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As náuseas e vômitos causados por quimioterapia são sintomas que provocam grande impacto na qualidade de vida (QV) de pacientes submetidos ao tratamento. Estes desagradáveis sintomas estão presentes em cerca de 70% a 80% dos pacientes em quimioterapia, tornando o tratamento desconfortável e muito temeroso para pacientes a ela submetidos (GIGLIO, 1998).

É importante ressaltar que náuseas e vômitos não são sinônimos. Enquanto a náusea é uma sensação desagradável associada à necessidade de vomitar, o vômito é a expulsão forçada de conteúdo gástrico pela boca (ROSCOE e MATTERSON, 2002). 

Mas como a fisioterapia pode auxiliar na diminuição das náuseas e vômitos causados por quimioterapia? É o que você descobrirá neste artigo. 

As origens das náuseas e vômitos causados por quimioterapia

Segundo Giglio (1998), náuseas e vômitos causados por quimioterapia são apontados como fator potencial no abandono do tratamento. Em alguns casos estes sintomas podem ser tão desagradáveis que os pacientes podem considerar esses efeitos adversos piores do que o câncer propriamente dito. Como consequência, os pacientes podem rejeitar o tratamento adicional, potencialmente curativo.

Existem vários fatores que predispõem o surgimento de náuseas e vômitos causados por quimioterapia, como:

  • A idade, sendo os adultos mais comumente afetados;
  • O sexo, sendo o feminino predominante por questões hormonais.

Além disso, outros pontos como a obesidade, o jejum prolongado, a ansiedade, doenças associadas a gastroparesia, irritação e distensão do estômago que também atuam nesse sentido (BOSCH, 2005).

Os quimioterápicos, devido ao seu elevado nível de toxicidade, são uma das principais causas de náuseas e vômitos. Entenda como eles funcionam no organismo.

A ação dos quimioterápicos

De acordo com Feldman (1989), grande parte das drogas quimioterápicas atua na zona de gatilho do 4° ventrículo, induzindo os sintomas. Eles existem em diversos graus de emetogenicidade, sendo os de médio e alto grau os mais consideráveis e responsáveis por desencadear os sintomas de náuseas e vômitos causados por quimioterapia.

As drogas de médio grau emetogênico apresentam risco moderado (30% a 90% risco de êmese). São elas:

  • Carboplatina;
  • Carmustina;
  • Ciclofosfamida (750-1500 mg/m);
  • Citarabina;
  • Doxorrubicina;
  • Epirrubicina;
  • Idarrubicina;
  • Ifosfamida;
  • Mitoxantrona;
  • Procarbazina;
  • E estreptozocina.

As drogas de alto grau emetogênico, por sua vez, são caracterizadas pelo alto risco (99% risco de êmese). De acordo com Baracat et al. (2000), fazem parte deste grupo:

  • Cisplatina;
  • Dacarbazina;
  • Hexametilmelamina;
  • Mecloretamina;
  • Ciclofosfamida (>1500mg/m);
  • E algumas combinações entre quimioterápicos.

Os tradicionais antieméticos existem para minimizar as náuseas e vômitos. Apesar disso, além de possuir efeitos colaterais indesejáveis, na maioria das vezes estão associados a custos um pouco mais elevados.

Por isso, é importante que busquemos novas maneiras de tratar as náuseas e vômitos causados por quimioterapia, e a fisioterapia oncológica tem diversos recursos para isso. Veja alguns abaixo.

Novas possibilidades para evitar as náuseas e vômitos causados por quimioterapia

Diante da grande incidência de náuseas e vômitos causados por quimioterapia associadas aos efeitos colaterais das drogas antieméticas, surge a necessidade de buscar novas abordagens não farmacológicas ao tratamento. Algumas delas são:

  • A acupuntura;
  • Acupressão, que é determinada pela dígito-pressão em pontos estratégicos de acupuntura;
  • Eletroacupuntura, terapêutica que utiliza aparelhos elétricos conectados às agulhas, transmitindo estímulos aos pontos de acupuntura;
  • E até mesmo recursos fisioterapêuticos, como a eletroterapia, através da estimulação elétrica transcutânea (TENS).

Este último, o uso de correntes elétricas terapêuticas, constitui um dos vários recursos utilizados na fisioterapia. De acordo com a modulação de diversos parâmetros, estas correntes podem atuar em diferentes condições.

Elas podem ser benéficas para a analgesia, contrações musculares, melhoria do fluxo circulatório local, drenagem de líquidos, tonificação e relaxamento muscular, regeneração e a cicatrização de tecidos corporais. Além disso, elas também promovem efeitos antieméticos – apesar disso ser menos conhecido e pouco explorado (STARKEY, 2001; KITCHEN, 2003).

Por isso, a TENS pode ser uma boa alternativa para evitar as náuseas e vômitos causados por quimioterapia. Vamos entender mais sobre ela?

TENS: uma alternativa segura e eficaz

Diversos estudos demonstram o uso da TENS no controle de dor oncológica em estágios diferentes da doença e, consequentemente, na prevenção das náuseas e vômitos causados por quimioterapia.

Além disso, até o presente momento não foi encontrado na literatura nenhum trabalho ou teoria que sustenta a hipótese da TENS interferir no processo de metástases, possivelmente por ter propriedade atérmica (WATSON,2000; ROBERTSON et al., 2009; KAYE, 2008; TRIBOLI, 2003). Dessa forma, ela torna-se um recurso seguro para pacientes oncológicos.

