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Guia Completo sobre Bico de Papagaio – Osteofitose

Guia Completo sobre Bico de Papagaio – Osteofitose
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A osteofitose, doença popularmente conhecida como bico de papagaio, é uma patologia que se caracteriza pelo crescimento anormal de tecido ósseo em tona de uma articulação das vértebras cujo disco intervertebral, que deveria funcionar como amortecedor entre os ossos, está comprometido.

Essas alterações, que são os osteófitos ou bicos de papagaio, surgem como consequência da desidratação do disco intervertebral, o que favorece a aproximação das vértebras e torna possível a compressão das raízes nervosas.

Na realidade, os osteófitos podem ser considerados um tipo de defesa do organismo para absorver a sobrecarga exercida sobre as articulações e estabilizar a coluna vertebral.

Esse crescimento excessivo do osso saudável nas vértebras tem um papel importante contra forças compressivas que excedem a capacidade de resistência do osso. Além de proteção, alterações mecânicas e degeneração são fatores comuns do processo de envelhecimento da coluna vertebral, tendo como consequência os osteófitos.

Os osteófitos ficaram popularmente conhecidos como bico de papagaio devido à sua semelhança dessa expansão óssea com o bico recurvado da ave.

Dangelo e Fattini (1995) afirmam que a coluna vertebral oferece a resistência de um pilar de sustentação na forma de um eixo ósseo, mas também possui a flexibilidade necessária para a movimentação do tronco.

As vértebras são em número de 33, onde 5 formam o sacro e de 4 a 5 formam o cóccix. As vértebras têm características regionais na região cervical, dorsal e lombar, excluindo as atipias da região sacra e coccigiana.

As vértebras cervicais, que se totalizam em sete, têm as duas primeiras, atlas e áxis bem diferenciadas, porém as restantes são bem uniformes. O corpo vertebral das vértebras cervicais é uniforme e pequeno em relação ao arco posterior e ao orifício vertebral.

Uma característica importante na vértebra cervical é que existe uma saliência na superfície superior e posterior do corpo vertebral, o processo uncinado, que faz parte do orifício de conjugação e que não permite o contato do disco diretamente com a raiz nervosa.

Nesses casos, podem-se estabelecer processos degenerativos, pois se comportam como se fossem uma verdadeira articulação.

As vértebras torácicas são em número de 12, e os tamanhos das estruturas são intermediários entre os das regiões cervical e lombar, com a característica de terem processos transversos maiores e duas semifacetas no corpo vertebral onde se articulam as costelas.

Já as vértebras lombares, que são em número de 5, são de maior tamanho.

Tipos de Articulações na Coluna

Existem dois tipos de articulações na coluna:

  • Diartrose: juntas verdadeiras, com superfície cartilaginosa, líquido sinovial e cápsula. Essas articulações são responsáveis pelos movimentos da coluna, apresentando alterações de desgastes;
  • Anfiartroses: não são verdadeiramente articulações, mas permitem movimento. Os movimentos são pequenos, porém também podem apresentar alterações de desgastes, pelo fato do disco desempenhar uma função de suporte de peso corporal.

Os discos intervertebrais contribuem com cerca de 1/3 de todo o comprimento da coluna lombar. Eles são formados por uma parte chamada annulus e pelo núcleo pulposo.

As fibras do annulus são divididas em três grupos principais: fibras da parte externa, fibras medianas e fibras internas.

O núcleo pulposo é formado por um hidrogel. Esse sistema hidráulico permite absorver uma força compressiva, além de possibilitar um deslocamento do núcleo conforme a ação da força sobre as vértebras.

A resistência da coluna ao trauma é aumentada pelos ligamentos vertebrais, que têm função restritiva. Os ligamentos estão ligados aos discos, o que reforça a sua elasticidade, e são muito aderentes à estrutura da vértebra.

O ligamento longitudinal posterior percorre todo o comprimento da coluna, desde a região cervical até o sacro, e vai se estreitando ao nível da vértebra L1 até chegar ao sacro, onde encontra com sua menor largura. Já o ligamento longitudinal anterior não tem variação de largura.

O ligamento lateral, situado entre os dois outros ligamentos, se estende de uma vértebra a outra.

No arco posterior, são encontrados os ligamentos intraespinhoso e supraespinhoso (na apófise espinhosa), ligamento inter-transverso (na apófise transversa) e os ligamentos interapofisários (nas facetas articulares). No forame de conjugação, o teto é formado pelo ligamento amarelo.

Uma maneira prática de descrever topograficamente os músculos da coluna vertebral é definir sua posição com relação a um plano que passa pelo processo transverso das vértebras. Aqueles que estão situados anteriormente com relação ao processo transverso formam a musculatura anterior da coluna vertebral.

