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Como fazer uma Boa Avaliação Estática de Membros Inferiores

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Uma das etapas da avaliação postural que utilizamos é a estática. Quero começar avisando: esse tipo de avaliação não é o suficiente para compreender nosso aluno por completo.

Depois de avaliarmos todos os pontos anatômicos estaticamente, conseguimos juntar nossos achados para a avaliação dinâmica. Também conseguimos aplicar os conhecimentos obtidos nessa fase na entrevista e nos testes específicos.

Gosto de comparar a avaliação com um jogo de queda cabeça. Nele, as peças se juntam uma a uma para compreendermos melhor o corpo que precisamos melhorar. Para conseguir realizar a avaliação estática com resultados positivos precisamos seguir os seguintes critérios:

  1. Posicionamento do Avaliado: o indivíduo deve estar posicionado de forma a conseguirmos dar a volta no seu corpo sem movê-lo. Um movimento sequer pode alterar suas influências tônicas e o resultado da avaliação;
  2. Posicionamento do Avaliador: o profissional deve ficar exatamente na linha média do avaliado. Caso contrário, corremos o risco de sofrer com algum tipo de inferência visual;
  3. Início: a avaliação estática começa com o indivíduo em pé e na posição mais confortável possível. Sempre começamos a avaliar de baixo para cima;
  4. Tempo: a avaliação deve ser o mais rápida possível. O profissional também deve explicar ao indivíduo que todos possuímos assimetrias para deixá-lo menos constrangido;
  5. Vestimenta: mulheres devem usar um biquíni durante a avaliação. Homens devem usar sunga. É impossível avaliar bem um aluno de top, já que ele esconde parte dos processos espinhosos, ou bermuda, que impede a observação dos joelhos;
  6. Mãos: durante a avaliação precisamos tocar o avaliado. Portanto, elas devem estar aquecidas para evitar desconforto e serem firmes. Assim, conseguirmos passar mais segurança. Sempre peça permissão ao avaliado antes de tocá-lo;
  7. Forma de Falar: devemos falar tranquilamente, mas com firmeza, ao avaliado. Cada manobra deve ser explicada com seu devido objetivo.

Unidades Corporais Avaliadas

Antes de começar a falar sobre a avaliação estática em si, preciso relembrar um pouco das unidades corporais que iremos analisar. Começamos sempre pelo membro inferior, que é formado pelas seguintes unidades, como explicaram Béziers e Piret:

  • Pé: responsável por dirigir o movimento;
  • Unidade Ilíaca: possui papel de apoio ligado ao tronco e papel dinâmico do membro. Faz o membro inferior participar do tronco, utilizando a perna para transmitir a tensão e movimento ao pé;

As unidades que citei acima compõem a única unidade de membro inferior. A base do esqueleto do membro inferior é formado pelos dois ossos do quadril.

Os ilíacos (esquerdo e direito) são unidos pela sínfise púbica e pelo sacro. A pelve óssea é formada pelo cíngulo do membro inferior e sacro.

Podemos dividir os ossos do membro inferior nos seguintes segmentos:

  • Cintura Pélvica: ilíacos direito e esquerdo;
  • Coxa: fêmur e patela;
  • Perna: tíbia e fíbula;
  • : ossos do pé.

Avaliação Estática do Joelho

O membro inferior é responsável por sustentar o peso corporal e auxiliar na locomoção e manutenção do equilíbrio. Além disso, ele realiza a transferência estável de peso durante uma marcha ou corrida.

Quando falamos mais especificamente dos joelhos, estamos considerando a articulação mais complexa do corpo humano, anatômica e funcionalmente. Ela é formada pela articulação tibiofemoral e patelofemoral.

A extremidade distal do fêmur, na articulação tibiofemoral, possui os côndilos. Eles articulam-se com a tíbia e dividem-se por um sulco central que forma a superfície articular da patela. Esses côndilos são cobertos de cartilagem hialina espessa. Ela suporta forças extremas sobre as superfícies articulares durante o movimento.

A porção proximal da tíbia é conhecida como platô tibial. Nela encontram-se duas conchas achatadas niveladas anteriormente pela diáfise da tíbia. A superfície está alinhada com a cartilagem hialina, onde acomodam-se os côndilos femorais. A região intercondilar encontra-se na divisão entre platôs medial e lateral.

O joelho também possui a articulação patelofemoral, formada pela:

  • Cavidade troclear;
  • Facetas posteriores da patela (maior osso sesamóide).

É nessa articulação que se interpõe o quadríceps. O tendão patelar também está nessa região e vai do vértice inferior da patela até a tuberosidade da tíbia.

Encontramos inúmeras lesões e patologias no joelho durante a prática clínica. Isso é facilmente compreensível, especialmente quando consideramos que a articulação está situada entre os dois braços de alavanca mais longos do corpo. Eles são o fêmur e a tíbia, que tornam o joelho tão suscetível a lesões.

