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As cirurgias abdominais são grandes responsáveis por grandes complicações pulmonares, promovendo uma redução de 50% a 60% da capacidade vital (CV) e de 30% da capacidade residual funcional (CRF), causadas por disfunção do diafragma, dor no período pós-operatório (PO) e colapso alveolar, tornando as alterações respiratórias no pós operatório algo comum.

A maioria das alterações respiratórias no pós operatório se instalam devido aos diversos fatores relacionados aos procedimentos cirúrgicos como: 

  • tipo de cirurgia;
  • dor no local da incisão;
  • tempo prolongado de cirurgia;
  • e anestésico além do tempo de permanência no leito

causam efeitos expressivos no sistema respiratório prejudicando a troca gasosa e a mecânica pulmonar. 

Tipos de cirurgias mais comuns 

  • Colecistectomia – retirada cirúrgica da vesícula biliar;
  • Apendicectomia – técnica cirúrgica para para remoção do apêndice inflamado ou infectado;
  • Colectomia – ressecção cirúrgica de uma parte ou da totalidade do intestino grosso;
  • Gastrectomia – ressecção parcial ou total do estômago;
  • Esofagectomia – excisão de parte do esôfago;
  • Gastroplastia – também chamada de cirurgia bariátrica, cirurgia da obesidade ou ainda de cirurgia de redução do estômago, é, literalmente, a plástica do estômago;
  • Abdominoplastia – procedimento cirúrgico estético realizado para remover gordura e pele em excesso do abdômen, geralmente por causas estéticas;

Complicações pulmonares – alterações respiratórias no pós operatório

As complicações pulmonares incluem: atelectasias, pneumonia, infecções traqueobrônquicas, agudização de patologia pulmonar crônica prévia e broncoespasmo. Causando as alterações respiratórias no pós operatório.

Além de excesso de secreções brônquicas, ruído respiratório anormal, tosse produtiva, e hipoxemia.

A fisiopatogênese desses distúrbios está relacionada com a inibição reflexa do nervo frênico, induzindo a disfunções diafragmáticas – perda da força e a resistência muscular. 

A força muscular respiratória chamada de pressões respiratórias máximas são os parâmetros clínicos usados para avaliar a força e a resistência dos músculos respiratórios e apresentam-se alterados nesses pacientes.

Observa-se também uma redução significativa da função pulmonar desses pacientes, com alterações na capacidade vital forçada (CVF), volume expiratório forçado no 1 segundo (VEF1) e no pico de fluxo expiratório (PEF), ocasionados pela interferência do procedimento cirúrgico nos músculos respiratórios por uma série de mecanismos como as alterações do controle neural, a integridade muscular, dos mecanismos reflexos, alterações no comprimento-tensão, na mecânica tóraco-abdominal, o próprio anestésico e a dor pós-operatória.

A diminuição do transporte de secreção também fica comprometida pelo uso de anestésicos, o aumento de muco pela irritação traqueal em função da intubação (durante o ato cirúrgico), diminuição da força muscular tornando a respiração mais superficial com ausência de suspiros respiratórios. 

Outras alterações pulmonares no pós operatório importantes:

Volumes e capacidades pulmonares:

A respiração superficial leva à hipoventilação, há uma diminuição da capacidade residual funcional (CRF) com alteração mínima do volume de expiratório (VE).

Padrão ventilatório:

As alterações na parede abdominal e a disfunção diafragmática alteram a mecânica ventilatória conferindo-lhe características restritivas, com diminuição da capacidade vital (CV), do volume corrente (VC), do VEF1 e da CRF. 

Para compensar a menor eficácia ventilatória, a retenção de CO2 e o menor VC, há um aumento da frequência respiratória (FR). O volume minuto (VM) é mantido ou aumentado a custo de um maior trabalho respiratório e consumo de O2. 

Alterações nas trocas de gasosas:

Assincronismo na relação ventilação/perfusão que dificulta as trocas gasosas – hipoventilação.  