Os que se situam no plano posterior, compõem a musculatura posterior. A coluna vertebral é ditada de músculos posteriores em toda a sua extensão, porém só existem músculos anteriores nas regiões cervical e lombar.

A coluna vertebral é dividida em curvatura primária e secundária, sendo a primária a cifose dorsal, por apresentar esta característica desde quando o feto se encontra no útero numa posição de flexão total, e classifica como secundárias as curvaturas cervical e lombar.

As características das curvaturas secundárias se devem à postura ereta adquirida posteriormente. Tal posição ereta do homem só foi possível com o surgimento das mudanças na coluna, como a lordose cervical e lombar, tendo o homem de equilibrar a cabeça na parte superior da coluna, o tronco em cima dos membros inferiores e o corpo sustentado pela planta dos pés, mudando com isso seu centro da gravidade.

Para se adaptar à ação da gravidade sobre a coluna vertebral, ocorreram algumas mudanças na coluna, as quais levaram a complicações da mesma. E uma dessas complicações está relacionada à formação óssea anormal, o bico de papagaio.

Tipos de bico de papagaio marginais

Existem dois tipos de bico de papagaio marginais. Um consiste na proteção para o espaço articular e o outro no desenvolvimento das inserções capsulares das extremidades das articulações.

Nos dois casos, o crescimento do bico de papagaio segue as linhas das forças mecânicas que incidem sobre a área de crescimento, dando origem aos osteófitos.

Causas e Sintomas

Causas

Uma das causas do surgimento dos osteófitos provêm das forças de compressão em que a coluna vertebral é submetida. Esse tipo de compressão poderá afetar raízes nervosas ou em casos mais graves, órgãos e vísceras, como esôfago, traqueia e laringe, podendo causar disfagia, dispneia, dores e até alterações na voz.

Osteófitos cervicais são comuns no envelhecimento da população, já a disfagia é incomum, porém a disfagia pode ser causada pelos bicos de papagaio. Na região torácica os osteófitos foram relatados de forma não frequente.

Segundo um estudo de 2008 da Revista de Medicina, onde foram analisadas a incidência de osteófitos na coluna vertebral, foi possível concluir que nos laudos analisados houve a presença de osteófitos nas três regiões da coluna vertebral, porém a região lombar foi a mais acometida.

O grau de osteófito mais comum nas regiões cervical e lombar foi o osteófito marginal e na região torácica, o grau que mais ocorreu foi a labiação marginal. Nesse estudo também se concluiu que nas mulheres ocorreram mais casos de osteófitos em relação aos homens.

Sedentarismo, má postura, falta de cuidados com a coluna e sobrepeso são as causas mais comuns do bico de papagaio. Porém, pessoas que sofreram fraturas e ficaram com a articulação desalinhada são sérias candidatas a desenvolverem o problema.

Cuidar da postura é fundamental. Dormir de bruços, por exemplo, é errado e pode causar bico de papagaio.

Possíveis causas do bico de papagaio

  • Falta de cuidado com a postura;
  • Fatores genéticos: má postura, sedentarismo e sobrepeso.

A deformação afeta especialmente as pessoas depois dos 50 anos, mas pode se manifestar também em pessoas mais jovens expostas aos fatores de risco.

O desgaste natural dos discos intervertebrais causados pelo avanço da idade também é uma das causas do bico de papagaio.

Sintomas

Os principais sintomas dos bicos de papagaio são:

  • Dor forte;
  • Limitação dos movimentos;
  • Perda de força muscular;
  • Perda da sensibilidade e dos reflexos;
  • Formigamento (apenas em alguns casos).

Os osteófitos em si não apresentam necessariamente dor. Em muitos indivíduos essa condição é assintomática e a dor dependerá da postura corporal e movimentação inadequada.

Apesar de ser raro, o bico de papagaio pode se acentuar ao ponto dos osteófitos superiores e inferiores se unirem formando a anquilose.

Diagnóstico

Uma avaliação clínica e o levantamento da história da vida do paciente são uns dos elementos básicos para se estabelecer o diagnóstico.

O diagnóstico se baseia em critérios exclusivamente radiológicos:

  • Calcificação e ossificação que se projeta ao longo da face ântero-lateral de, pelo menos, quatro corpos vertebrais contíguos;
  • Conservação relativa da altura das intervértebras dos discos;
  • Ausência de anquilose óssea intrarticular nas articulações sacroilíacas e apofisárias.

Tratamento do Bico de Papagaio

O tratamento de bico de papagaio pode ser conservador ou cirúrgico.

Tratamento conservador

Para esse tratamento, a adaptação de novos hábitos (como melhora da postura) juntamente com prática de atividade física pode auxiliar no alívio das dores. O uso de medicação pode ser necessário, fisioterapia e acupuntura também são muito indicadas para a reabilitação.