Lesões do Joelho

Quando o joelho encontra-se em flexão ele está no seu movimento de maior instabilidade. É nessa posição que ocorrem lesões de ligamentos e meniscos.

Em extensão de joelho, sendo esta a posição de movimento onde há maior estabilidade, torna esta articulação mais sujeita, mais vulnerável a fraturas e rupturas ligamentares.

Quando alguém realiza um agachamento acontece a cocontração dos músculos isquiotibiais e quadríceps. Em pequenos ângulos, essa cocontração é responsável por diminuir a translação anterior da tíbia e a rotação interna causada pelo quadríceps.

Em ângulos acima de 60º a cocontração muscular leva a tíbia a se deslocar posteriormente e a realizar uma rotação externa. Esse movimento aumenta a pressão exercida sobre a patela. A força de contato articular é maior acima de 50º e a cocontração dos isquiotibiais aumenta a pressão a partir de 60º.

Powers et. al analisou onde existiria maior estresse da articulação femoropatelar. Em seu estudo, mostrou que durante exercícios de agachamento as angulações que produziam mais força de estresse na articulação foram 90º, 75º e 60º de flexão de joelhos.

Portanto, para diminuir o estresse femoropatelar o sugerido é realizar agachamento de 45º a 0º. Não devemos chegar a flexão de 90º, onde existe grande compressão articular.

Alterações do Membro Inferior

Podemos considerar o membro inferior como uma cadeia cinética. Assim, é possível pressupor que qualquer alteração biomecânica em um dos seus complexos articulares consegue influenciar a biomecânica e função do restante.

O alinhamento do joelho no plano frontal é bastante pesquisado por conta de sua importância clínica. Quando existe incongruência de membros inferiores, especialmente do joelho, é possível existirem dores articulares e instabilidade relacionadas.

Desordens nessas estruturas ainda podem trazer problemas, como:

  • Dificuldade de sustentação muscular;
  • Problemas sobre os tendões;
  • Problemas em ligamentos e retináculos.

Isso ocorre principalmente quando existe alternância de alinhamento do joelho em varo ou valgo. Assim, a função dos joelhos fica alterada e gera sobrecarga compressiva em algum ponto da articulação, dependente de qual desalinhamento apresentar.

Um moderado desalinhamento frontal de joelho, por exemplo, pode piorar o prognóstico de doenças degenerativas, como osteoartrite.

Dependendo da orientação, que pode estar em varo ou valgo, as forças articulares estáticas e dinâmicas deixam de estar homogeneamente distribuídas. Assim, elas favorecem o surgimento de processos disfuncionais e até mesmo patologias na articulação e articulações próximas.

Como sabemos, o corpo funciona em cadeias musculares que separamos para o bem da didática, mas que são complementares na realidade corporal. Caso ocorra um desarranjo, seja fascial, muscular ou de tecidos moles, todo o sistema fica comprometido.

Conclusão

Durante a avaliação estática conseguimos começar a identificar alguns desequilíbrios do corpo. Para entendê-los bem, precisamos avaliar cuidadosamente os membros inferiores, dando destaque aos joelhos. Seu posicionamento pode afetar toda a cadeia dos membros inferiores e gerar lesões, patologias e aumentar as chances de doenças degenerativas.

No entanto, volto a lembrar que somente a avaliação estática não é o suficiente para conseguir uma análise completa do aluno. Para entender mais sobre esse assunto sugiro conferir meu artigo sobre os dois tipos de avaliação, estática e dinâmica. Se quiser saber mais sobre avaliações do membro inferior, confira meu guia completo sobre a avaliação estática.

Written by Janaína Cintas

Janaína Cintas

Escritora, Bicampeã mundial de BMX e Fisioterapeuta Graduada pela Universidade da Cidade de São Paulo. Ex-monitora no terceiro e quarto ano da Professora e Doutora da USP, Elisabete Alves Gonçalves Ferreira. Posteriormente se aperfeiçoou em Gerontologia na Pós-graduação da Universidade Federal do Estado de São Paulo. Subsequentemente se especializou em Cadeias Fisiológicas do Método Busquet, Reeducação Postural Global (RPG) de Philippe Souchard e Pilates. Trabalhou como Fisioterapeuta no Hospital Albert Einstein, foi sócia fundadora da clínica JC Pilates por 10 anos e recentemente cursou Pilates Aéreo pela Escola Internacional de Madrid, Espanha. E integrou a equipe de Pilates Aéreo de Madrid, como professora titular durante 1 ano. Janaína é autora do Livro ” Cadeias Musculares do Tronco”, lançado em 2015 em Madrid, São Paulo, Rio de Janeiro e Belém. Atualmente ministra cursos e palestras sobre a Fisioterapia, faz parte do Grupo Voll Pilates e tem interesse de Pesquisa nos temas Saúde, Postura e Ensino.

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