O uso da TENS no controle de náuseas e vômitos causados por quimioterapia já tem sido demonstrado em alguns estudos com diversos parâmetros e diferentes resultados. A grande maioria utiliza-se da estimulação do ponto P6 da acupuntura, também conhecido como nervo mediano, e culmina numa redução significativa destes sintomas.

Isso evidencia que a TENS é um método seguro e eficaz, podendo inclusive potencializar o efeito dos antieméticos administrados durante a quimioterapia TONEZZER, 2009; GAN et al.; 1996; UNTURA, 2012; IKETANI et al. 2010).

Além disso, ela tem se mostrado uma técnica com muitas vantagens. Isso porque ela é prática, não invasiva, tem poucas restrições e nenhum efeito colateral e não interfere nos efeitos dos medicamentos administrados (MELO et al., 2006). Ainda, o fato da TENS ser um recurso não invasivo é bastante vantajoso se comparado ao uso de outras técnicas não farmacológicas, porém invasivas, como acupuntura e eletroacupuntura.

Por fim, também deve-se levar em consideração que pacientes com câncer costumam ter o risco de infecções mais elevado, decorrentes da própria quimioterapia. Por isso, é recomendado evitar perfurações com o objetivo de prevenir tais complicações (HOSPITAL DO CÂNCER AC CAMARGO, 2011; GUIA PRÁTICO PARA PACIENTES ONCOLÓGICOS CENTRO DE COMBATE AO CÂNCER, 2010).

Conclusão

Sabemos da importância de promover o melhor tratamento possível para nossos pacientes. Especialmente quando tratamos sobre o câncer, é essencial buscar maneira que evitem sintomas tais quais as náuseas e vômitos causados por quimioterapia.

Nesse sentido, a fisioterapia através do uso da TENS promove uma melhor qualidade de vida ao paciente oncológico através de um melhor bem-estar físico. Trata-se de uma ótima opção para cuidar de quem precisa de maneira segura e eficaz.

Referências: 

BARACAT, F F; FERNADES, HJ; SILVA, MJ. Cancerologia atual: um enfoque multidisciplinar. São Paulo: Roca, 2000.

BOSCH, J E V D. Does measurement of preoperative anxiety have added value predicting postoperative nausea and vomiting? Anesthesiology Analog. (100.) :1525-1532, 2005.

FELDMAN, M. Gastrointestinal Disease, 4ª Ed, Philadelphia. WB Saunders Company; 1989.

GIGLIO, A M A. Novos avanços no controle de náusea pos quimioterapia antineoplásica. Rev. Bras. Mastol, v. 8, p.196-204, 1998.

GAN, F J; GINSBERG, B; GRANT, A P et al – Double blind, randomized comparison of ondansetron and intraoperative propofol to prevent postoperative nausea and vomiting. Anesthesiology. 85:1036-1042, 1996.

GUIA PRÁTICO PARA PACIENTES ONCOLÓGICOS CENTRO DE COMBATE AO CÂNCER São Paulo, 2010. Disponível em :. Acesso em 9 de Junho de 2020.

HOSPITAL DO CANCER AC CAMARGO, 2011. Disponível em:< http://www.hcanc.org> Acesso em: Junho de 2020.

IKETANI, EO; CARVALHO, LEW; PINHEIRO, SC; BARBOSA, DRL; FARIA, JGR. Uso da Estimulação Elétrica Nervosa Transcutânea (TENS) no ponto de acupuntura P6 como terapia auxiliar no controle de náuseas e vômitos decorrentes da quimioterapia em pacientes com neoplasia colorretal avançada: Relato de Caso. Anais do V Congresso Brasileiro da e Fisioterapia em Cancerologia, São Paulo- SP, 21 a 23 de Out de 2010. Disponível em . Acesso em 9 de Junho de 2020.

KAYE, V. Transcutaneous electrical nerve stimulation. E-medicine from webmd; 2008. Disponível em: http://emedicine.medscape.com/article/325107-overview, Acesso em 9 de  Junho de 2020.

KITCHEN, S. Eletroterapia: Prática Baseada em Evidências. São Paulo: Manole, 2003.

MELO, P G; MOLINERO, P V; DIAS, R O; MATTEI K. Estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) no pós-operatório de cesariana. Revista Brasileira de Fisioterapia. 10(2):219-24, 2006.

ROBERTSON, V, WARD A, LOW J, REED A. Eletroterapia explicada: princípios e prática. 4ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2009.

ROSCOE, J A; MATTERSON S E. Acupressure and acustimulation bands for control of nausea: a brief review. Am J Obstet Gynecol. 185: 244-7, 2002.

STARKEY, C. Recursos terapêuticos em fisioterapia. 1ª ed. Manole, São Paulo. 380-82, 2001.

TRIBOLI, RA. Análise critica atual sobre a tens envolvendo parâmetros de estimulação para o controle da dor [dissertação de mestrado]. Ribeirão Preto: Universidade de São Paulo, Curso de Bioengenharia, Programa de Pós-Graduação Interuinidades em Bioengenharia; 2003.

UNTURA, LP. CONTI,LR. VIEIRA, C. et al. Estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) no controle de náuseas e vômitos pós-quimioterapia. Revista Unincor. v. 10, n. 2 (2012). Disponível em http://periodicos.unincor.br/index.php/revistaunincor/article/view/647. Acesso em 9 de Junho de 2020.

WATSON, T. The role of electrotherapy in contemporary physiotherapy practice. Man Ther. 5(3):132-41, 2000.