Tratamento cirúrgico

Quando o paciente apresenta dano neurológico grave ou quando a coluna evidenciar sinais de desalinhamento progressivo com dor intensa, além de alteração de força e sensibilidade nos membros superiores, ou quando o paciente não apresenta melhoras após o tratamento conservador, uma intervenção cirúrgica pode ser indicada.

A realização desse tipo de cirurgia requer o uso de enxertos ósseos e implantes.

Tratamento fisioterapêutico

Não existe tratamento para recuperar o disco intervertebral, pois o desgaste sofrido é irreversível. Medicamentos analgésicos e anti-inflamatórios podem ser úteis para aliviar a dor, mas o fundamental é que o paciente desenvolva hábitos que facilitem corrigir os problemas posturais.

A fisioterapia e a prática de exercícios físicos são recursos muito benéficos que auxiliam o controle da doença.

Para o tratamento fisioterápico, deve-se sempre começar com uma anamnese completa e bem dirigida, pois com isso se permite conduzir corretamente a investigação e o tratamento.

Uma anamnese cuidadosa é necessária para avaliar corretamente a participação de fatores de ergonomia no trabalho, alterações mecânico-posturais, presença de doenças articulares periféricas e patologias sistêmicas subjacentes.

É importante colher dados da história clínica, analisando o tempo de evolução da doença, o ritmo da dor, a situação trabalhista (continua trabalhando, está afastado, aposentado, etc.), irradiação da dor (em caso de compressão de raiz nervosa), fatores de melhora ou piora, características da dor, doenças associadas, medicação em uso e antecedentes pessoais e familiares.

O exame físico deve incluir um exame geral seguido de um exame da coluna. O paciente deve estar desnudo para que o terapeuta possa observar a presença de lesões cutâneas, deformidades, contraturas musculares e etc.

Objetivos do tratamento fisioterapêutico

Os principais objetivos do tratamento fisioterápico para as disfunções da coluna, incluindo o bico de papagaio, são:

  • Aliviar da dor;
  • Reduzir o espasmo muscular associado;
  • Reduzir a inflamação;
  • Corrigir a fraqueza muscular preexistente ou que foi agravada pela doença atual;
  • Restabelecer a mobilidade e a função;
  • Melhorar o condicionamento físico.

As modalidades físicas são muito úteis na melhora dos sintomas e podem ser utilizados para aliviar a dor e a inflamação no início da terapia.

O gelo diminui o edema e a dor nas fases agudas, enquanto que o calor é usado preferencialmente na fase crônica. O calor também alivia o espasmo muscular e diminui a rigidez.

O calor pode ser utilizado de forma superficial (infravermelho e compressas) ou profundo (ultrassom e ondas curtas).

A estimulação elétrica transcutânea (TENS) estimula as fibras a-A de baixo limiar, que inibe os impulsos nociceptivos das pequenas fibras C e a-D.

A cinesioterapia para fortalecimento da região de coluna vertebral é indicada, pois existe considerável evidência do benefício de exercícios de alongamento muscular, principalmente em casos crônicos.

Os exercícios passivos ajudam a prevenir e minimizar a perda da função em casos agudos. Os exercícios ativos e resistidos melhoram a força muscular e os isométricos, além de também aumentar a força muscular, contribuem para a manutenção da estabilidade articular.

Diretrizes do tratamento de acordo com cada fase da reabilitação:

Fase aguda

  • Educar o paciente, para que ele aprenda o autocuidado. É importante informar o paciente sobre o progresso esperado e as precauções;
  • Diminuir os sintomas agudos, utilizando as modalidades físicas, massagem, tração ou manipulação conforme a necessidade. O repouso só é indicado nos primeiros dias, caso seja necessário;
  • Ensinar a percepção de posição e movimento do pescoço e pelve através de treinamento cinestésico – movimentos cervicais e escapulares, inclinações pélvicas e coluna neutra;
  • Demonstrar postura seguras. Se necessário, prover suporte passivo e órteses;
  • Iniciar a ativação neuromuscular e o controle dos músculos estabilizadores com técnicas de ativação dos músculos segmentares profundos;
  • Ensinar o desempenho seguro de atividades de vida diárias básicas.

