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O que é Luxação Congênita do Quadril? Saiba Como Diagnosticar Esta Patologia

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O que é Luxação Congênita do Quadril? Saiba Como Diagnosticar Esta Patologia
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A luxação congênita do quadril é uma patologia que se caracteriza pela perda do contato da cabeça do fêmur com o acetábulo durante o nascimento.

Infelizmente o diagnóstico tardio dessa condição leva a uma maior complexidade no tratamento, maiores riscos e tempo prolongado de imobilização para a correção do quadril.

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Por isso, para entender melhor o que é a luxação congênita do quadril e de que maneira tratá-la, preparei este texto que irá tirar algumas dúvidas à respeito desse assunto. Continue lendo para entender!

Anatomia do Quadril

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O quadril é uma articulação diartrodial esferoidal com um acentuado grau de estabilidade inerente e uma mobilidade relativamente limitada por causa da inserção profunda da cabeça do fêmur no acetábulo.

A articulação do quadril transfere a carga de peso de toda a estrutura corporal para os membros inferiores, que, por sua vez, transferem os esforços propulsivos para o tronco e também oferece movimento compatível com a locomoção. Ela é constituída pela cabeça do fêmur e pelo acetábulo da pelve.

Essa articulação tem uma cápsula folgada e é envolvida por músculos grandes e fortes. A cartilagem articular da cabeça do fêmur, é mais espessa no centro do que na periferia, recobre completamente a face articular, com exceção da fóvea da cabeça do fêmur e também recobre o acetábulo.

Luxação Congênita do Quadril

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A luxação congênita do quadril (LCQ), é produzida pelo deslocamento prolongado da cabeça femoral em relação ao acetábulo.

Essa luxação congênita do quadril é consecutiva ao desenvolvimento anormal de um ou mais elementos que formam a articulação do quadril: cabeça do fêmur, acetábulo ou tecidos moles, com inclusão da cápsula, que cercam a articulação.

Uma outra definição é que a luxação congênita do quadril consiste no deslocamento da cabeça femoral para fora do acetábulo, que pode estar integralmente deslocada ou subluxada, pois geralmente o acetábulo apresenta formato anatômico raso e este pode estar posicionado verticalmente, devido à ausência da pressão normal exercida pela cabeça femoral.

A etiologia da malformação muito provavelmente inclui fatores múltiplos, como o mau posicionamento e fatores mecânicos no útero, frouxidão ligamentar induzida por hormônios, fatores genéticos, culturais e ambientais.

Estudos vêm estabelecendo os seguintes fatores: genes ligados ao cromossomo sexual, hormônios sexuais femininos – estrogênio, progesterona e relaxina que causam o afrouxamento dos ligamentos da cápsula pélvica, oligodrâmnio promove o estreitamento do espaço abdominal, impedindo a versão cefálica do feto e questões culturais de posicionamento do recém-nascido – com as extremidades pélvicas em extensão e adução total.

A incidência da luxação congênita do quadril nos países desenvolvidos é de 1.5 a 20 casos por 1000 nascimentos. No Brasil a incidência é de 2,31 por 1000 nascimentos.

Essa incidência é de 17:1000 nascidos vivos. As mulheres apresentam uma incidência maior que os homens numa proporção de 8:1.

O quadro clínico da luxação congênita do quadril é, assimetria dos músculos, limitação da abdução do quadril, encurtamento em um dos membros inferiores e instabilidade articular.

Padrão da Marcha Na Luxação Congênita do Quadril

Geralmente os indivíduos que possuem luxação congênita do quadril apresentam marcha de Trendelemburg. Ocorre quando os músculos abdutores do quadril são fracos (principalmente o glúteo médio), o efeito estabilizador desses músculos durante a fase de apoio é perdido e o paciente apresenta uma inclinação lateral excessiva do tronco, na qual o tórax é impulsionado lateralmente para manter o centro de gravidade sobre o membro inferior de apoio.

Diagnóstico da Luxação Congênita do Quadril

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O processo de detecção do diagnóstico clínico inicia-se com uma anamnese, exame físico através dos sinais de Ortolani (cabeça femoral é reduzida no acetábulo) e de Barlow (manobra provocativa da luxação de um quadril instável), sinais de Galeazzi (pregas cutâneas assimétricas), sinal de Peter.

Os exames de imagens mais usuais para realizar o diagnóstico são a ultra-sonografia e Radiologia Convencional. Os exames de Tomografia Computadorizada (TC) e a Ressonância Nuclear Magnética (RNM), se fazem necessários quando o exame clínico, a radiologia convencional e a ultrassonografia não forem categóricas na confirmação do diagnóstico.

