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Diagnóstico e Tratamento Fisioterapêutico nos Pontos-Gatilho

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Diagnóstico e Tratamento Fisioterapêutico nos Pontos-Gatilho
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Os pontos-gatilhos são nós de tensão acentuada que causam dor referida em outras partes do corpo, também chamado de “trigger point”. Sabe aquela “bolinha” ou aquele nódulo que sentimos ao apalpar as costas/ombro? Isto é denominado pontos-gatilho, ou seja, é um foco de irritação excessiva em um tecido que, quando comprimido, torna-se sensível.

O ponto-gatilho  localiza-se dentro de um grupo muscular. Pode ser encontrado em tecido cicatricial, tendões, ligamentos, pele, coxins gordurosos, capsulas articulares e periósteo, assim como em músculos e na junção de músculos.

O paciente reconhece aquela dor quando o PG é comprimido, banda tensa palpável: dor pontual em um nódulo inserido em uma banda tensa palpável de fibras musculares. Esse dado deve vir acompanhado das outras características, visto que essas bandas podem estar presentes em pacientes assintomáticos, dor referida: no padrão definido para aquele músculo, resposta de espasmo local: com estímulo mecânico, como a compressão digital, limitação dolorosa da amplitude de movimento, debilidade muscular: tanto da força como da resistência daquele músculo.

Tipos de Pontos-gatilho

Os Pontos-gatilhos miofasciais são pontos hipersensíveis de dor, presentes em músculos e na fáscia associada a bandas musculares tensas na Síndrome Dolorosa Miofascial. Pontos-gatilhos miofasciais são algumas vezes associados a nódulos fibrosos, cuja palpação com frequência provoca reações gerais involuntárias de dor, como gritos, contraturas, ou outros sinais de irritação, conhecidos como sinais de pulo.

Diagnosticados por palpação, os pontos-gatilho podem ser difíceis de ser diagnosticados nos estágios mais agudos, principalmente quando há inflamação e espasmos musculares. Além disso, como resposta a esse nódulo há uma contração localizada.

Para diminuir o espasmo e a inflamação local pode se alternar bolsas quentes e frias no local e também exercícios de alongamentos. Caso seja uma dor contínua, o médico pode recomendar outros tipos de terapia ao qual falaremos adiante.

Técnicas de Liberação Miofascial

Pontos-Gatilho

Técnica de deslizamento longitudinal – é uma técnica que antecede a liberação miofascial mais profunda, auxiliando no ganho de mobilidade tecidual, liberando aderências nos processos crônicos e evitando que elas se formem nos processos agudos.

Essa técnica é realizada no sentido da restrição do movimento do tecido, e pode ser realizada com o polegar, com o indicador ou ainda com a articulação média do terceiro dedo dobrado. Pode-se utilizar um pouco de lubrificante, principalmente para pacientes com muitos pelos, para que os mesmos não sejam arrancados, causando incomodo e dor.

Com uma das mãos se fixa a pele, enquanto a outra desliza no sentido longitudinal das fibras a serem tratadas. Juntamente com essa técnica pode ser usada a Técnica de deslizamento transverso, que difere desta unicamente pelo sentido de deslizamento, que é transverso as fibras tratadas.

Indução Miofascial com mãos cruzadas – muito provavelmente essa é a técnica mais utilizada, e a mais poderosa dentre as técnicas de liberação. Seu objetivo é eliminar restrições mais profundas, muitas vezes não detectadas. Essa técnica consiste em posicionar as mãos de forma cruzada, tencionar os tecidos e simplesmente acompanhar seus movimentos espontâneos.

Técnicas de liberação de planos transversos – é normalmente aplicada em locais onde existe uma significativa sobreposição de planos transversos de tecidos.

Segue os mesmos princípios das técnicas de mãos cruzadas, modificando apenas a colocação das mãos do terapeuta. Extremidade tratada.

A massagem miofascial não se destina unicamente a liberar estruturas de nosso corpo que possam estar ccom contraturas, contraídas, e tensas, vai muito mais além do que liberar apenas um local que não esteja flexível.

Pontos-Gatilho: Ativo, Latentes e Satélites

  • Pontos-gatilho ativos:são áreas hipersensíveis e dolorosas mesmo sem estimulação, sendo muito sensíveis à palpação e produzem padrões referidos característico de cada músculo. Causam fraqueza muscular, impedem o alongamento completo do músculo e podem provocar espasmo local à compressão.
  • Pontos-gatilho latentes:são silenciosos e não são uma fonte de dor espontânea. São sensíveis a palpação e podem produzir padrões de dor referida característicos com a aplicação da pressão. Causam fraqueza muscular, diminui a flexibilidade e provocam respostas de espasmo local quando estimulados de modo adequado.
  • Pontos-gatilho satélites:podem desenvolver-se no mesmo músculo do ponto-gatilho primário, em outros músculos dentro do padrão de dor referida ou em qualquer outro músculo. Esses pontos parecem desaparecer quando o ponto-gatilho primário se resolve.

Um PG pode estar latente ou ativo, sendo que um Ponto latente pode se tornar um Ponto ativo, porém o inverso nem sempre é verdadeiro. É ativo quando movimentos ou posturas fisiológicas normais causam dor. E é latente quando necessitam de certa estimulação mecânica para produzir dor. Pontos satélites podem desenvolver-se em músculos que se situam no interior da região em que o paciente sente a dor, ou seja, na região do padrão de dor referida, e se tratados e o PG de origem for ignorado, de nada servira o tratamento.

Ainda não há um consenso sobre o fenômeno dos PGs (pontos-gatilho), mas sua existência clinica é inquestionável. Sua fisiopatologia estaria associada com a hipótese da crise energética, ou seja, ocorre uma traumática liberação de cálcio do retículo sarcoplasmático, que combinado com ATP ativa o deslizamento da actina e miosina no sarcômero.