Fase subaguda

  • Continuar educando o paciente no autocuidado, ensinando como diminuir os episódios de dor, com um programa de exercícios em casa e adaptação ergonômica do ambiente de trabalho e domiciliar;
  • Avançar para consciência e controle do alinhamento postural, com práticas de controle ativo da coluna em posições indolores e com todos os exercícios e atividades. Praticar também correção da postura;
  • Aumentar a mobilidade dos músculos, articulações, fáscias e nervos retraídos, através de mobilização e manipulação articular, mobilização neural, inibição muscular e autoalongamento;
  • Ensinar técnicas para desenvolvimento de controle neuromuscular, força e resistência a fadiga, avançando com os exercícios de estabilização, aumentar as repetições e iniciar com os exercícios de fortalecimento dos membros inferiores e superiores, junto com a estabilização de coluna vertebral;
  • Desenvolver resistência cardiopulmonar com exercícios aeróbios de intensidade baixa a moderada, enfatizando a tendência postural;
  • Ensinar técnicas de alívio de estresse e relaxamento;
  • Ensinar mecânica corporal segura e adaptações funcionais, praticando a estabilidade da coluna em atividades de levantar, empurrar, puxar e alcançar objetos.

Fase crônica

  • Enfatizar o controle da coluna em atividades repetitivas e de alta intensidade, praticando o controle ativo da coluna em várias atividades de transição que desafiem o equilíbrio;
  • Aumentar a mobilidade nos músculos, articulações, fáscias e nervos retraídos, através de mobilização e manipulação articular, inibição muscular e autoalongamento;
  • Melhorar o desempenho muscular, força coordenação e resistência à fadiga dinâmica de tronco e membros, avançando com exercícios dinâmicos resistidos de tronco e membros, enfatizando as metas funcionais;
  • Aumentar a resistência cardiopulmonar;
  • Enfatizar o uso habitual de técnicas de alívio de estresse e relaxamento para correção de postura, com movimentos e posturas para aliviar a sobrecarga;
  • Ensinar uma progressão segura para atividades de alto nível e alta intensidade, com uma prática progressiva usando um treino para atividades que sejam coerentes com o resultado funcional desejado, enfatizando controle da coluna, resistência à fadiga, cadência e velocidade;
  • Ensinar hábitos saudáveis de exercício para a automanutenção, orientando sobre os benefícios de manter um bom preparo físico e uma mecânica corporal segura.

Pode-se ainda associar as técnicas de McKenzie que tem como objetivo fazer retornar as estruturas do núcleo pulposo do disco e a de suporte a um estado anatômico mais normal.

Pilates no tratamento

O Pilates é uma técnica de exercícios adequada para todas as pessoas independentemente da idade, trazendo consigo a capacidade de correção da postural corporal através de exercícios de força e flexibilidade.

São exercícios na maioria realizados sem descarga de peso sobre a coluna, pois tem uma diminuição de impacto das articulações de sustentação do corpo na posição ortostática e, principalmente, na coluna vertebral.

Alguns exercícios de Pilates destinados para a estabilidade do core, postura, fortalecimento de músculos específicos e flexibilidade dos membros inferiores são efetivos na redução do ângulo da cifose torácica e da distância cérvico-torácica, observando-se também um ganho nos alinhamentos frontal dos ombros e sagital da pelve.

Esses desvios posturais citados são os principais desalinhamentos da coluna que podem desencadear a formação dos osteófitos.

Por isso o Pilates pode ser utilizado tanto para tratamento como para prevenção da formação de novos osteófitos.

Papel do Fisioterapeuta no Tratamento

O fisioterapeuta tem o papel de maximizar a função do paciente e reduzir a dor e incapacidade por ele sofridas.

Os objetivos do fisioterapeuta na reabilitação de pacientes com disfunções da coluna vertebral como o bico de papagaio são:

  • Prevenir a disfunção;
  • Restaurar e/ou manter a função;
  • Diminuir a dor e a inflamação.

Para alcançar esses objetivos, o fisioterapeuta pode utilizar recursos físicos para controle da dor e da inflamação. Os outros objetivos podem ser alcançados através da cinesioterapia, melhorando a amplitude de movimento, melhorando a força e mobilidade.

O fisioterapeuta deve ainda melhorar as atividades de vida pessoal e profissional, prescrever órteses (quando necessário) e orientar o paciente a respeito da melhora da postura, sobre como realizar de movimentos de forma segura (durante atividades de vida pessoal e profissional) e manutenção da saúde da coluna através de atividade física.

Conclusão

A ocorrência de osteófitos é muito comum, sendo geralmente assintomáticos. Porém, quando a dor aparece é importante a procura de um tratamento médico e fisioterápico para melhora dos sintomas.

Não existe tratamento para recuperar o disco intervertebral, pois o desgaste sofrido é irreversível. Porém a fisioterapia vai atuar para diminuir a dor, melhorar a saúde da coluna através de exercícios terapêuticos, corrigir problemas de postura e ajudar o paciente a desenvolver hábitos que impeçam a progressão da doença.

A maioria dos casos possui boa melhora no tratamento conservador, porém quando o paciente não apresenta melhoras, possui indicativo de desalinhamento progressivo da coluna ou algum distúrbio neurológico, pode ser necessária uma intervenção cirúrgica.

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