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Você sabe quantos tipos de Acupuntura existem? Ainda, qual é a sua origem e quantas escolas já foram criadas? E qual seria o método mais eficaz para cada caso?

No momento em que decidimos nos especializar nessa forma de tratamento da saúde, diversas dúvidas surgem. Já no decorrer da prática, é comum continuarmos nos questionando a fim de melhorar cada vez mais os nossos resultados.

Algumas questões são mais fáceis de responder. Por isso, vamos começar a esclarecer os aspectos principais sobre a Acupuntura? Continue lendo.

As origens da acupuntura

É provável que você imagine a origem da Acupuntura: ela veio da China.

Existe um farto e rico material que, de acordo com estudos, data de mais de 3 mil anos (alguns dizem 5 mil)! Trata-se de um compilado de relatos que detalham toda técnica, teoria e filosofia da Acupuntura e sua base – a Medicina Tradicional Chinesa.

Como tanta fartura de material, tornou-se necessário realizar uma unificação. Por isso, diversos tratados foram compilados e, juntamente com os conceitos acadêmicos do século XX, chegou-se ao que hoje chamamos de Medicina Tradicional Chinesa (MTC).

Nesse contexto, surgiram duas entidades para regulamentar, padronizar e qualificar profissionais do mundo inteiro. Dessa forma, fica garantida a qualidade dos praticantes de Acupuntura perante os critérios chineses de conhecimento da MTC. São elas: 

Enquanto a primeira é uma associação não governamental, a WFCMS é uma entidade ligada ao governo chinês. Ambas promovem provas de qualificação anuais em diversos países, incluindo o Brasil. Além disso, as instituições também fazem uma ponte de ligação com instituições chinesas para especializações e intercâmbios culturais.

Ainda, a WFAS possui sede no Brasil, enquanto a WFCMS possui apenas representação para a realização das provas de qualificação.

As vertentes da Acupuntura

Apesar de toda a base da Acupuntura ser chinesa e de muitas das tradições serem mantidas, existem duas vertentes que possuem suas próprias individualidades e geraram duas diferentes escolas de prática e ensino. Elas são chamada de Acupuntura Coreana e Acupuntura Japonesa.

A Acupuntura Coreana possui uma forma de tratamento bem particular e já conhecida no meio. Nela, pequenas agulhas são aplicadas na mão, configurando uma técnica conhecida como Koryo.

Já a vertente da Acupuntura Japonesa segue praticamente todos os mesmos preceitos da chinesa. A diferença entre elas é que nesta a aplicação das agulhas é feita apenas nas camadas superficiais da derme, sem aprofundar as agulhas. 

O único detalhe desta técnica é que isso vai um tanto contra o ensinamento milenar da tradição chinesa da Acupuntura. Isso porque esta prega que a profundidade que a agulha alcança é tão importante quanto a sua localização.

Um fator interessante é que nenhuma das escolas clama ser superior a outra, mas simplesmente exaltam suas próprias qualidades ou o que as diferenciam umas das outras.

Apesar disso, as entidades de qualificação mencionadas (WFAS e WFCMS) não levam em consideração essas diferenças, pois elas examinam apenas a parte tradicional. Assim, quem deseja buscar essa qualificação deve estudar o método tradicional.

Acupuntura é só uso de agulhas?

Analisando o sentido da palavra “Acupuntura”, temos que ela é formada pela junção da palavra grega “acus” (que significa aço, representando a agulha) e “puntura”, que significa furo ou picada. Apesar disso, devemos observar sua contextualização.

Na origem chinesa, o termo para se referir ao tratamento feito com agulhas e moxabustão continha as palavras “ferro” e “fogo”, representando-as respectivamente. Isso mostra que não havia dissociação entre uma forma de tratar os indivíduos e outra. Por isso, a combinação dos dois elementos é parte fundamental dos tratamentos.

Assim, tudo indica que houve uma predileção com o uso das agulhas nos primeiros momentos em que a técnica chegou ao Ocidente; então, o termo Acupuntura passou a generalizar o tratamento realizado principalmente com agulhas. Com isso, moxabustão, a ventosa e a auriculoterapia passaram a serem vistas apenas como complementares.

Para completar a os cinco pilares de tratamento da Medicina Tradicional Chinesa, devemos citar ainda a terapia alimentar. Esta consiste na fitoterapia, nutrição e atividades de movimento do corpo – que corresponderia à nossa educação física e fisioterapia.

No ensinamento da MTC, de base filosófica Taoísta, a fim de manter suas energias vitais (Chi) saudáveis temos que um indivíduo precisa:

  • Trabalhar sua respiração;
  • Cuidar do que ingere;
  • Movimentar o corpo;
  • Ter pensamentos claros;
  • E dormir bem.

