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O estresse e a ansiedade são condições corriqueiras para várias pessoas. Mas, quando ligados à fisioterapia, esses quadros psicológicos merecem atenção. O estresse e a ansiedade no tratamento fisioterápico são assuntos mais delicados do que parecem.

Desde criança, nos deparamos com momentos estressantes. Quando atingimos a fase de adolescência e depois a fase adulta, essas situações podem se tornar habituais. Por fim, até patológicas. Assim como o estresse, a ansiedade também é uma condição advinda de estímulos estressores.

Quando estamos diante de uma situação de desconforto emocional, sentimos sintomas bem característicos. Suor, dor de estômago e tremores são algumas dessas manifestações. Tais sintomas representam uma forma do nosso organismo nos proteger de situações ameaçadoras. Porém, algumas vezes, essas reações advindas do estresse ou da ansiedade, podem somar à alterações fisiológicas motivadas por outras situações, como, por exemplo, pelo exercício físico. E você sabia que a atividade física é uma das maiores intervenções da fisioterapia? É por isso que o estresse e ansiedade no tratamento fisioterápico merecem a devida atenção.

Ansiedade, estresse e fisioterapia: o que tem haver?

Uma das mais usuais ferramentas de intervenção da fisioterapia é o exercício físico. Mesmo diante dos recursos da eletrotermofototerapia e da terapia manual, o exercício físico está presente na abordagem da maioria dos profissionais da área, ás vezes por métodos como Pilates, pela cinesioterapia convencional, treinamento funcional ou outras atividades. 

Portanto, é de extrema importância que o fisioterapeuta entenda quais os efeitos do exercício físico que ele orienta para pacientes ansiosos e estressados. É fundamental que os exercícios físicos não sejam responsável por alterações fisiológicas que se acumulem as provocadas pelo estímulo estressor do paciente. 

Como funciona o estresse e a ansiedade no nosso organismo

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Estresse é uma condição em que o organismo se encontra em um estado de excitação e isso gera quebra na homeostase disparando alterações emocionais e fisiológicas como forma de adaptação a situação. Já a ansiedade é uma condição caracterizada pelo medo do desconhecido, medo do que está por vir e do que não temos controle. A ansiedade também é considerada uma resposta ao estresse. Sabe-se, inclusive, que os sintomas de ansiedade podem surgir anos antes de um transtorno estressor, por exemplo.

Diversas situações que vivemos no dia a dia podem desencadear diferentes estímulos estressores. Existem alguns tipos de agentes estressores, dentre os quais destacam-se, para nós fisioterapeutas, dois deles: os eventos de vida estressores independentes e os acontecimentos de vida menores

Eventos de vida estressores independentes

Nesses casos, os agentes estressores são agudos e geram alterações fisiológicas consideráveis no organismo. Um tempo depois dessas alterações físicas, o organismo recupera a homeostase perdida e normaliza seu funcionamento. Um exemplo desse tipo de estresse é a reação que temos ao receber a notícia do falecimento de um ente querido. No momento em que recebemos a informação estressora, o organismo se altera e desencadeia características como tontura, suor, incômodos gástricos e por aí vai. Porém, depois de um tempo, a homeostase se regulariza e o corpo volta ao estado normal.

Acontecimentos de vida menores

Existe outra condição estressora chamada de acontecimentos de vida menores, em que o agente estressor é mais sutil, mas tende a durar mais tempo. Nesses casos, o organismo reage com alterações fisiológicas de menor intensidade. Porém, o corpo não consegue recuperar a homeostase perdida e o impacto físico provocado por este pequeno estresse pode durar dias, meses ou até anos. Um exemplo de uma situação como essa é um casamento abusivo, um local de trabalho repleto de competitividade ou um período de pandemia, como o que estamos vivendo hoje.  

Em casos de acontecimentos de vida menores, devemos ter um cuidado extra pois essa é a condição em que a maioria dos nossos pacientes se enquadram. Para o paciente, a situação estressora pode parecer “normal”, mas nós, como profissionais da saúde, sabemos que essa condição pode gerar alterações fisiológicas perigosas para o organismo. 

Alterações fisiológicas decorrentes do estresse e da ansiedade

Os sintomas de estresse, ansiedade e medo são respostas de defesa do nosso organismo diante de condições consideradas perigosas. Quando nos deparamos com agentes estressores, nosso organismo entende que está lidando com uma situação de “luta ou fuga” e ativa o mecanismo de defesa do corpo. Mas quais seriam as respostas fisiológicas decorrentes da ansiedade, medo e estresse?

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Para lidar com os agentes estressores, o organismo ativa eixos neurais e endócrinos que podem ser recrutados seletivamente. Separam-se três principais eixos de ativação em resposta ao estresse:

  • Eixo neural: Relacionado ao estresse agudo, o eixo neural se ativa imediatamente após o acontecimento. Em resposta ao estímulo estressor, o eixo neural  responde com o aumento do ritmo cardíaco, o aumento da pressão arterial, secura na boca, sudorese intensa, “nó na garganta”, formigamento e dilatação pupilar.
  • Eixo neuroendócrino: Este eixo se ativa em condições relacionadas a estresse mais duradouro, aquelas associadas à “tensão crônica”, cotidiana ou geradas por estresses de menor magnitude. A ativação desse eixo resulta em: aumento de secreção das glândulas suprarrenais, aumento dos níveis de catecolaminas, aumento da pressão arterial, aumento do ritmo cardíaco, aumento do fluxo sanguíneo muscular esquelético e diminuição do fluxo sanguíneo visceral
  • Eixo endócrino: Este eixo também está relacionado a condições de estresse menos intensas mas que duram mais tempo. Portanto, sua ativação no organismo é responsável pelo aumento no processo de glicogênese, aumento dos ácidos graxos circulantes, aumento dos processos ateroscleróticos, aumento da susceptibilidade à necrose miocárdica.   

Conclusão:

Portanto, deve-se avaliar cuidadosamente as circunstâncias dos pacientes sob situações de estresse e ansiedade. Diante as diversas alterações fisiológicas que ocorrem no organismo, estresse e ansiedade são fatores considerados de risco para doenças cardiovasculares. Portanto, o estresse e a ansiedade no tratamento fisioterápico requerem cautela e atenção dos profissionais. A fisioterapia deve ser amiga do paciente, e não mais um problema.