Então se há excesso de cálcio intracelular, os complexos actina e miosina ficam continuamente ativados, resultando em uma contratura muscular ou uma manda muscular tensa e ainda um alto consumo energético. Neste caso, a contração muscular está ocorrendo sem atividade elétrica, ou seja, sem um impulso neurológico, portanto não é possível que o indivíduo relaxe espontaneamente.

Os PGs acometem igualmente homens e mulheres e todas as faixas etárias, inclusive crianças, embora haja um pico de incidência dos 30 aos 60 anos. As etiologias mais comuns são: estresse anormal no músculo, pessoas com uma má postura, posturas estáticas por tempo prolongado, infecções crônicas, problemas viscerais, depressão, insônia, deficiência alimentar e trauma direto no músculo.

Diferença entre pontos-gatilhos e pontos sensíveis:

Os pacientes com frequência se queixam de sensibilidade à compressão. É importante distinguir se essa sensibilidade é devida aos pontos-gatilho ou a um pontos sensível. Um ponto sensível difere de um ponto-gatilho em tensão e na resposta relatada de dor à pressão. A pressão direta sobre pontos sensíveis não causa dor irradiada nem arrasta o dedo do terapeuta em um trajeto em espiral, mas sim em um trajeto reto. Ponto sensível não libera outras áreas, o que pode acontecer com o ponto-gatilho.

Técnica de Jones

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A Técnica de Jones é uma técnica funcional, de aplicação muito suave inventada pelo osteopata Lawrence H. Jones que a chamou de COUNTERSTRAIN, e nós Brasileiros, por motivos óbvios preferimos chamá-la de Técnica de Jones. Ele mesmo definiu a técnica como sendo ”uma manobra posicional passiva que situa o corpo em uma posição de máximo bem estar, suprimindo assim a dor, ao anular a atividade dos proprioceptores responsáveis pela disfunção”.

Aplicação

O terapeuta localiza o ponto de dor através da palpação. Move lentamente o paciente até a posição de conforto e mantém a posição por 90 segundos, e então o paciente é reconduzido passivamente para uma postura normal. Durante o período de 90 segundos, o terapeuta pressiona várias vezes o ponto de dor a fim de investigar a diminuição da sensibilidade dolorosa através das respostas do paciente, ou simplesmente o mantém pressionado por todo o período. Não deve haver aumento da dor em nenhuma parte do corpo durante o processo de tratamento.

O resultado final desse posicionamento é a redução da hiperatividade das estruturas neurais e a recomposição dessas estruturas para se alcançar, de modo indolor, um comprimento de repouso do músculo mais normal e proporcionar um aumento da circulação local, ou seja, ocorre uma normalização da atividade gama ou uma diminuição do reflexo miotático.

Indicações: É uma técnica ótima para o tratamento de Pontos Gatilho, dor miofascial, e tender points.

Agulhamento Seco e Anestésicos

Acupuntura

Ambas são técnicas técnica intervencionista em que são utilizadas agulhas muito finas com o objetivo de promover o relaxamento muscular. O agulhamento seco foi descrito pela primeira vez há mais de 2.000 anos, no livro do Imperador Huangdi Neijing. No livro, o autor descreve que o agulhamento a seco consistia em introduzir uma agulha de acupuntura – que pode ser até 10 vezes mais fina que as injeções comuns.

Já em relação a técnica utilizando o agulhamento anestésico, possui uma eficácia maior como a lidocaína e/ou mepivacaína. A única diferença entre ambas as técnicas é que o processo utilizando anestésico diminui uma possível dor após o processo.

Em relação à dor, isso irá variar de paciente para paciente, haja vista que depende da tensão em que o músculo encontra-se e do quão sensível está o ponto-gatilho.

Conclusão

Agulhamento Seco e Anestésico

Essa técnica vai no mais íntimo do ser humano, liberando emoções que podem talvez estar ou não relacionadas a traumas e deve-se ter muita cautela ao aplicar essa técnica. Não é só mais uma técnica para remover nódulos de tensão, ou aliviar contraturas e encurtamentos, como toda aplicação de terapias manuais.

Toda técnica utilizada no ponto-gatilho requer atenção do terapeuta em estar conectado ao seu paciente, visualizar ele como um todo, e não apenas vê-lo como um ponto doloroso, o que muitas vezes pode acontecer e isso faz com que o tratamento seja apenas só mais uma seção qualquer de massagem sendo o propósito não é este, mas envolver-se plenamente na busca pelo resgate da saúde através das mãos.

Quer dar o primeiro passo? Compartilhe este post com o máximo de profissionais da Fisioterapia possível – a informação é o começo de tudo. Até o próximo artigo!

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Written by Luciene Moraes

Luciene Moraes

Biomédica e Fisioterapeuta
Atualmente pós-graduanda em Fisioterapia Traumato-Ortopédica e Desportiva da Faculdade Devry Brasil|Metrocamp – Campinas-SP. Desenvolvendo projeto de pesquisa “ Resposta do sistema imune aos recursos terapêuticos manuais em lombalgia crônica” junto a Clínica de Fisioterapia e Laboratório de Análises Clínicas e Ambientais da Metrocamp.
Bacharel em Fisioterapia 2014
Premiada no Experience Metrocamp Saúde com trabalho científico “Benefícios dos Recursos Fisioterapêuticos Manuais na Minimização dos Sintomas de Estresse” o qual foi destaque no 2º Prêmio Melhores Trabalhos Científicos da Saúde – 2015.
Bacharel em Ciências Biomédicas / 2010 com Habilitação em Análises Clínicas
Participação do 10º Congresso Nacional de Iniciação Científica -CONIC – 2010

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