Esses cinco cuidados são o que mantém nosso organismo em equilíbrio e, a cada vez que perdemos o controle de um destes aspectos, surge a possibilidade da doença. Assim surgiu a Medicina Tradicional Chinesa: para reequilibrar o que foi danificado por nossos próprios hábitos.

Como podemos observar, a Acupuntura no Ocidente já é uma fragmentação da MTC; é uma parte de algo muito mais amplo, complexo e abrangente. Por isso, que tal aprender com mais detalhes cada uma das técnicas que ela envolve?

Técnicas independentes

O ocidental, de uma maneira geral, tem a alta capacidade de ir a fundo nos temas. Faz parte do sistema de estudos comparar, testar e corroborar fatores até se chegar em uma conclusão. Esta conclusão, então, será considerada relevante ao uso prático até outro estudo mais recente abrir outras portas para outros novos estudos – e assim por diante.

Mas, ao mesmo tempo, o ocidental também tem uma certa mania de querer fragmentar cada peça para tentar enxergar cada vez mais longe num caminho sem fim. Isso obviamente traz grandes progressos, porém muitas vezes nos faz esquecer algo muito importante: observarmos o todo.

É cada vez mais comum vermos médicos hiper especializados – ao ponto de conhecerem com precisão todos os detalhes anatômicos, morfológicos e nervosos de um dedo do pé – que sequer sabem como diagnosticar uma dor de barriga.

O tempo todo vemos especialistas simplesmente esquecendo de perguntar como o paciente está se sentindo. A grandiosidade da Medicina Tradicional Chinesa está na capacidade de enxergar o ser humano de forma global. De que todos somos feitos de corpo, mente e (por que não?) espírito. 

Ok, também é extremamente necessário que existam especialista e, sim, eles são capazes de resolver problemas que seriam insolucionáveis por outros. É claro que necessitamos deles, mas eles não deveriam deixar de enxergar o todo.

Nesse cenário, temos dois casos dentro do universo da Acupuntura, nos quais algo que deveria ser parte de um todo acabou se tornando uma técnica específica com objetivos limitados. Esse é o caso da auriculoterapia e do Agulhamento a seco – o dryneedling.

Auriculoterapia, Agulhamento a Seco e Dryneedling

Auriculoterapia

A auriculoterapia, como forma independente de tratamento, foi solidificada no Ocidente pelo neurologista francês Paul Nogier através do seu livro “Treatise of Auriculotherapy” de 1957.

Esse é um caso interessante, no qual algo que veio de um ocidental acabou influenciando a cultura oriental. Até então, a auriculoterapia não era vista com grande importância na China; desde então, ela passou a ganhar mais notoriedade.

Agulhamento a Seco

Em relação ao Agulhamento a Seco, a questão que surge é se a técnica é ou não um tipo de Acupuntura.

Já pudemos observar que a Acupuntura é algo muito maior e que, apesar de ser apenas uma parte de um universo maior de tratamento, ela é extremamente complexa e demanda anos de estudo e aperfeiçoamento.

Dentro do universo da Acupuntura propriamente dita, ou seja, no que tange ao uso exclusivo de agulhas, existe uma técnica que se chama a-shi. Ela vem do mandarim e significa algo como “ponto local”.

Essa técnica é utilizada para tratar de distúrbios dolorosos que não estão localizados no mapa dos meridianos. E é exatamente daí que surgiu o dryneedling.

Então, poderia se dizer que o Agulhamento a Seco é parte integrante da Acupuntura? Propriamente falando, não – apesar de ambas estarem funcionando muito bem como complemento uma da outra no tratamento de síndromes dolorosas. 

Infelizmente, já há uma nova briga: os médicos estão novamente clamando o Agulhamento a Seco para seu uso exclusivo. Seu argumento alega que o Agulhamento a seco é Acupuntura e, portanto, deveria ser de uso exclusivo médico.

Apesar disso, no final de 2019 um juiz federal acatou um pedido de uma organização médica e proibiu a prática do Agulhamento a Seco por fisioterapeutas. Porém, todos já sabemos que a Acupuntura não é de exclusividade médica. Isso nos leva à conclusão de que juiz foi induzido ao erro e tomou uma decisão equivocada.

A Acupuntura no Brasil e no Ocidente

A Acupuntura chegou ao Ocidente de diversas maneiras. Seja através de missionários, seja através de estudiosos que partiram em busca dessa “nova técnica” vinda do Oriente: o fato é que foi através dos imigrantes chineses e japoneses que ela realmente ganhou seu espaço e passou a ser vista como um método eficaz e alternativo de tratamento.

Como houve diversos ciclos de imigrações japonesas, seus métodos de tratamento foram amplamente difundidos. Hoje ela já se encontra muito presente na comunidade médica brasileira.

Já os imigrantes chineses, principalmente os que chegaram entre as décadas de 1960 e 1970, difundiram livremente seus conhecimentos através de cursos livres de formação tradicional.

