

A falta de atividade física é apontada como um importante fator de risco para o desenvolvimento do câncer, principalmente de mama e cólon sendo responsável por 21-25 % destes tipos de cânceres.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que a inatividade física esteja relacionada não só ao desenvolvimento do câncer, mas também com doenças cardíacas coronárias e diabetes tipo 2. E ainda, mais de 1,3 milhões de mortes no mundo poderiam ser evitadas a cada ano, se a inatividade física fosse reduzida em 25% .

Aproximadamente 60%-70% da população no Brasil, encontra-se abaixo das recomendações globais de Atividade Física, esta prevalência de inatividade física é fator apontado como responsável pela alta mortalidade.

Órgãos governamentais e entidades internacionais de diversos países reconhecem a importância da atividade física, disseminam essas evidências e recomendam em suas diretrizes ações para a promoção da atividade física.

Embora ainda não seja totalmente estabelecido os mecanismos mediadores dos efeitos benéficos do treinamento físico contra o câncer, evidências apontam diversos indícios em relação à atividade física estar inversamente relacionada ao risco de desenvolver a doença.

Vários mecanismos foram propostos para explicar a associação existente entre a atividade física e o risco de surgimento de câncer.

 Existem mecanismos pelos quais a atividade física apresenta associação inversa, como a modulação do sistema imune, que apresenta a capacidade em aumentar macrófagos, monócitos, granulócitos e linfócitos circulantes, retardando a taxa de crescimento e destruindo as células tumorais. A possível redução na produção de estrógeno e progesterona. Além de influir no estradiol, considerado um agente causal em algumas formas de câncer de mama.

 Um outro mecanismo está relacionado a obesidade. Uma vez que o, o exercício pode reduzir o risco do desenvolvimento do câncer através de redução da quantidade de gordura corporal, evitando assim a obesidade, que é considerada um fator de risco para alguns tipos de câncer, principalmente o de endométrio, de mama e de cólon.

Além disso a atividade física regular pode reduzir os níveis de estresse, que pode estar associado a um efeito benéfico sobre a resistência ao câncer, ou até mesmo podendo aumentar a defesa imunológica contra o crescimento tumoral.

Como inserir atividades físicas no dia a dia

Segundo o Instituto Nacional do Câncer há recomendações que sugerem que a atividade física seja realizada no mínimo 30 minutos por dia, mas há evidências que demonstram os benefícios da atividade física, inclusive na prevenção do câncer, com um tempo inferior a 30 minutos por dia.

A OMS recomenda 150 minutos de atividade de intensidade moderada por semana para adultos, que além de reduzir o risco de câncer, apresenta outros inúmeros benefícios, como: melhorar o condicionamento muscular e cardiorrespiratório; melhorar a integridade óssea e funcional;  reduzir o risco de hipertensão, doença cardíaca coronária, AVC, diabetes, e depressão;  reduzir  o risco de quedas, bem como de fraturas de quadril ou vertebrais; além de ser  fundamental para o balanço energético e controle de peso.

Conclusão

Políticas para combater a inatividade física foram adotadas em 56% dos Países Membros da OMS, que acordaram com uma redução da inatividade física em 10% até 2025.

Portanto a atividade física mostra-se segura e eficaz em reduzir mortalidades globais provocadas pela inatividade física, inclusive o risco de desenvolver câncer.

 

Referências

Amar, A., Raport A., Franzi, S. A., Bisordic C., & Lenh C. N. Qualidade de vida e prognóstico nos carcinomas epidermóides de cabeça e pescoço. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, 68, 400-403, 2002.

Barbosa L N F, Santos, D A., Amaral, M X., GONÇALVES, A J, BRUSCATO, W. L. Repercussões psicossociais em pacientes submetidos a laringectomia total por câncer de laringe: Um estudo clínico qualitativo. Revista da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar,7(1), 45-58, 2004.

Caspersen, C. J.; Powwel, K. E.; Christenson, G. M. Physical activity, exercise, and physical fitness: definitions and distinctions for  health-related research. Public Health Reports, v. 100, n. 2, p. 126-130, 1985.

Costa, N S B, Araújo, T C C F., Curado, M P. Avaliação da qualidade de vida de pessoas portadoras de câncer de cabeça e pescoço. Acta Oncológica Brasileira, 20, 96-104,2000.

Department  Of Health  and Human Services. Physical activity guidelines for Americans:  be  active,  healthy,  and  happy!  Washington,  DC:  Secretary  of  Health  and Human Services, 2008.

Instituto Oncoguia. Hábitos saudáveis evitariam 63 mil mortes por câncer por ano, aponta estudo. Acesso em 04 de Agosto de 2019. Disponível em: http://www.oncoguia.org.br/conteudo/habitos-saudaveis-evitariam-63-mil-mortes-por-cancer-por-ano-aponta-estudo/12674/42/.

Instituto de Desporto de Portugal. Orientações da UE para a promoção da actividade física. Lisboa. [Internet]. 2009. Acesso em 04 de Agosto de 2019. Disponível em: http://www.idesporto.pt/ficheiros/File/Livro_IDPfinal.jan09.pdf.

Instituto Nacional do Câncer. INCA. Atividade física. Acesso em 04 de Agosto de 2019. Disponível:https://www.inca.gov.br/causas-e-prevencao/prevencao-e-fatores-de-risco/atividade-fisica.

Instituto Nacional do Câncer. INCA. O que é câncer?. Acesso em 04 de Agosto de 2019.Disponível em https://www.inca.gov.br/o-que-e-cancer .

Lee, I. M. et al. Effect of physical inactivity on major non-communicable diseases worldwide: an analysis of burden of disease and life expectancy. The Lancet, v. 380, n. 9838, p. 219-229, 2012.

Marutti SS, Willett WC, Feskanich D, Rosner B, Colditz GA. A prospective study of age-specific physical activity and premenopausal breast cancer. J Natl Cancer Inst. 2008; 100(10):728-37.

Santos SS, Koifman S. Câncer de mama em mulheres jovens: incidência, mortalidade e associação com os polimorfismos dos genes NQ01, CYP17 e CYP19. Tese apresentada com vistas à obtenção do título de Doutor em Ciências na área de Saúde Pública e Meio Ambiente. 2013.

Shepard RJ, Shek PN. Cancer, immune function and physical activity. Can J Appl Physiol 1995;20:1. 

UICC. Declaração Mundial Contra o Câncer. Genegra, 2008. Woods JA, Davis JM. Exercise, monocyte/macrophage function and cancer. Med Sci Sports Exerc 1994;26:147.

World Health Organization. Global recommendations on physical activity for health. Genebra. WHO, 2010.