Alterações nos mecanismos de defesa pulmonar:

A clearance mucociliar fica comprometida pela entubação orotraqueal durante o procedimento, ocorrendo pela ação dos anestésicos e pela ventilação com gás seco. 

O reflexo de tosse fica comprometido pelo uso opiáceos e sedativos e a dor compromete a tosse tanto na fase inspiratória como na fase de expulsão, desta forma, cria-se um ambiente propício para a proliferação de bactérias, aliada à depressão do sistema imunológico gerado pelo stress cirúrgico, favorecendo a ocorrência de infecções respiratórias. 

Prevenção de alterações respiratórias no pós operatório  

Devem iniciar antes do ato cirúrgico por parte do cirurgião ao escolher o tipo de cirurgia adequado para o paciente assim como uma ideal incisão. 

O fisioterapeuta tem papel essencial na avaliação respiratória minuciosa assim como promover tratamento para ganho e manutenção da força muscular respiratória e endurance, além de recuperar toda função pulmonar.

Os pacientes com idade avançada, desnutrição, obesidade, tabagismo, doença pulmonar obstrutiva (DPOC), insuficiência cardíaca, doença arterial coronária, alterações neurológicas e deformidades da caixa torácica apresentam risco potencial para complicações pós-operatória. 

Fisioterapia no pré operatório 

No pré-operatório a fisioterapia tem como objetivo otimizar a condição clínica do paciente, prevenir complicações recorrentes do PO, reduzir a morbidade e a mortalidade perioperatória. 

Uma boa anamnese e exame físico são as mais importantes etapas na avaliação pré-operatória para estimar o risco cardíaco, as complicações pulmonares e/ou infecciosas além de determinar a capacidade funcional do paciente. 

Fisioterapia no pós operatório 

A fisioterapia na fase pós-operatória tem como principais objetivos prevenir as complicações pulmonares, circulatórias e musculoesqueléticas, recuperar a capacidade funcional, promover melhor capacidade cardiopulmonar, trabalhar volumes e capacidades pulmonares e restituir suas atividades rotineiras. 

No PO imediato a fisioterapia atua na unidade de terapia intensiva com a finalidade de controlar e ajustar  a condição ventilatória por meio da oxigenoterapia ou ventilação mecânica, além de acelerar o processo de desmame.

A queda da saturação de oxigênio também está presente no período pós-operatório, com causa multifatorial e engloba a sinergia entre a doença do paciente, os efeitos da anestesia, a área cirúrgica, as alterações causadas pelo procedimento cirúrgico, idade dos pacientes e o tipo de analgesia empregada no pós-operatório. 

Estes fatores podem contribuir em baixos volumes inspiratórios, o que também explica o aumento da frequência respiratória como forma de compensação frente ao padrão respiratório superficial.

A fraqueza dos músculos respiratórios e o comprometimento da função pulmonar podem ser um fator de risco para o desenvolvimento de complicações. 

Em cirurgias de grande porte observa-se diminuição de 32% na pressão inspiratória máxima (Pimáx) e 42% na pressão expiratória máxima (Pemáx), comprometendo de forma significativa a condição ventilatória do paciente. 

Assim, torna-se importante a avaliação da força dos músculos respiratórios por meio do manovacuômetro (Pimáx e Pemáx), dos volumes pulmonares pela ventilometria e da função pulmonar pela espirometria, para obtenção de parâmetros importantes para melhor resultado no tratamento pulmonar.

As complicações pulmonares apresentam-se como a segunda complicação mais frequente no período pós-operatório, sendo suplantadas somente pelas infecciosas e seguidas pelas cardíacas. 

Conclusão

A fisioterapia possui relevante importância para prevenção e diminuição das complicações pulmonares e hospitalares, reduzindo o tempo de internação dos pacientes pós cirúrgicos, diminuindo consequentemente os custos hospitalares além, propiciar uma evolução rápida e satisfatória.

As alterações respiratórias no pós operatório podem ser evitadas com um bom acompanhamento e investimento na prevenção da ocorrência. 

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