Assim sendo, percebemos que a filosofia tradicional milenar da medicina chinesa é onipresente em todos cursos e especializações. Porém, existe uma maior associação da tradição japonesa com as especializações médicas, enquanto a tradição chinesa está mais ligada aos cursos livres de formação.

Ainda, é interessante lembrar que não existe lei federal específica regulamentando a profissão de acupunturista. Hoje, sua prática é livre tanto para os profissionais tradicionais – ou seja, aqueles que trouxeram e ensinaram a Acupuntura a todos os profissionais da saúde formais – quanto para os que se formaram em cursos livres autorizados pelo MEC (técnicos) e nas pós-graduações (especialistas).

Cada área da saúde é responsável pela regularização de seus respectivos profissionais, denominando-os de acordo com sua formação. Hoje temos Fisioterapeutas Acupunturistas, Médicos Acupunturistas, Psicólogos Acupunturistas e outros.

Além disso, a maioria dos planos de saúde já reconhecem a Acupuntura como especialidade fisioterapêutica, o que é uma grande vitória da classe.

Diferenças na prática

O que realmente vai diferenciar um profissional do outro é a experiência.

Assim como acontece após a conclusão de qualquer curso de graduação, é a prática e a busca constante por aperfeiçoamento que irá tornar um profissional mais ou menos competente.

Se o indivíduo optar por uma determinada escola (chinesa, japonesa ou coreana), isso não será um impeditivo para ele buscar o conhecimento em outras e, assim, desenvolver a sua própria forma de tratamento dentro daquilo que ele mais se identifica e considera eficaz.

Isso, porém, apenas se obtém com anos de prática e estudo. A simples conclusão de um curso não é o suficiente. O que muitas vezes acontece é que profissionais abandonem a prática, seja pela falta de identificação, seja por achar que não há grande eficácia no método dentre as terapias alternativas.

Apesar disso, é melhor ver um profissional abandonar a prática do que vê-lo se tornar um possível charlatão que promove a Acupuntura com a promessa de tratar e curar diversos sintomas e doenças sem que haja comprovações científicas adequadas nem mesmo eficácia prática garantida.

Esse é o caso daqueles que prometem tratamento para parar de fumar ou emagrecer, por exemplo. É sabido que diversos problemas crônicos dependem de vários fatores para gerarem resultados satisfatórios. Por isso, é preciso deixa claro que a Acupuntura, em diversos destes casos,, em diversos destes casos, é apenas auxiliar.

É a partir disso que surge a fama de que algo funciona para uma pessoa e não funciona para outra, ou até mesmo de que não funciona para ninguém. E isso é uma inverdade: os tratamentos que têm comprovação prática de 3000 mil anos de história e todos aqueles altamente estudados cientificamente têm sua eficácia mais do que comprovada.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo, realizou mais de 25 anos de coleta de dados e recomenda dezenas de tratamentos baseados em evidências. E mais: a maior parte deles apresentaram eficácia até superior à medicamentosa alopática. Essa lista já é um excelente ponto de partida e um norte para quem deseja levar essa profissão a sério.

Conclusão

A Acupuntura veio para ficar e continuará evoluindo e contribuindo para melhorar a da saúde de muitas pessoas.

Essa briga promovida por médicos em busca do seu controle e exclusividade pode ter consequências terríveis – a exemplo de outros países que cometeram o mesmo erro e quase acabaram por erradicar a Acupuntura em seu território.

Por isso, obter um certificado de qualificação como os da WFAS e WFCMS, reconhecidas pela OMS e respeitadas internacionalmente, ainda é a maneira mais eficaz de garantir que a prática seja adequada e segura.

É necessário, ainda, regulamentar a profissão do Acupunturista para que não haja mais esse tipo de discussão. Dessa forma, a população terá a segurança necessária e os direitos desses profissionais estarão garantidos.

Referências

Acupunture: Review and analysis of reports on controlled clinical trials. Acesso em: https://chiro.org/acupuncture/FULL/Acupuncture_WHO_2003.pdf

Nogier, Paul F. M., Treatise of auriculotherapy. Acesso em: https://books.google.com.br/books/about/Treatise_of_auriculotherapy.html?id=kmxLwAEACAAJ&redir_esc=y

Princípios de Medicina Interna do Imperador Amarelo; Editora Ícone, 2017.

Nota de esclarecimento – decisão judicial sobre dry needling. Acesso em:

http://www.crefito1.org.br/noticias/6167/nota-de-esclarecimento-decisao-judicial-sobre-dry-needling#:~:text=Decis%C3%A3o%20da%20Justi%C3%A7a%20Federal%20de,pr%C3%A1tica%20est%C3%A1%20sendo%20regulamentada%2C%20nesse