Tratamento Médico da Luxação Congênita do Quadril

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Os métodos de tratamento podem ser incruentos (Fralda de Frejka, suspensório de Pavilik, tração cutânea e redução sob anestesia) ou cruentos, quando o diagnóstico é feito tardiamente, incluindo tenotomia percutânea e osteotomias tipo Chiari.

Pode-se dividir didaticamente o tratamento conforme a faixa etária, de 0 a 6, 6 a 12, 12 a 18 e de 18 meses em diante.

De 0 a 6 meses utiliza-se o aparelho plástico de Frejka; ou o aparelho de Pavlik, por um período de 4 a 6 meses, os quadris ficam flexionados 90-100º e abdução de 30-40º.

De 6 a 12 meses já é tardio, procede-se à redução sob narcose, e coloca-se aparelho gessado em posição de redução e estabilização, geralmente com flexão de 100° e abdução de 60°. A posição para o aparelho gessado é a flexão em torno de 90-100° e a abdução de no máximo 30-40° 5, 9.

De 12 a 18 meses é o período de deambulação, uso de tenotomia dos adutores, do psoas e redução, quando não há sucesso, a artrografia dinâmica poderá auxiliar. O quadril é mantido reduzido por meio do aparelho gessado, na posição de estabilidade.

De 18 meses em diante o tratamento é tardio e quase sempre cirúrgico, com osteotomia da parte proximal do fêmur ou osteotomia acetabular para permitir que a cabeça femoral se mova dentro do acetábulo. As complicações são inúmeras, sendo mais freqüentes quanto maior for a criança e o ato cirúrgico: infecção, necrose avascular da cabeça femoral, reluxação, rigidez articular, lesão da cartilagem de crescimento femoral ou acetabular.

Tratamento Fisioterapêutico

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A fisioterapia de forma geral é uma importante opção de tratamento não medicamentoso que busca diminuir o quadro de algia, preserva ou melhora a amplitude de movimento (ADM), aumenta a força muscular e a resistência; melhora a capacidade funcional para as atividades da vida diária (AVD’s) e as atividades recreativas, evitando vícios posturais e deformidades. Além disso, orienta a criança e seus familiares para promover a independência do indivíduo afetado.

Dentro dos métodos fisioterápicos, muito se tem utilizado, a hidroterapia que é um dos recursos mais antigos da fisioterapia, sendo definida como toda aplicação externa de água (aquecida) com finalidade terapêutica (visando principalmente diminuir o impacto sobre as articulações, no caso da LCQ).

Cada propriedade física possui influência sobre o corpo humano, podendo ser usada direta ou indiretamente no tratamento aquático por meio de efeitos causados pela pressão hidrostática e pela hidrodinâmica.

Conclusão

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A luxação congênita do quadril pode causar diversos danos no indivíduo caso não tratado corretamente. Desta forma, é importante que haja uma avaliação de cada caso e em seguida um tratamento de acordo com a real necessidade.

Realizar um bom tratamento, será essencial para a melhora do quadro. Sendo assim, o fisioterapeuta deve se preocupar também com as orientações dadas aos familiares e cuidadores para melhor resposta ao tratamento.

Referências

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KISNER, C; COLBY, A. L. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas.

4ª ed. Barueri: Manole, 2005, cap 1, p. 4-5.

  1. GUARNIERO, Roberto. Displasia do Desenvolvimento do Quadril: Atualização. Rev. Bras Ortop.2010; 45 (2):116-121.
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  1. SANTILI, Claúdio, et al. Avaliação das discrepâncias de comprimento dos membros inferiores. Rev. Bras. Ortop. Vol. 33, n.1. janeiro, 1998.

Written by Josiane Rodrigues

Josiane Rodrigues

Graduada em Fisioterapia na Anhanguera Educacional.
Especializada em Fisioterapia Ortopédica, Traumatológica e Desportiva na Pontifícia Universidade Católica.

Cursos extracurriculares em:
Aprimoramento em Pilates;
Aprimoramento em Dermato-Funcional;
Terapia Aquática Integrada;
Atuações Estéticas com peeling’s químicos;
Atuação Multidisciplinar na Enfermaria Hospitalar – Módulo II – Respiratória (UNICAMP);
Tratamento da Coluna Vertebral com ênfase em terapia manual;
Imaginologia Ortopédica para fisioterapeutas;
Abordagens Científicas de Reabilitação do Ombro;
Seminário de Atualização em Reabilitação Física.

Já atuou profissionalmente em liderança na escola Técnica de Ensino em Saúde LTDA. Hidroterapia na Academia ZAS, Empresa Quinta Roda realizando Ginástica Laboral e Fisioterapia Preventiva na Corpore sano

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